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HPB – Quanto cai o PSA após cirurgia?

HPB - Quanto cai o PSA após cirurgia?

Após cirurgia de doença benigna da próstata (HPB) por obstrução prostática por qualquer técnica cirúrgica, o PSA deve cair abaixo de 2 ng/mL.

Vamos entender o que acontece!

A cirurgia de próstata (HPB) é indicada em várias situações clínicas:

1. dificuldade miccional por jato enfraquecido, mesmo com remédios consagrados para melhorar sua força miccional. Podem ser usados: alfa-bloqueadores, antimuscarínicos, inibidores da 5-fosfodiesterase e inibidores da 5-alfa redutase e suas combinações;

2. nos pacientes com retenção urinária; Saiba mais sobre retenção urinária e jato fraco.

3. com infecção do trato urinário de repetição. Geralmente nesses casos não se esvazia completamente a urina da bexiga. Por isso, favorece o crescimento bacteriano, com complicações para órgãos do trato genital: testículos, epidídimo, próstata e vesículas seminais e rins.

HPB - Quanto cai o PSA após cirurgia?
HPB. Quanto cai o PSA após cirurgia?

A cirurgia deve ser feita para não danificar o trato urinário, inclusive com prejuízo da bexiga e dos rins. Por isso, pode ocorrer insuficiência renal pós-renal e etc. Se quiser saber mais, leia: Por que a próstata cresce?

A próstata é uma glândula que participa da formação do sêmen, juntamente com as vesículas seminais. O seu crescimento ocorre após os 25 anos de idade. O crescimento é mais estromal do que glandular. O componente estromal que sustenta o tecido glandular e composto por tecido fibroso e musculatura lisa.

O tecido estromal representa 3 a 5 vezes mais que o glandular nos pacientes portadores de hiperplasia benigna da próstata (HPB). Não existem remédios que diminuam o tecido estromal. Todavia, os alfa-bloqueadores relaxam o tecido muscular liso e desta forma, favorecem a abertura da uretra prostática. O jato melhora em média de 2-3 mL/segundo. Este aumento do fluxo urinário pode ser insuficiente para que impeça dano à bexiga. Para o paciente com jato obstruído, seu uso pode ser de grande relevância para seu alívio. Portanto, quando o alívio não for significativo, deve-se indicar cirurgia para desobstrução da próstata.

Saiba como você está urinando.

Cirurgias indicadas para desobstruir a próstata com HPB:

  • 1. ressecção endoscópica da próstata (RTU), feita pela uretra para remover a região ao redor da uretra que obstrui o jato urinário. Habitualmente indicada para próstatas com até 70 gramas,
  • 2. prostatectomia transvesical, (PTV), feita por cirurgia aberta e indicada para próstatas maiores que 80 gramas.
  • 3. Entretanto, um arsenal de novas tecnologias estão sendo introduzidas. Algumas consagradas como o HoLEP, ou seja enucleação endoscópica da próstata com uso do holmium laser e o Green Light.
  • 4. Outras fontes de energia. Todas em fase de consolidação e com melhoria dos seus aparelhos geradores de energia para desobstrução eficaz permanentes a longo prazo.
  • Dispositivos intra-prostáticos para abertura da uretra prostática: Urolift

As duas cirurgias que atingem estes objetivos são as cirurgias: a céu aberto por incisão abdominal, a prostatectomia transvesical e o HoLEP, por removerem completamente a hiperplasia da próstata (HPB) pela uretra, por via endoscópica. Saiba mais sobre HoLEP.

A ressecção endoscópica da próstata deixa parte destas glândulas peri-uretrais junto a cápsula prostática. Por isso, com os anos vai ocorrendo crescimento e nova obstrução da uretra prostática. Portanto, em 10 anos de 10 a 15% dos pacientes tornam-se obstruídos novamente. Portanto, como não se remove toda próstata, os pacientes operados ainda produzem PSA por células remanescentes.

PSA após a realização de cirurgia para HPB

De maneira geral, o PSA cai próximo a 2 ng/mL, independente do tamanho da próstata operada. Pacientes que permanecem com PSA maior que 2 ng/mL ou próximo ao PSA pré-operatório podem ter algo de errado. Deve-se investigar infecção inicialmente. Entretanto, o paciente pode estar com câncer de próstata. Isto por que 75% do cânceres de próstata surgem na zona periférica, que não é manipulada pela RTU de próstata.

Estima-se que as células do câncer produzam até 3 vezes mais PSA do que as células benignas da hiperplasia benigna da próstata. Entretanto, em Medicina tudo tem suas exceções. Assim, existem raros casos que a zona posterior da próstata, chamada de zona periférica, é mais desenvolvida. A ressonância pode identificar estes casos com clareza. Pois isto, estes pacientes podem produzir ainda muito PSA.

Os pacientes com próstatas maiores que 80 gramas de hiperplasia benigna da próstata (HPB), na maioria das vezes, as glândulas peri-uretrais, que formam a HPB, crescem compactando a zona periférica da próstata e estreitando a uretra prostática. O adenoma pode representar até 99% do peso glandular. Saiba mais sobre o crescimento da próstata.

Estudos mostram que após a ressecção endoscópica da próstata, o PSA deve ficar abaixo de 2 ng/mL. Logo após a cirurgia, como há um processo inflamatório local causado pelo trauma cirúrgico, nos dias iniciais da intervenção pode ocorrer até elevação do PSA, mas sua queda vai ocorrendo lentamente acompanhando a melhora clínica do paciente e a diminuição da inflamação na loja prostática operada. O mesmo ocorre com a cirurgia a laser da próstata.

Meia vida do PSA

Estima-se que a meia vida do PSA é de 2,3 dias, ou seja, o PSA cai a metade neste período de tempo. Geralmente, o PSA se estabiliza do segundo para o terceiro mês. Portanto, o PSA fica baixo com a normalização dos sintomas. Nesta fase, o paciente apresenta jato forte, esvaziamento rápido da bexiga e desaparecimento da irritação uretral durante as micções.

Se nada estiver de errado com a próstata, o PSA se mantém neste patamar por anos ou sobe muito lentamente, normalmente menos de 0,5 ng/mL por ano. Entretanto, se subir, deve-se afastar a presença de câncer de próstata em zona periférica ou anterior da próstata. Isto pode ocorrer por que glândulas prostáticas são mantidas após o tratamento do HPB e podem se cancerizar. Saiba mais sobre o uso do PSA no diagnóstico do HPB e no câncer de próstata.

O câncer de próstata aumenta como o envelhecimento do homem.

Não pense que uma vez operado de doença benigna (HPB) você está livre de desenvolver câncer de próstata!    

Suspeita de câncer ou infecção

Na suspeita de câncer de próstata ou infecção do trato urinário, o urologista os investiga com exames de toque retal, PSA total e livre, cultura e antibiograma de urina, ultrassom do trato urinário e ressonância nuclear magnética multiparamétrica da próstata. Assim, este último exame é considerado o padrão ouro para localizar o câncer dentro da próstata. Pode identificar alterações morfológicas e funcionais que ocorrem dentro da glândula na presença da doença.

O paciente deve continuar a realizar exame para rastreamento do câncer de próstata após tratamento cirúrgico da hiperplasia benigna (HPB). Contudo, o tempo para retorno a consulta urológica deve ser definido pelo profissional que o assiste conforme suas queixas clínicas e o valor do PSA.

Contudo, caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato gênito-urinário acesse a nossa área de conteúdo para pacientes para entender e ganhar conhecimentos. São mais de 140 artigos sobre diversos assuntos urológicos disponíveis para sua leitura. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

Referências

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11326651

https://www.drfranciscofonseca.com.br//?s=por+que+a+prostata+cresce

https://uroweb.org/guideline/treatment-of-non-neurogenic-male-luts/

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