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Incontinência urinária na mulher

incontinência urinária na mulher

Incontinência urinária na mulher (urinary incontinence) é a perda involuntária de urina, causada por esforços físicos leves até intensos. Ela é causada pelo aumento súbito da pressão intra-abdominal sobre a bexiga. Raros casos de incontinência urinária na mulher causam perda de urina continua e independente dos esforços físicos.

O amadurecimento funcional do trato urinário está completo por volta dos 2 anos, quando a criança tem seu controle miccional.

A incontinência urinaria de esforço afeta as mulheres em todas as idades. Assim, ela pode iniciar após a primeira gestação e aumenta sua incidência com o envelhecimento. Assim, pode atingir cifras superiores a 50% nas idosas.

incontinência urinária na mulher
Incontinência urinária na mulher

A continência urinária normal exige um perfeito aparato anatômico e funcional do trato urinário. A bexiga ao receber a urina dos rins se relaxa durante seu enchimento e o esfíncter urinário fica fechado. Isso ocorre por ação contráctil involuntária da musculatura lisa do colo vesical e da uretra.

A micção ocorre pela contração do detrussor, ou seja, do músculo da bexiga e relaxamento da uretra. Isso permite que o fluxo urinário saia livre. Contudo, o fluxo urinário pode ser interrompido ou aumentado pela nosso comando voluntário.

Tipos de incontinência urinária na mulher

Existem dois principais mecanismos envolvidos na incontinência urinária aos esforços em mulheres:

  • a hipermobilidade uretral,
  • a deficiência intrínseca do esfíncter.
  • porem, há casos em que estes dois componentes coexistem.

As mudanças que vão sendo ocorrendo com o envelhecimento são as mais importantes para o início da incontinência urinária. Em particular, nas mulheres podem ficar grávida e tem ciclo hormonal peculiar. Porém, os hormônios femininos praticamente cessam na menopausa.

incontinência urinária aos esforços é uma entidade clínica distinta da incontinência urinária de urgência. Na última, a perda de urina está associada com urgência e frequência aumentada. Ela está relacionada com distúrbios da função muscular da bexiga, ou seja do músculo detrussor. Todavia, há pacientes com os dois tipos clínicos de perda urinária, o de esforço e de urgência. É a incontinência urinária mista.

Avaliação clínica

A perda urinária deve ser avaliada na sua intensidade, quantidade e uso de absorventes. Eles causam aborrecimento e constrangimento social que pioram a qualidade de vida. Além disso, os antecedentes obstétricos e ginecológicos clínicos e cirúrgicos devem ser avaliados.

A incontinência urinária pura não acarreta dor durante a perda. Assim, ocorre aos esforços como ao levantar-se de uma cadeira até espirrar, sorrir, durante atividade sexual ou tossir. Nestas circunstâncias, ocorre aumento da pressão intra abdominal e se o esfíncter não estiver competente se perde urina. Quando há urgência miccional, ou seja, vontade imperiosa de urinar pode ocorrer outros problemas concomitantes que desencadearam a incontinência urinária. Pode ser por cistite aguda, inflamação da bexiga, pela eliminação de cálculo renal ou distúrbios neurológicos funcionais do detrussor.

A perda urinária crônica pode-se causar inflamação na pele e mucosa perineal (dermatite urêmica). Desta maneira,ocorre o forte odor urêmico. Além disso, infecções por germes oportunistas podem piorar o quadro clínico.

Fatores de risco relacionados a incontinência urinária de esforço

O envelhecimento causa enfraquecimento das estruturas de sustentação do períneo. Ele causa diminuição da força contráctil da musculatura esquelética, diminuição da quantidade de fibras da musculatura lisa uretral. Estas são substituídas por colágeno e gordura, podendo ser a principal causa da incontinência urinária na mulher. Desta forma, o envelhecimento muda aos poucos a anatomia e fisiologia do assoalho pélvico.

Contudo, doenças sistêmicas como diabetes mellitus podem contribuir na gênese da incontinência urinária, da mesma maneira que as doenças neurológicas como Parkinson, acidente vascular cerebral e senilidade demencial.

Raça, as brancas apresentam a maior incidência e as indígenas, a menor. O estilo de vida das índias, com melhor condicionamento físico em decorrência das atividades diárias exigidas na comunidade.

As mulheres tabagistas podem desenvolver tosse pela doença pulmonar obstrutiva crônica e apresentar episódios de incontinência urinária. Estas mulheres pela expansão pulmonar induzida pela doença pulmonar crônica (enfisema) tem maior aumento da pressão abdominal.

Os antecedentes familiares podem mostrar predisposição, pois várias mulheres apresentaram o problema.

Gravidez

A gravidez, em número, idade da primeira gestação, tipo de parto, assistência médica, posição fetal, tipo de bacia, duração e complicações do parto são variáveis que podem explicar a incontinência urinária. Todavia, mulheres nulíparas e portanto, que nunca engravidaram, podem apresentar incontinência urinária.

As grávidas que apresentam incontinência urinária no terceiro trimestre são mais susceptíveis a evoluírem com incontinência até um ano pós-parto. Além disso, são futuras candidatas a tereem incontinência no envelhecimento. A incontinência urinária na gravidez em nulíparas ocorre em torno de 30% e nas multíparas em 40%. Por isso, exercícios físicos fortalecem a musculatura pélvica na gravidez e pode minimizar sua ocorrência.

As mulheres sedentárias apresentam maiores índices de incontinência urinária. A obesidade (obesity) aumenta a pressão abdominal e sua musculatura é mais fraca. Assim, a pressão abdominal sobrepuja a pressão de resistência uretral ao exercício físico. Contudo, as vezes, não precisa ser intenso.

Pacientes com esvaziamento vesical incompleto, causado por problemas obstrutivos da uretra ou distúrbios neurológicos da bexiga podem apresentar incontinência urinária.

Os tumores pélvicos, constipação intestinal, doenças neurológicas centrais e periféricas podem ser a causa ou fator desencadeador da incontinência urinária.

A radioterapia pélvica pode causar incontinência urinária por lesão dos nervos da bexiga, órgãos pélvicos, assim como do esfíncter uretral. A radioterapia muda a vagina, tornando-a ressecada. Pode dificultar o coito, seja pela dor como para a penetração.

Tratamento clínico

A mudança alimentar e o condicionamento físico podem curar a incontinência urinária na mulher. A avaliação nutricional e acompanhamento médico são fundamentais para o sucesso do tratamento clínico.

O diagnóstico é baseado na anamnese e no exame físico. A anamnese facilmente esclarece estas diferenças do tipo de perda urinária que causa a incontinência.

O exame de urina tipo I, cultura com antibiograma são solicitados para descartar infecção do trato urinário (urinary tract infection). A cistite pode ser o fator causador e muitas vezes basta o seu tratamento para a resolução do quadro. A idade da paciente é muito importante. A avaliação da história clínica na infância, adolescência, idade adulta e pós-menopausa tem causas etiológicas e fisiopatológicas diferentes. As causas são variadas, passando por anomalias congênitas do trato urinário, problemas anatômicos, doenças neurológicas, distúrbios hormonais, entre outras.

O exame físico pode ser a chave do diagnóstico. Com a bexiga parcialmente cheia pode-se observar que está ocorrendo queda e abaulamento da uretra na vagina ao esforço miccional. A flacidez das estruturas de sustentação da uretra como aponeurose, músculos e ligamentos ocorrem com a idade. Além disso, pode ocorrer prolapso dos órgão genitais internos.

O exame urodinâmico

O exame urodinâmico se impõe.  Pode mostrar claramente a condição do esfíncter uretral, tanto voluntária como involuntário. Além disso, a capacidade e condição contráctil da musculatura da bexiga. Por isso, é fundamental na decisão do tratamento e avaliação após o mesmo.

Tratamento clínico da incontinência urinária na mulher

O tratamento clínico pode ser a mediada inicial. Redução hídrica e do peso, esvaziamento vesical antes das atividades físicas podem minimizar o problema. No início do quadro clínico, a fisioterapia pode resolver de forma plena a incontinência urinária de pacientes com fraqueza perineal. Ela melhora a força da musculatura do assoalho pélvico. Os exercícios específicos podem fortalecer os músculos envolvidos na sustentação perineal. O uso de pessário vaginal e a eletroestimulação da musculatura pélvica podem ser usados na reabilitação muscular. A orientação do profissional pode resolver problema atual e postergar tratamentos invasivos.

A correção das alterações hormonais, principalmente na menopausa pode influenciar na melhora clínica. Contudo, sua comprovação clínica é questionada em estudos de metanálise, ou seja, quando são avaliados vários estudos. A anamnese e o exame físico podem evidenciar a vagina ressecada. Estas mulheres geralmente se queixam de dor durante a relação sexual. A perda da umidade vaginal dificulta a penetração e causa dor. As vezes, a reposição hormonal local pode acabar ou minimizar o problema.

Tratamento cirúrgico da incontinência urinária na mulher

Algumas vezes, a incontinência urinária na mulher exige correção cirúrgica como na hipermobilidade da uretra. As cirurgias minimamente invasivas resolve o caso na maioria dos casos com um dia de internação. Estas cirurgias são chamadas de sling uretral. Uma faixa de material sintético ou aponeurose do paciente é passado por via transobturatória ou retropúbica, para sustentação uretral. São realizados 3 pequenos cortes para sua execução. Desta maneira, a cirurgia alonga a uretra e mantém seu posicionamento retropúbico. Os resultados a longo prazo são considerados bons. Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br//urologia-feminina/incontinencia-urinaria/

Prevenção

Uma vida saudável é fundamental!

A sua saúde será o que você faz no presente. O exercício físico evita muitas doenças comuns, inclusive a incontinência urinária na mulher.

Evite as vaginites e as cistites recorrentes ao longo da sua vida. As vezes, a orientação médica pode resolver este problema. A higienização correta ao término da micção e evacuação pode corrigir a predisposição as infecções recorrentes. O papel higiênico deve ser usado da frente para traz. Isso impede a colonização de bactérias intestinais no introito vaginal, proveniente do reto.

Nunca use sabonetes antissépticos, pois você estará mudando sua flora vaginal com esta higiene desnecessária. A flora vaginal é única e coloniza a vagina e mantém um pH levemente ácido. Além disso, as imunoglobulinas protegem a invasão de outras bactérias que não pertencem ao ambiente vaginal. Além disso, a própria população da colonização bacteriana vaginal é flutuante durante o ciclo menstrual.

Nunca use duchas higiênicas após urinar ou evacuar. Sempre urine após coito, pois a relação sexual predispõe a ascensão bacteriana na bexiga e por isso a cistite.

Procure ter a assistência pré-natal e parto assistido por obstetra.

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Referência

https://uroweb.org/guideline/urinary-incontinence/

http://www.auanet.org/guidelines/incontinence-stress-urinary-incontinence-(2017)

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