EnglishPortuguês

Câncer de testículo – Tudo o que você precisa saber

câncer de testículo

Quais são os sinais e sintomas do “câncer de testículo”?

O principal sinal do câncer de testículo é o nódulo indolor palpável no testículo. A doença vem crescendo progressivamente no últimos 20 anos. Eventualmente relatam certo desconforto testicular neste período de crescimento, porém 1 em 10 pacientes se queixa de dor intensa testicular.

Outras queixas, menos comuns são decorrentes dos sintomas causados pela metástase, como massa cervical, por gânglios palpados no pescoço, sintomas de falta de ar por metástases pulmonares.

Além disso, distúrbios gastrointestinais: perda de apetite, náusea e vômitos, dor lombar por compressão do tumor retroperitonial ou compressão nervosa, dor óssea, ginecomastia, pelo tumor que produz prolactina, etc. Saiba mais sobre sinais e sintomas do câncer de testículo.

Qual é a função dos testículos?

Os testículos são órgãos do aparelho genital. Os testículos são diferenciados para órgão masculino na embriogênese pela ação da testosterona na gônada primitiva. Este estímulo hormonal prepara as células reprodutivas, as espermatogônias e as células produtoras do hormônio masculino nas células de Leydig. Durante a infância, os testículos permanecem quiescentes, com função e tamanho diminuídos. Todavia, na adolescência, sob influencia dos hormônios hipofisários, a glândula se desenvolve, produzindo a testosterona e os espermatozóides.

O que é criptorquidia?

Os testículos durante o período de desenvolvimento fetal são formados na região retro-abdominal, abaixo dos rins. Os testículos vão migrando para a região inguinal. No terceiro semestre da gestação desce para a bolsa escrotal.

Quando os testículos não conseguem descer ao testículo, diz-se que o recém nascido é portador de criptorquidia. A criptorquidia ocorre quando não é possível palpar o testículo na bolsa escrotal ou região do canal inguinal. Assim, a criptorquidia pode ser unilateral ou bilateral.

Os testículos palpados no canal inguinal ou em outra localização anômala, como na raiz da coxa, diz que é distópico. A criança portadora de criptorquidia deve ser operada antes dos dois anos, para posicionar o testículo na bolsa escrotal. Desta forma, é possível se preservar a função testicular. Saiba mais sobre criptorquidia e distopia testicular.

Os testículos ficam fora da cavidade abdominal, por que nesta situação a temperatura corpórea é menor em um grau centígrado. Por isso, é necessário para boa formação dos espermatozóides. Além disso, os testículos criptorquídicos não são capazes de manter suas funções normais.

Como é classificado o câncer de testículo?

O câncer de testículo são classificados em dois grupos:

  • os seminomatosos e
  • os não-seminomatosos.

Os seminomas ocorrem em 40% dos casos, seguido do carcinoma embrionário de 20% a 25%, do teratocarcinoma de 25% a 35%, teratoma puro de 5% a 10% e o coriocarcinoma em 1% dos casos. De maneira geral, os tumores não-seminomatosos são mistos.

Qual é a incidência do câncer de testículo?

O câncer de testículo é um câncer raro, ocorrendo 3 casos em 100.000 habitantes. Contudo, é o câncer mais comum em homens dos 15 aos 35 anos. A sua importância clínica é enorme, uma vez que acomete homens ainda na idade produtiva.

O pico de incidência ocorre entre os 20 e 40 anos. Todavia, os seminomas ocorrem entre 35 e 40 anos e os não-seminomas entre os 25 e 35 anos.

Quais são os fatores de risco?

Os câncer de testículo ocorrem três vezes mais em brancos do que em negros. Os pacientes que já tiveram câncer de testículo têm 2 a 3% de terem um novo câncer no testículo remanescente.

A criptorquidia é o fator de risco mais importante. Ela aumenta o risco de câncer de testículo de 8 a 40 vezes mais do que o da população normal. Aproximadamente 8,5% dos pacientes têm história de criptorquidia. Por isso, os com retenção intra-abdominal tem maior potencial carcinogênico. Outro fator são as atrofias testiculares idiopáticas ou adquiridas (virais). Mais ainda, os homens inférteis ou subférteis são mais acometidos, ocorrendo câncer de testículo em 3% destes pacientes.

O carcinoma “in situ dos túbulos seminíferos do testículo ocorre em 1 a 2% dos homens inférteis. Ele é detectado em até 95% das regiões peri-lesionais do testículo com câncer. Além disso, esta lesão é encontrada em até 5% dos testículos contra-laterais. O carcinoma “in situ” progride mais de 50% para câncer de testículo em 5 anos.

Como são tratados os pacientes portadores de câncer de testículo?

O tratamento dos tumores testiculares é multidisciplinar, ou seja, habitualmente envolve uma série de profissionais especializados em oncologia, como: cirurgião especializado em onco-urológica, outros de outras especialidades como os vasculares, neurocirurgiões, cirurgiões torácicos, radioterapeuta, oncologista clínico, etc. A equipe é sempre multi-profissional, sendo que por vezes enfermeiras, fonoaudiólogas, fisioterapia especializados em oncologia. Desta maneira, todos importantes para reabilitação do paciente. A complexidade em oncologia aumenta quando são realizadas ressecções cirúrgicas mais extensas.

A cirurgia inicial é a orquiectomia radical. Nesta cirurgia se remove testículo, epidídimo e cordão espermático até o nível do anel inguinal interno. É feito para qualquer caso com suspeita de câncer de testículo e para qualquer estádio da doença. Exceção a regra é feita quando a lesão metastática causa ou esta na eminência de causar um dano definitivo. Como a metástase que causa compressão medular. Nestes casos, diante da forte suspeita clínica do câncer de testículo, iniciasse radioterapia ou quimioterapia para resolver o problema agudo. Depois procede-se a orquiectomia radical.

O anatomopatólogico define se o câncer é seminomatoso ou não-seminomatoso. Além disso, define se há invasão das estruturas vizinhas, vasos e se existe mais tipos histológicos de neoplasia. Aproximadamente 60% dos tumores de células germinativas são mistos. Desta maneira, pode haver seminoma, teratoma, carcinoma embrionário etc.

A escolha do tratamento é sempre feita pelos elementos não-seminomatosos. São os tumores mais agressivos, mas geralmente sensíveis à quimioterapia.

O anatomopatológico, os exames de imagem abdominal e torácica e dos marcadores tumorais, antes e após a orquiectomia radical são fundamentais para a conduta terapêutica.

Quais são os pacientes com câncer de testículo que podem ser considerados curados apenas com orquiectomia radical?

A orquiectomia exclusiva é curativa para os casos de:

  • Seminoma espermatocítico,
  • Os tumores de testículos na infância,
  • O câncer de testículo do estádio I de baixo risco.

O estádio I: tumor menor que 4 cm, ausência de invasão da túnica vaginal, embolização linfática e venosa, ausência de carcinoma embrionário na peça e marcadores tumorais negativos após a orquiectomia.

Contudo, casos especiais podem ser submetidos a orquiectomia parcial com sucesso, podendo preservar a fertilidade e a produção de testosterona. Os pacientes com testículo único, quando desenvolvem câncer de testículo, que não permitem a preservação devem ser submetidos a reposição hormonal com testosterona.

Após a orquiectomia, como são tratados os pacientes com câncer de testículo não-seminomatosos?

Trinta a 35% dos pacientes com tumores não-seminomatosos estádio I apresentam metástases retroperitoniais microscópicas. Ou seja, são na verdade estádio IIa ou seja, apresentam metástase em linfonodos no retroperitônio não detectadas aos métodos de imagem hoje disponíveis.

Estes pacientes apresentam tomografia abdominal normal e marcadores negativos após a orquiectomia. Por essa razão, os pacientes de alto risco devem ser submetidos a linfadenectomia retroperitonial, ou seja remoção dos gânglios das cadeias para-aórtica e para-cavais. Os pacientes considerados de baixo risco devem ser observados por conduta expectante. Por ela são feitos exames periódicos de imagem e dosagens dos marcadores tumorais específicos.

Os tumores de alto risco apresentam ao exame anatomopatológico pelo menos um destes fatores:

  • componente de carcinoma embrionário,
  • acometimento da túnica vaginal, epidídimo ou deferente,
  • ou microembolização venosa ou linfática.

Desta maneira, quando todos estes fatores são ausentes, caracteriza-se o tumor de testículo de baixo risco.

Todavia, a invasão vascular microscópica e a presença do carcinoma embrionário vistos após a remoção do testículo são os fatores mais significativos para a presença de doença microscópica no retroperitônio.

Risco para presença de doença microscópica no retroperitônio

Homens sem fatores de risco têm uma taxa de metástases ocultas de 10 a 14%, enquanto 10 a 30% dos homens com tumores não-seminomatosos em estágio I apresentam um ou mais fatores de risco. A presença de invasão linfovascular microscópica isoladamente ou invasão linfovascular com predominância de carcinoma embrionário está associada a uma taxa de recaída de 40 a 55% em séries históricas.

Recentemente, uma série retrospectiva demonstrou taxas de recaída e tempo médio de recaída de 25% em 8,5 meses, 41% em 6,8 meses e 78% em 3,8 meses quando não há fatores de risco, com predominância de invasão linfovascular ou de carcinoma embrionário ou invasão linfovascular e carcinoma embrionário, respectivamente.

Pacientes que não tenham possibilidade de realizar seguimento clínico confiável, devem ser operados para definição definitiva do tratamento. Por isso, esta situação é muito comum em nosso país.

Tratamento dos pacientes com doença avançada

Os pacientes com tumores mais avançados, com tumor visível maior que 2cm pelos exames de imagem no estadiamento do tumor ou com metástases viscerais recebem quimioterapia no início do seu tratamento.

O planejamento da quimioterapia é feito por oncologistas clínicos. Estes especialistas têm grande conhecimento sobre os efeitos das drogas no nosso organismo. Assim como, quais as drogas ou esquema é mais aplicável com sucesso para tratamento dos portadores de doença avançada.

Muitas indicações clínicas podem guiar o sucesso da quimioterapia. Portanto, uma especialidade complexa e que exige do profissional conhecimento específico para atingir ao melhor resultado.

O tratamento do câncer de testículo é um marco do sucesso da oncologia. Por consequência, a doença é curada na grande maioria dos seus portadores. Seu correto tratamento exige diagnóstico precoce e tratamento eficaz para cada estádio da doença.

Contudo, caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato gênito-urinário acesse a nossa área de conteúdo para pacientes para entender e ganhar conhecimentos. São mais de 135 artigos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

Referência

https://uroweb.org/guideline/testicular-cancer/

https://www.auanet.org/guidelines/testicular-cancer-guideline

× Agende sua consulta