Câncer de próstata de alto risco. O que é?

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Câncer de próstata de alto risco é o câncer mais agressivo entre os cânceres de próstata. A classificação de risco do câncer de próstata foi definida por D`Amico em 1998. Entretanto, foi sub estratificada mais recentemente.

Há uma variação das formas de tratamento de pacientes com câncer de próstata de alto risco. Muitos, particularmente os homens mais velhos, são sub-tratados. As vezes, apenas com tratamento sistêmico, como a hormonioterapia contínua. Os pacientes com mais de 75 anos têm pelo menos 25% de neoplasia de alto risco. Entretanto, os pacientes devem ser individualizados. Mesmo para os mais velhos, o tratamento multimodal, incluindo a prostatectomia radical com linfadenectomia estendida pode prolongar a sobrevida e até curá-los. Estudos mostram que o sub-tratamento apresenta pior sobrevida destes pacientes.

O tratamento mais aceito para obter os melhores resultados é o trimodal: cirurgia, radioterapia e hormonioterapia. Por isso, seu exato diagnóstico é fundamental para o planejamento do tratamento.

Definição do câncer de próstata de alto risco

“Tumor do estádio clínico T2c-T3a, ou PSA maior ou igual a 20 ng/mL ou escore de Gleason 8 a 10”.

Além disso, “Qualquer PSA, ou qualquer grau de ISUP e cT3-4 ou cN+”. Estes últimos são chamados portadores de câncer de próstata localmente avançados ou de muito alto risco. Aproximadamente 20-30% dos homens com câncer de próstata localizado são de alto risco.

A recidiva bioquímica após a prostatectomia radical é definida pelo PSA maior que 0,2 ng/mL no seguimento. Estima-se que estes pacientes apresentam recidiva bioquímica da doença de 25-50% em 5 anos.

Estádio do câncer de próstata de alto risco

O estádio T2c é o câncer que ocupa ambos os lobos da próstata ao toque retal. Assim, a próstata está endurecida bilateralmente, ou com perda da mobilidade de um ou dos dois lados (estádio T3a). Isto ocorre por que a doença já ultrapassou os limites da cápsula prostática, ou seja com invasão da gordura periprostática.

Os pacientes com invasão das vesículas seminais são classificados com estádio T3b e os com invasão macroscópica do colo da bexiga, como T4a. O melhor exame de imagem para definir estes estádios clínicos é a ressonância nuclear magnética. Caso queira saber como confirmar por exames: https://www.drfranciscofonseca.com.br/cancer-de-prostata-de-alto-risco-exames/

A incidência de invasão de vesículas seminais aumenta com o estádio clínico, incidência de cerca de 3% para câncer de T1c, 14% a 21% para tumores clinicamente palpáveis de cT2 e 67% para câncer de cT3 clinicamente fora da próstata.

Os paciente cN+ são os casos em que os exames de imagem identificam linfonodos ilíaco-obturador (em linfonodos regionais). Geralmente, os linfonodos com eixo curto maior que 8 mm na pelve e maior que 10 mm fora da pelve são considerados malignos. Pacientes com câncer de próstata localmente avançado e oligometastático, com menos de 2 metástases são considerados de alto risco.

Os ainda mais avançados, com invasão do reto, do esfíncter urinário, musculatura periprostática e estrutura pélvicas são do estádio T4b. Estes pacientes não devem ser tratados por cirurgia. Saiba sobre cuidados em prostatectomia radical em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/prostatectomia-radical-cuidados-no-pre-e-pos-operatorio/

Escore de Gleason alto ou ISUP 4 e 5

O escore de Gleason é uma classificação proposta pela sociedade de patologia internacional. É praticada por todos patologistas envolvidos no diagnóstico do câncer de próstata. Passou por uma atualização, mas hoje está padronizada. É adotada pela organização mundial da saúde desde 2016. Este novo sistema foi validado em um estudo multi-institucional com mais de 20.000 espécimes de prostatectomia radical, mais de 16.000 amostras de biópsias de agulha e mais de 5.000 biópsias seguidas prévia a radioterapia.

Gleason 3

Padrão celular Gleason 3

Gleason 4

Padrão celular Gleason 4

Gleason 5

Padrão celular Gleason 5

Imagens microscópicas do câncer da próstata. Coloração HE. Objetiva aumento de 20x
Com o aumento do padrão celular de Gleason, vai ocorrendo uma perda progressiva da presença de glândulas no tecido neoplásico da próstata. O padrão primário Gleason 5 já não dá para dizer que se trata de uma glândula.

O patologista examina a próstata e vê as áreas mais predominante e uma segunda desta mesma maneira. Assim sendo, os pacientes de alto risco podem ter escore de Gleason: 4+3, 3+5, 4+4, 4+5, 5+4, 5+3, 5+5. O primeiro número mostra que tipo histológico é o mais predominante. Desta maneira, os três últimos são os mais agressivos.

ISUP 4 e 5

A classificação da Sociedade Internacional de Patologia considera do escores de Gleason 4+4=8, 3+5=8 e 5+3=8 como ISUP 4. Os escore de Gleason 9-10 (4+5, 5+4, 5+5) são do ISUP 5. A recidiva bioquímica no ISUP 4 é de 25% e do ISUP 5 de 50% em 5 anos.

O escore de Gleason é classificação anatomopatológica mais aceita para classificar os tumores de próstata. Quanto mais alto pior é a evolução clínica destes pacientes. Portanto, os Gleason 8, 9 e 10 são considerados pacientes de alto risco para progressão da doença. Por isso, têm maior chance de evoluirem com metástase. Assim sendo, estes pacientes devem ser tratados de maneira agressiva para que possam evoluir o melhor possível.

Câncer de próstata de alto risco, com PSA igual ou maior que 20 ng/mL

O uso do PSA vem diminuindo os casos de alto risco no diagnostico inicial. Assim sendo, cada vez mais se realiza o diagnóstico em fase cada vez mais precoce. Para se ter uma idéia era visto em 40% em 1989 e hoje em torno de 15% nos países desenvolvidos. Quanto mais tempo passa com a doença estabelecida, mais mutações vão ocorrendo. Desta maneira, vai piorando o escore de Gleason da doença. Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/tudo-sobre-psa/

Concluindo

O reconhecimento preciso do risco do câncer de próstata é fundamental para que se possa planejar adequadamente o tratamento. Sem este entendimento não se pode decidir a melhor maneira para se indicar com o máximo de eficiência o tratamento. As doenças são diferentes e este paciente deve ser tratado com um planejamento adequado. Isto pode fazer a diferença para prolongar a vida com o que se deve realmente realizar para seu sucesso.

No nosso meio, onde o acesso a saúde ainda é precário, o câncer de próstata de alto risco ocorre em torno de 20% dos casos diagnosticados. Contudo, existem casos que o escore de Gleason alto e com pouco volume de neoplasia já ocorre desde o seu início.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato gênito-urinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

https://www.mskcc.org/nomograms/prostate/pre_op

https://uroweb.org/guideline/prostate-cancer/#4