Cistectomia com neobexiga. O que é?

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Neobexiga é o reservatório urinário feito após a retirada da bexiga, chamada cistectomia radical. A sua realização exige grande conhecimento cirúrgico do cirurgião. Assim, esta cirurgia tem que ser feita com precisão, sem erros técnicos para evitar complicações, que pode ser graves, no pós-operatório. Além disso, quando menor for o tempo operatório, menos trauma cirúrgico-anestésico e portanto, menores serão as complicações.

A neobexiga é feita após a cistectomia, que por si só é considerada cirurgia de grande porte. Além disso, é absolutamente importante realizar a linfadenectomia iliaco-obturadora estendida (pélvica). Isto porque pode ocorrer metástase nos linfonodos (gânglios) na região pélvica.

O célula neoplásica (com câncer) procura sair do órgão sede para crescer em outros sítios do organismo. O que é chamado de metástase. Assim, as células neoplásicas param nos gânglios por via linfática ou se disseminam por via hematogênica (sanguínea) para outros órgãos a distância. Por isso, faz parte da cistectomia radical realizar a remoção estendida dos gânglios pélvicos. Quando mais linfonodos removidos, mais bem executada é a cirurgia e consequentemente, mais curativa. No mínimo devem ser removidos 15 linfonodos, mas quanto mais, melhor.

Estudos mostram que se ocorrer doença microscópica em até 3-4 linfonodos é possível curar a doença apenas pela cirurgia. Normalmente, estes linfonodos não são vistos como alterados em exames de ressonância ou tomografia no pré-operatório. Nestes exames de imagem, apenas linfonodos maiores que 8mm são considerados suspeitos da presença do câncer. Portanto, a cistectomia tem que ser realizada com linfadenectomia pélvica estendida obrigatoriamente. Leia mais sobre cistectomia e derivação urinária: https://www.drfranciscofonseca.com.br/tag/neobexiga/

Cistectomia radical no homem e na mulherneobexiga

A cistectomia radical pode ser uma cirurgia desafiadora. Alguns tumores são volumosos e infltrativos e a ressecção pode ser marginal ao tumor. Além disso, tumores volumosos podem ocupar toda pequena pelve e tornar as manobras cirúrgicas difíceis pela falta de espaço e visual do campo operatório. Isto é mais frequente nos homens pois eles costumam ter pelves mais estreitas. A pelve feminina é larga e foi feita para passar o recém-nascido. Casos mais complexos e volumosos são candidatos a realizar quimioterapia neo-adjuvante (antes da cistectomia). Assim, esta medida visa reduzir a lesão e tornar a cirurgia mais completa para a remoção da neoplasia.

Estes esquemas de quimioterapia duram em média 100 dias. A resposta pode causar uma redução de 40% do volume tumoral nos pacientes respondedores. Entretanto, na metades destes casos, a destruição tumoral pode ser completa. Quanto maior a resposta, melhor é a sobrevida. Assim sendo, muita pesquisa ainda deve vir a tona para que estes esquemas de quimo e/ou imunoterapia sejam melhorados, com índices mais eficientes. Por isso, todo esforço deve ser empreendido na pesquisa para melhor entendimento da neoplasia. Somente assim, os resultados do tratamento devem se tornar mais eficientes, consistentes e duradouros.

No homem deve-se remover a próstata e as vesículas seminais na cistectomia radical. Na mulher, pode-se preservar útero e ovários, todavia, se estiverem suspeitos de invasão, devem ser removidos. A vantagem em se deixar estes órgãos é que há maior suporte pélvico para acomodação da neobexiga. Como a bexiga, a neobexiga fica posicionada abaixo da parede abdominal. Além disso, pode melhorar o esvaziamento da bexiga. Desta maneira, se evita o resíduo pós-miccional que pode favorecer as infecções do trato urinário recorrentes. A urina parada no reservatório favorece a infecção.

Um pouco da história da neobexiga

As primeiras neobexigas usavam uma alça intestinal sobre a uretra em forma de U. Foi descrita pelo Prof. Dr. Camey, na França em meados de 1970. Estes pacientes não conseguiam reter a urina por muito tempo e viviam incontinentes. A qualidade de vida era um desastre. Nesta fase, ainda não se entendia os princípios técnicos para confecção do reservatório.

Ao se compreender um princípio da hidráulica, proposto pelo físico Laplace no século XIX, tudo mudou. Foi o maior ovo de Colombo. Por ela se sabia: quando se aumenta o raio de uma esfera, se reduz a pressão interna dentro do reservatório.

Este conceito foi propagado pelo Prof. Dr. Urs Studder que se tornou um dos maiores conhecedores desta técnica operatória no mundo. Muito do que se sabe sobre esta cirurgia foi ensinado por este alemão, chefe da urologia na universidade em Berne, na Suíça. A ele agradeço muito do que pude aprender com esta cirurgia ao longo dos anos. Como ele mesmo mostrava em suas aulas nos congressos nos EUA e na europa, era como encher uma bexiga de ar. Ele sempre tinha uma bexiga em seu paletó para encher durante suas apresentações. No começo se faz muita força para distender a bexiga e depois tudo fica mais fácil. Assim sendo, é exatamente o que se faz na neobexiga. Incrível e fácil assim!!! A aplicação de coisas simples que se reconhece no nosso dia-a-dia quando aplicadas podem tornar as coisas muito mais fáceis.

Princípio basico da neobexiga ileal

Mais ainda, o intestino tem contrações para uma única direção para propulsionar o conteúdo intestinal. Quando você detubuliza o intestino e o torna esférico, estas contrações se anulam. Neste sentido, passa a funcionar como um verdadeiro reservatório de urina. Entretanto, suas paredes não se contraem para promover o esvaziamento vesical. Nestes pacientes, deve-se orientar para que urinem sentados para melhorar o relaxamento do esfincter externo. A saída da urina deve ser completa para se evitar infecção. A neobexiga não tem as mesmas propriedades de uma bexiga normal.

Para sua confecção são usados 50-60cm do íleo que deve ser detubilidado para construção da neobexiga em formato esférico. Desta maneira, se imita uma bexiga normal, com suas propriedades para funcionar como órgão que armazena e esvazia a urina conforme seu enchimento. Com o tempo o paciente entende quando ela está cheia, por vezes sentindo um incomodo no epigástrio. Ou seja, no andar superior do abdômen.

Este foi o maior avanço na técnica para sua realização. Realmente, o professor Studer é incrível, generoso e simples nos seus conceitos. Um exemplo de homem bom que prestou a sociedade urológica um enorme papel educador. Muito respeito e boas lembranças. Com ele entendi que temos que dividir os nossos conhecimentos. Por isso, esta conduta torna a vida mais prazeirosa e melhor pela disseminação dos conhecimentos científicos.

A cistectomia e a neobexiga robô assistida

A cirurgia pode ser realizada como o uso do robô com vantagens inequívocas sobre a cirurgia convencional. Não apenas por ocorrer menos dor no pós-operatório, mas sobretudo por inúmeras complicações potenciais decorrentes de uma cirurgia de grande porte. Além disso, se evita as complicações da abertura da parede abdominal e a manipulação das alças intestinais em ambiente aberto. Por isso, ocorre mais distensão abdominal e íleo paralítico no pós-operatório.

Os dois entraves principais para sua utilização são o preço caro para compra e manutenção do robô e a formação de cirurgiões habilitados para sua realização. Uma questão é resolvida pela compra do robô pelo hospital e a outra pelo investimento na educação do cirurgião e da equipe multidisciplinar. Todavia, quando isso for equacionado, o benefício será do paciente. Menor sofrimento pós-operatório e menos gastos para o sistema de saúde pelo menor tempo de internação. Assim, todo investimento ao final traz maior qualidade de vida ao paciente, com seu retorno abreviado a sua vida normal.

Como a cirurgia robô assistida é realizada

O acesso a cavidade abdominal é feito por 4 a 6 incisões por onde são colocados trocateres. Portanto, eles são os caminhos por onde passam os instrumentos usados para a realização da cirurgia. Estes trocateres são dirigidos para o local a ser operado dentro do corpo. Pinças especiais são movidas por mecanismos integrados pelo robô. São acionadas pelos movimentos das mãos no console onde o cirurgião opera sentado. O abdômen é insuflado com gás carbônico criando uma cavidade que distancia os órgãos da parede.

A região é vista em 3D e com amplificação de 10 vezes. Pode-se operar a 3 cm do alvo. São usados pinças de apreensão, tesoura, porta-agulha e etc. O auxiliar e instrumentador trocam os instrumentos conforme a necessidade exigida em cada momento da cirurgia. A equipe deve estar integrada em seus conhecimentos para eficiência do procedimento. Esta cirurgia pode ser realizada com eficiência com ajuda do robô, mas exige enorme obstinação para seu emprego disseminado. Centros de excelência devem ser construídos em diferentes partes do nosso país.

O cirurgião realiza a cirurgia com os mesmos princípios da cirurgia aberta, mas com maior facilidade para sua execução. A cirurgia robô assistida ainda é muito pouco usada em nosso meio. Desta maneira, ela deve ser vista como progresso da cirurgia, que já está consagrado por diversos centros médicos do mundo.

Cuidados no pós-operatório

  • Deve-se usar sonda de silicone 20Fr pois ela ter 40% maior sua luz que a sonda de Foley de látex. Além disto, é mais resistente a infecção pela sua menor adesividade às bactérias.
  • Deve-se realizar lavagem vesical com soro fisiológico em seringa de 60 ml para remover os grumos do intestino. Esta medida deve ser realizada por 3 a 4 vezes por dia conforme o que se observa pela saída do muco da neobexiga. Como se trata de uma alça intestinal, há produção dos grumos de muco que podem obstruir a sonda. Desta maneira, se evita dor pela distensão do reservatório urinário e também a fístula urinária.
  • Além disso, a hiperpressão dentro da neobexiga pode numa fase inicial, quando ainda não ocorreu completa cicatrização, causar saída de urina para a cavidade abdominal (fístula urinária).
  • Além disto, a urina na cavidade abdominal causa íleo paralítico, o que causa distensão das alças intestinais e parada da propulsão natural do conteúdo dos intestinos. Pode evoluir com abscesso abdominal.
  • Isto leva a distensão abdominal e parada da eliminação de gases. Por consequência, há ausência de eliminação das fezes.
  • Por este motivo, devem ser evitados os medicamentos opiáceos para combater a dor, que pioram o íleo paralítico. Eles causam paralisia da mobilidade intestinal. Receptores da parede intestinal entendem sua distensão e se contraem involuntariamente para propulsão do conteúdo intestinal para frente. Ou seja, em direção ao reto.
  • Deve-se usar anticoagulante subcutâneo para evitar o risco de trombose venosa profunda. Quando um trombo se desprende dos vasos causa embolia pulmonar e possível morte súbita no pós-operatório. Isto está indicado por se tratar de cirurgia de grande porte, geralmente em pacientes mais idosos, cirurgia pélvica e pelo próprio câncer, etc.

Cuidados no pós-operatório para o retorno no trânsito intestinal

  • Deve-se evitar sonda nasogástrica, ou quando usado, usá-lo o mais breve possível no pós-operatório imediato. Habitualmente, pode-se usá-la no intra-operatório.
  • Uma vez o paciente bem acordado, deve-se oferecer água e chá após 4 horas do final da cirurgia. Esta medida estimula a propulsão natural dos intestinos, além de ser importante para a hidratação do paciente.
  • Deve-se oferecer dieta líquida e uso de goma de mascar porque estimulam a hidratação e trânsito intestinal após 4 horas do final da cirurgia.
  • Alimentos de absorção alta devem ser oferecidos inicialmente para depois passar para dietas laxativas. Isto melhora o íleo e o desconforto abdominal. Leia mais no artigo Protocolo ERAS sobre rotinas pós-operatória em cirurgias de grande porte: https://www.drfranciscofonseca.com.br/protocolo-eras-por-que-conhecer/
  • Mais ainda, estimular a deambulação precoce para ajudar o retorno do trânsito intestinal. Deve-se iniciar a deambulação no dia seguinte da cirurgia. Ficar deitado na cama piora o trânsito intestinal e o que é pior causa dor pela distensão das alças intestinais.
  • Drogas pró-cinéticas devem ser usadas para favorecer o trânsito intestinal natural.
  • Deve-se realizar gasometria para se corrigir o bicarbonato, que inclusive deve ser usado em pós-operatório tardio até a acomodação da neobexiga. Nesta fase, deve ser usado por via oral por até 2-3 meses.

Cuidados no pós-operatório após a retirada da sonda vesical

  • Após a retirada da sonda, o paciente começa a ser adaptar a nova condição da micção espontânea. Assim, o paciente passa a sentir a bexiga cheia ao perceber desconforto no epigástrio. Uma vez esvaziada a bexiga, a sensação desaparece.
  • O paciente inicialmente deve urinar a cada 2 horas para evitar a perda urinária involuntária. O paciente leva algum tempo para entender como vai funcionar sua nova bexiga. Obviamente, ela não tem a mesma funcionalidade da sua bexiga de outrora.
  • Estes pacientes são mais vulneráveis a perda de urina, e ainda pode ser mais intensa a noite. Quando dormimos quem assume o controle miccional é o sistema neurológico involuntário presente na bexiga e uretra. Ou seja, controle não consciente. A cistectomia causa lesão parcial, mas definitiva do sistema neuro-muscular da bexiga. Por essa razão, estes pacientes podem ser mais incontinentes durante o sono.
  • Após a retirada da sonda no décimo dia, deve-se em um mês retirar os cateteres duplo jota dos ureteres. Caso não se consiga com um cistoscópio ou ureteroscópio, deve-se usar um endoscópio usado para o aparelho intestinal. Esta medida pode tornar o procedimento muito mais fácil. A visibilidade é muito maior e mais fácil para se atingir a chaminé da neobexiga (conduta para os médicos).

Cuidados no pós-operatório para melhorar a continência urinária (esfincter externo)

  • Não existe remédios que possam ajudar esta situação. Geralmente, estes pacientes devem ser estimulados a acordarem com uso do despertador. Apenas 50-70% dos pacientes ficam continentes no pós-operatório, mas sempre podem ocorrer perda de urina involuntariamente ou aos esforços.
  • Os pacientes mais velhos, por terem menos número, volume e força nas fibras musculares estriadas do esfincter são mais vulneráveis a incontinência urinária. Quanto mais velho for o paciente, maior é a incontinência urinária. Portanto, esta cirurgia deve ser recomendada para pessoas dispostas a vencer as barreiras impostas naturalmente no pós-operatório.
  • A força de vontade pode ser a diferença para o melhor resultado funcional da neobexiga. Por isso, digo a meus pacientes: ” nenhum cirurgião até o momento é capaz de fazer a bexiga que Deus nos deu”. Por isso, pedir para que o paciente contraia o esfincter voluntário várias vezes durante o dia pode melhorar a força contrátil do esfincter. Esta medida pode ser útil após a retirada da sonda. Ela faz com que se reconheça melhor o esfincter e pode inclusive fortalecê-lo por ser um músculo estriado.
  • A neobexiga melhora sua capacidade ao longo do primeiro ano e por esta razão, a neobexiga se torna maior e mais continente. Assim, é preciso que o paciente entenda este fenômeno e saiba que a continência melhora progressivamente.
  • Deve-se urinar sentado para liberar o esfincter urinário e esvaziar toda urina. Esta bexiga não funciona como uma normal e a urina sai pela ação da gravidade, sem contração sob comando da alça intestinal do reservatório urinário. O jato urinário é mais fraco e sem comando central para aumentá-lo

O futuro

Muita pesquisa tem sido feita para se construir uma bexiga em laboratório para ser implantada no paciente. Nos EUA há um grupo de 300 cientistas empenhados para atingir esta meta. Um centro de pesquisa para construção de órgãos a partir de células do próprio paciente. Imaginem vocês criar uma bexiga com vasos, nervos e estrutura muscular contrátil que responda ao nosso comando. Parece coisa impossível, não imaginável e inatingível. A ciência é baseada em pesquisa e em grandes idéias, por vezes geniais. Não há espaço para falsos cientistas. A cooperação dos conhecimentos é a base para o sucesso da equipe.

Realmente, deve-se investir em ciência para que possamos progredir. Há enorme necessidade de empenho e seriedade para tornarmos este país respeitado. A única saída possível para progresso e igualdade entre os cidadãos: educação de qualidade ao nosso povo. Portanto, só desta maneira o futuro poderá ser promissor.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato gênito-urinário, navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos.

 

Referência

http://uroweb.org/guideline/bladder-cancer-muscle-invasive-and-metastatic/#7

https://www.drfranciscofonseca.com.br/tecnica-da-ureteroileostomia-bilateral-cirurgia-de-bricker/

Nefrectomia parcial assistida por robô

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A nefrectomia parcial assistida por robô e laparoscópica convencional são consideradas padrão ouro para tratamento do câncer de rim menor que 4 cm. O objetivo da nefrectomia parcial é remover o câncer para curar, enquanto maximiza a preservação da função renal.

Além disso, a nefrectomia parcial pode ser considerada no tratamento cirúrgico para tumores selecionados com tamanho menor que 7 cm, o estádio T1b. Ainda mais, a indicação é imperativa em pacientes com tumor renal em rim solitário, tumores bilaterais ou com comprometimento da função renal. Os pacientes com insuficiência renal crônica se perderem mais função renal tornam-se dialéiticos.

A vantagem da nefrectomia parcial robótica e laparoscopia para o paciente é a diminuição da dor no pós-operatória e do tempo de internação. Por outro lado, para o cirurgião é a melhor facilidade para sua realização. Alguns casos podem ser extremamente complexos para sua execução por laparoscopia.

A nefrectomia parcial assistida por robô é mais fácil para sua execução que a laparoscópica e a cirurgia aberta. De maneira geral, é muito mais fácil realizar a nefrectomia radical do que a parcial. Portanto, esta cirurgia é mais desafiadora por que se opera para remover o câncer e preservar a função renal. O objetivo é não perder néfrons, ou seja, as unidades fundamentais que produzem a urina.

Fatores relacionados a complexidade do procedimento

A complexidade técnica da nefrectomia laparoscópica é determinada por vários fatores isolados e/ou associados em cada caso individualmente. Vários fatores podem estar relacionados ao paciente e/ou ao próprio tumor em relação ao rim.

Fatores relacionados ao paciente:

  • índice de massa corporal,
  • cirurgia abdominal prévia e

Fatores tumorais anatômicos: 

  • nefrectomia parcialtamanho e localização do tumor, os tumores centras e profundos são os mais complexos  (avaliação medida pela nefrometria). Quanto maior, maior tempo de isquemia e de abertura do sistema coletor),
  • estudo dos vasos do pedículo renal e dos vasos polares com exames angiográficos
  • invasão perinéfrica,
  • linfadenopatia hilar e regional,
  • envolvimento venoso e colaterias.

Desta maneira, a cirurgia aberta exige maior destreza técnica pela profundidade do órgão a ser operado, conhecimento anatômico da parede incisada e visualização do campo operatório. Assim sendo, atualmente, apenas casos muito volumosos de câncer renal são operados por via aberta. A cirurgia laparoscópica assumiu com vantagem a sua realização, inclusive pelo menor sangramento intra-operatório. Saiba sobre a indicações da nefrectomia parcial em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/nefrectomia-parcial-quando-indica-la/

Vantagens da nefrectomia laparoscópica para a aberta

  • A laparoscopia oferece melhor visibilidade do campo operatório, pelo uso da lente de aumento. Ela projeta a imagem da cavidade para tela do vídeo. O aumento é de dez vezes.
  • várias fontes de energia usadas para realizar corte nos tecidos e cauterização dos vasos estão em franca expansão. Por isso, o progresso não deve parar e novas tecnologias vão estar sendo empregadas. A técnica laparoscópica é uma via operatória sem volta. Apenas vai avançar e portanto, uma revolução no modo de se operar.
  • menor sangramento intra-operatório causado pela melhor visibilidade do campo operatório.
  • a hemostasia dos vasos sanguíneos é mais eficiente. Uma das razões é que se opera muito próximo do alvo. A distância varia de 3-8 cm em média.
  • menor sangramento causado pelo sistema de pressão intra cavitária pelo expansão da cavidade abdominal por gás carbônico (pneumoperitônio). A sua pressão de injeção na cavidade limita o sangramento de baixa pressão das veias, menor de 40 mmHg.

Mais vantagens

  • As punções abdominais por onde passam os trocateres formam um ângulo de trabalho em forma de cone por onde se vê tudo o que se manipula. Desta maneira, as mãos operam fora do corpo por pinças que estão próximas do alvo.
  • pacientes obesos são mais susceptíveis a complicações pela maior profundidade e menor visibilidade intra-operatória. Além disso, são mais vulneráveis a infecção da incisão cirúrgica, que podem causar deiscência (abertura dos pontos de fechamento da ferida operatória). As infecções bacterianas estão ficando cada vez mais resistentes aos antibióticos. Por esta razão, a permanência hospitalar geralmente é mais prolongada. Por isso, o sofrimento e dor habitualmente são muito mais relevantes do que nos pacientes operados por laparoscopia.
  • O tratamento de tumores renais maior que 4 cm pode ser desafiador em cirurgias minimamente invasivas (estádio T1b). Estes casos podem ser operados conforme condições locais do tumor renal, geralmente os exofídicos (que crescem para fora do rim). No entanto, a excisão de massa com instrumento e a renorragia em um tempo restrito, exige perícia do cirurgião e tem limitado a a disseminação da laparoscopia.
  • Contudo, avanços tecnológicos nos trocateres, bi ou triarticulados, vão reimpulsionar em futuro próximo a laparoscopia.

 

Vantagens da nefrectomia parcial assistida por robô para a laparoscópica

  • os princípios da robótica são os mesmos da laparoscopia para sua realização como: pneumoperitônio (expansão pelo CO2), maior visibilidade do campo operatório,
  • Na plataforma robótica, utilizando visão ampliada tridimensional (3D) e movimentos delicados dos instrumentos com 7 graus de liberdade, a dissecção do pedículo renal e a ressecção do tumor são melhor realizadas com auxílio robótico. As mãos robóticas realizar movimentos de 540 graus, permitindo facilidade de dissecção em campo cirúrgico pequeno, estreito e profundo.
  • Usando essa assistência robótica, a lesão dos vasos do pedículo renal (artéria e veia, com suas variações anatômicas individuais) diminuiu,
  • Assim, tumores inacessíveis podem ser ressecados com maior facilidade operatória.
  • Estudo de meta-análise (de muitos estudos de comparação dos métodos) mostra que a nefrectomia parcial assistida por robô
    está associada a resultados mais favoráveis do que a laparoscópica para a taxa de conversão para cirurgia aberta para resolução de alguma eventualidade durante o procedimento ou para conversão da nefrectomia parcial para radical (remoção completa do rim),
  • a sutura da ferida operatória se tornou muito mais fácil e mais rápida do que a laparoscópica, com melhor eficiência dos planos operados. A facilidade dos movimentos para realizar a sutura é muito mais eficiente.

Mais vantagens

  • Além disso, o tempo de isquemia é significativamente menor, há menor alteração de taxa de filtração glomerular, portanto com melhor preservação da função renal. O tempo menor possível de obstrução do pedículo durante a ressecção do tumor favorece a preservação renal. Assim, tempo de isquemia maior que 20-25 minutos pode causar lesão renal permanente. O robô tornou este objetivo mais factível por ser mais fácil realizar a cirurgia.
  • Mais ainda, o tempo de internação é menor. Portanto, como a recuperação clínica é melhor, o paciente volta a suas funções diárias mais precocemente.
  • A curva de aprendizado de especialistas para nefrectomia robótica é de aproximadamente 25 casos, enquanto a curva para nefrectomia laparoscópica é estimada em mais de 200 casos. Contudo, quanto maior a expertise com a técnica robótica menor é o tempo de isquemia renal e operatório, sendo que depois de 150 casos, o cirurgião chega ao seu platô de excelência.
  • os robôs de última geração, o da Vinci Xi, é mais delicados e leves para troca das pinças durante a cirurgia e ainda mais automatizados.
  • Algumas funções foram automatizadas, como foco da lente quando colocado no campo operatório, console com sensor de movimento da testa que permite que o sistema desligue automaticamente o movimento nos braços do robô se a cabeça do cirurgião não estiver no lugar, e etc.

Concluindo

As técnicas laparoscópicas são mais vantajosas para realização da cirurgia do que a aberta. Isto é incontestável pelos inúmeros artigos científicos produzidos. A cirurgia laparoscópica assistida por robô trouxe maior facilidade para execução dos procedimentos. Contudo, como qualquer procedimento médico cirúrgico exige treinamento sob orientação e horas de treino solitário em simuladores robóticos. Portanto, há necessidade de melhorar a habilidade técnica para o sucesso do procedimento.

No entanto, o desafio técnico e ergonômico da sutura laparoscópica limitou a disseminação da laparoscopia. Além disso, os custos envolvidos por pinças, tesouras, aspiradores, equipamentos de imagem, coagulação e etc envolvidos. A sutura dos tecidos na laparoscopia é mais difícil e exige maior treinamento técnico para se atingir sua boa realização. Além disso, a posição da equipe de cirurgia é mais difícil e exige melhor preparo físico para sua execução. Por isso, o tempo operatório tende a ser mais prolongado.

Mais ainda

Robôs cirúrgicos foram desenvolvidos para facilitar a cirurgia minimamente invasiva e auxiliar os cirurgiões na realização de procedimentos cirúrgicos. O cirurgião opera a distância do paciente, sentado e com maior facilidade técnica para realizar as suturas e os procedimentos técnicos. Nossa mão realizada movimento de 270 graus, enquanto o robô de 540 graus. Isto confere enorme facilidade.

O robô permitiu que cirurgiões menos técnicos possam realizar a cirurgia com maior facilidade. A nefrectomia parcial robô assistida pode ser executado com sucesso após uma curva de aprendizado de 25 casos. Saiba mais sobre a cirurgia robótica em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/a-cirurgia-robotica-veio-para-ficar/

Todavia, a equipe de cirurgia deve estar plenamente integrada e trabalhando juntos para a eficiência do procedimento. Portanto, o benefício é o melhor resultado no pós-operatório do paciente.

Finalizando

Por fim, o único impedimento para disseminação do robô em nosso meio é seu alto custo, estimado em mais de 2,5 milhões de dólares. Além do que deve ser trocado suas peças cirúrgicas, a cada 20 procedimentos. Tudo isto, em um país sem tecnologia encarece o método e impede seu uso disseminado. Contudo, novas tecnologias estudadas em outros países devem expandir seu uso em nosso meio.

O país deve se desenvolver para não ficar refém do progresso. Sem investimento em ciência, o país corre a passos largos para o inconcebível. O país deve sucumbir com tanta pobreza e atraso mental. Muito trabalho honesto deve ser feito para impulsionar o progresso no nosso país.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site:

https://www.drfranciscofonseca.com.br/ para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

http://uroweb.org/guideline/renal-cell-carcinoma/

https://www.youtube.com/watch?v=VTszmy97arg

Cirurgia robótica – Veio para ficar?

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Cirurgia robótica veio para ficar, mas ainda em nosso país é pouco utilizada pelos seus gastos. É restrita a classe social mais alta. Todas as outras técnicas de cirurgia obtém os mesmos resultados funcionais e de cura para doença em tratamento. Em algumas situações clínicas, sem dúvida, realmente a cirurgia robótica é mais vantajosa.

Expansão da cirurgia robótica no mundo

Em setembro/2017 havia uma base de cirurgia robótica instalada de 4.271 robôs da Vinci em todo o mundo. Destes, 2.770 nos Estados Unidos, 719 na Europa, 561 na Ásia e 221 no resto do mundo. Entretanto, no Brasil, em julho/2017 havia 31 robôs.

Assim sendo, observe as diferenças entre as nações em desenvolvimento e as desenvolvidas. Vejam só a dimensão do atraso que estamos! No Brasil, o robô da Vinci para uso cirúrgico da companhia americana Intuitive, existe em apenas centros médicos mais desenvolvidos. Portanto, a maioria da população não tem acesso, exceto em centros de ensino médico. Há enorme restrições  do uso do robio pelos gastos para se aplicar na rotina médica.

A cirurgia robótica tem papel no tratamento de muitas doenças em vários órgãos. É mais utilizada no aparelho digestivo, genital masculino e feminino e urinário. Mas pode ser usado em cirurgia cardíaca e otorrinolaringologia. Entretanto é mais usada em cirurgia do câncer de próstata. A principal razão é localização profunda do órgão na pelve, cirurgia robóticade complexa vascularização e inervação. Ao seu lado e com íntimo contato com a próstata passam as bandas neurovasculares. Elas são responsáveis pela ereção. Por isso, sua lesão implica em disfunção eréctil pós-operatória.

A cirurgia robótica é um avanço da laparoscópica. Houve melhoria nos sistemas integrados usado durante a cirurgia. O sistema passa visualização em 3D, e por isso melhorou a definição das estruturas anatômicas. Desta forma há melhor precisão na dissecção entre os planos cirúrgicos.

O robô realiza movimentos de 540 graus. Por outro lado, a nossa mão permite movimentos de 270 graus. A robótica, portanto,  tornou a cirurgia mais fácil.

O aprimoramento dos métodos de imagem favoreceu a identificação das lesões neoplásicas nos órgãos.

Planejamento da cirurgia robótica

A extensão do tumor é importante para planejar a cirurgia. A robótica pode melhorar a precisão da margem para que não fique câncer.

O princípio básico da cirurgia oncológica é a remoção do câncer com margens livres de neoplasia. Sem atingir esta meta, a doença não é removida totalmente e por isso o paciente pode evoluir com recidiva da doença. Portanto, o médico deve entender a extensão da doença para realizar com êxito a ressecção do tumor. Caso contrário, nada adiantará ter uma ferramenta precisa se o procedimento for executado de forma imperfeita. Quem comanda o robô é a mente humana e para tal, o piloto da máquina é a peça principal.

A cirurgias aberta segue os mesmos princípios da cirurgia laparoscópica e robótica. O robô é a mais moderna tecnologia cirúrgica. Os conhecimentos de vários cientistas de diferentes áreas foram usados para a construção do robô. Quantos cérebros privilegiados foram usados para que se pudesse construir esta máquina. Entretanto, com certeza outros avanços serão incorporados.

Pensar com seriedade exige obstinação para atingir a perfeição. Estes avanços são sempre bem vindos no mundo e a Medicina nunca parou seus avanços em tecnologia. No passado cada avanço era celebrado, e ao contrário, hoje as pessoas responsáveis por estes avanços são pouco conhecidas. O mundo está andando rápido demais. Basta ver o que é a Internet.

Uso do robô além do pensamento

Com o robô, pode-se realizar cirurgia intercontinental. Paciente de um lado e cirurgião do outro. Parece incrível, mas já é realidade. Diga-se de passagem, este projeto começou na NASA para operar seus soldados à distância. Estas pessoas incríveis estão nas universidades. O investimento científico sempre esteve amparado pelo governo e de companhias particulares. O investimento financeiro traz progresso e gera capital!

Deve-se aplicar recursos aos cérebros virtuosos em nosso país. Caso contrário, sem eles seremos eternos compradores de tecnologia, pagando o ônus da ignorância. Realmente, este país precisa mudar! Para isso, depende de pessoas de boa intenção para que possamos melhorar, e por consequência ser uma sociedade plena e mais vantajosa para todos.

Outra vantagem inequívoca do robô é a proximidade do campo operatório onde se realiza a cirurgia. A visibilidade permite maior precisão para o corte com tesoura ou a confecção de anastomose.

Vantagem importante

Em pacientes obesos, onde o campo operatório é profundo, o robô tem clara vantagem sobre a cirurgia aberta.robô e a laparoscopia permitem a distensão da cavidade abdominal com gás carbónico, com separação os órgãos. A mesa cirúrgica é colocada em proclive e essa forma deixando mais espaço para que as pinças sejam usadas livremente.

Em cirurgia aberta não existe sistema sob pressão e por isso, quando um vaso é seccionado, com consequente maior sangramento. Para diminuir o sangramento em cirurgia aberta exige-se do cirurgião maior perícia e portanto, maior destreza e habilidade técnica. A cirurgia laparoscópica ou robótica são chamadas de minimamente invasivas.

Um prostatectomia radical aberta bem executada há perda de 500-600ml de sangue e na robótica 150-200ml. Caso queira saber sobre os cuidados pré-operatórios da prostatectomia radical: https://www.drfranciscofonseca.com.br/cuidados-no-pre-e-pos-operatorio-da-prostatectomia-radical/a

Cirurgias mais complexas são sempre desafiadoras. Apenas cirurgiões com maior conhecimento conseguem realizá-la com perfeição e com pouca perda sanguínea. A cirurgia robótica proporcionou que cirurgiões menos capazes tecnicamente realizem cirurgias mais complexas. Portanto, a técnica apurada é do cirurgião e não do robô.

A habilidade nos é dada pelo criador. Logo, existem cirurgiões que nasceram para exercer o ofício. Todavia, mesmo para os mais privilegiados, exige-se dedicação para atingir a perfeição.

Educação continuada

Ninguém nasce sabendo, recebe-se apenas o dom, que deve ser sempre aprimorado. Nunca estamos plenamente preparados. Cada paciente e cada cirurgia tem sua própria história. Conhecer o que vamos tratar e quais as saídas possíveis exige tática cirúrgica apurada. Para isso, rapidez de raciocínio para solucionar os desafios impostos de forma súbita durante a cirurgia. Neste momento, temos um cirurgião bem formado. Saiba mais em: https://med.nyu.edu/robotic-surgery/physicians/what-robotic-surgery

Outro avanço na cirurgia robótica foi proporcionada pela tecnologia usada para se realizar a coagulação dos vasos. O sistema de energia bipolar pode ser usado com maior eficácia para realizar esta função importante durante a cirurgia. A energia bem aplicada causa menor agressão aos tecidos. Então, com menos lesão hâ melhor recuperação pós-operatória.

A cirurgia robótica veio para ficar e deve-se qualificar novos cirurgiões. Aprender com os mais experientes deve ser a regra para o sucesso almejado do procedimento. Por tudo isso, a cirurgia não é apenas técnica.

O paciente é a figura central e isso deve-se aplicar os avanços tecnológicos para minimizar efeitos colaterais.

O paciente que deve ser tratado com zelo para se atingir o restabelecimento pleno da sua saúde. Deve-se respeitar os princípios éticos da Medicina por toda equipe durante sua internação. Cada um é fundamental para este sucesso.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

Referências

https://www.intuitivesurgical.com/

https://med.nyu.edu/robotic-surgery/physicians/what-robotic-surgery