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O que é?

O câncer de pênis (penile cancer) é uma neoplasia que geralmente se inicia na glande ou no prepúcio, tem crescimento lento e progressivo, podendo invadir os tecidos profundos da haste peniana como as túnicas albugíneas dos corpos cavernosos ou esponjoso. Tumores mais indiferenciados, de células mais agressivas, crescem mais rapidamente. Geralmente começa como uma ferida que coça. Toda lesão vegetante (com crescimento perceptível a olho nú), endurecida, úlcero-vegetante ou ferida com crescimento que não cicatriza pode representar uma suspeita de câncer de pênis e deve ser investigada. A lesão pode proliferar causando deformação vegetante e desfigurando a glande e o pênis. As lesões primárias são localizadas na glande, prepúcio e haste peniana em 60%, 23% e 9% dos casos, respectivamente.

 

Sintomas

O principal sinal é uma ferida eritematosa (lesão avermelhada da pele ocasionada por vasodilatação capilar) no pênis que não cicatriza, com crescimento lento e progressivo. Há casos em que a lesão está encoberta pelo prepúcio (nos pacientes com fimose). Geralmente estas lesões estão infectadas e pelo meato prepucial escorre uma secreção purulenta. Pode haver suspeita de câncer quando, na palpação, for sentida uma lesão endurecida sob a pele prepucial.

Como a principal via de metástase é a linfática, o local a ser examinado deve ser a região inguino-crural. Qualquer linfonodo endurecido deve ser considerado câncer até prove o contrário. Mas também existem casos em que os linfonodos não são considerados suspeitos no exame de palpação. Até 20% dos pacientes sem suspeita clínica de linfonodos positivos à palpação vão estar comprometidos no exame microscópico. Raros casos são diagnosticados inicialmente com doença metastática à distância.

 

Fatores de risco

Os pacientes portadores de fimose (prepúcio que não se descobre para exposição da glande) tem risco 22 maior por apresentarem esmegma (acúmulo de células epiteliais esfoliadas sob o prepúcio) e urina estagnada, irritativos para a mucosa prepucial. O CP é mais incidente em portadores do vírus HPV (sorotipos 16, 18, 31 e 33 apresentam risco 5-10 vezes maior) e, HIV (8 vezes maior), em fumantes, pacientes de baixo nível sócio-econômico, com doença balânicas crônicas (balanite xerótica esclerosante – inflamação na pele que reveste a glande) e com antecedentes de relação sexual com animais (zoofilia). Pacientes com passado de promiscuidade sexual e má higiene genital são os mais afetados.

 

Diagnóstico

Procure seu médico caso ocorra ferida no pênis, pois o diagnóstico precoce do CP viabiliza sua remoção com pouco ou nenhum dano ao pênis. O diagnóstico é feito por biopsia da lesão, podendo ser realizada uma postectomia ampla (retirada do excesso de pele do pênis) para o tratamento da lesão primária e estadiamento local da doença. O tipo histológico é definido pelo exame anatomopatológico. A extensão loco-regional do CP pode ser realizada pela tomografia computadorizada ou pela infusão na lesão de radiotraçador para investigação do comprometimento linfonodal.

 

Tratamento

O tratamento é realizado pela retirada da lesão com margens amplas se a lesão for prepucial e, amputação parcial do pênis quando a lesão for invasiva. Algumas lesões primárias iniciais podem ser tratadas com laser (CO2 ou Nd-YAG) ou glandectomia. Lesões mais extensas podem exigir amputação total do pênis ou mesmo emasculação (remoção total do pênis e dos testículos). A linfadenectomia (remoção dos linfonodos que drenam as células do câncer de pênis para a região da virílha) se impõe nos pacientes com tumores invasivos. O comprometimento linfonodal exige complementação por linfadenectomia inguinal bilateral e se houver suspeita pélvica, linfadenectomia ilíaco-obturadora (remoção cirúrgica de um ou mais grupos de linfonodos). Casos avançados podem ser tratados inicialmente por quimioterapia neoadjuvante.

 

Prevenção

A prevenção do CP passa por medidas higiênicas básicas, como limpeza do prepúcio e glande durante o banho. Paciente com fimose devem ser submetidos à postectomia, e o efeito protetor é maximizado quando a cirurgia é realizada no período neonatal. Deve-se evitar a promiscuidade sexual e as doenças sexualmente transmissíveis, principalmente as de origem viral, pois podem participar da etiologia da doença. Use camisinha. Não pratique zoofilia. Não fume. Vacine-se contra o vírus do HPV.