O que é?

É a doença causada por um descontrole na divisão celular, provocada por uma mutação do DNA da glândula prostática. As células neoplásicas têm a capacidade de invadir os tecidos e se disseminam por órgãos distantes. O câncer de próstata é um tumor que acomete homens maduros e pode ser curado quando ainda está localizado. Se identificado já em estadio avançado, o risco de sobrevida do paciente é muito menor. Portanto, o diagnóstico precoce é fundamental no controle da doença.

 

Sintomas

Em estágios iniciais os pacientes são assintomáticos ou podem apresentar os mesmos sintomas causados pela hiperplasia benigna da próstata. Portanto, desde que seja feito diagnóstico precoce, o médico pode interferir na história natural da doença. Os pacientes podem apresentar sintomas leves de obstrução do trato urinário inferior, como jato enfraquecido e esforço miccional. Casos mais avançados podem apresentar obstrução urinária severa, em função do crescimento da próstata, retenção urinária. Mais ainda, anemia, dores ósseas (metástase óssea) e piora progressiva do estado de saúde geral. Saiba mais sobre diagnóstico do câncer de próstata em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/exame-do-psa-deteccao-precoce-do-cancer/

 

Fatores de risco

Antecedente familiar assume grande importância – um paciente cujo pai ou tio tiveram câncer de próstata tem o dobro de risco para a doença do que a população em geral. O risco é ainda maior para os homens que têm um irmão com a doença. Se o paciente tiver menos de 65 anos e mais de um parente afetado pela doença, o risco aumenta de 6 a 11 vezes. Outros fatores de risco envolvem a alimentação (dieta rica em gordura e carne vermelha, pobre em legumes, vegetais e frutas), sedentarismo e obesidade (câncer de próstata mais agressivo), taxas de estrogênio (quanto maior a taxa, maior o risco), etnia (negros têm maior incidência, enquanto descendentes asiáticos apresentam menor), região onde se vive (americanos têm mais câncer de próstata que asiáticos), nível de poluição ambiental, assim como contato com derivados de borracha e substâncias como ferro, cromo, chumbo e cádmio.

 

Diagnóstico

É realizado pelo toque retal e dosagem do antígeno prostático específico, o PSA. Na fase inicial, a maioria dos pacientes não apresenta nenhuma anormalidade ao toque ou nódulo endurecido, mas o PSA pode estar elevado para a idade, pelo volume da próstata, ou aumento com velocidade do PSA.

O diagnóstico é confirmado pela biopsia de próstata, que classifica o adenocarcinoma pelo escore de Gleason. Caso a biopsia não identifique a doença mas ainda exista suspeita do câncer, deve-se realizar ressonância nuclear multiparamétrica para planejar o local de nova biopsia. Saiba mais sobre a ressonância nuclear magnética e PET-CT com PSMA em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/classificacao-pi-rads-no-cancer-de-prostata/ e https://www.drfranciscofonseca.com.br/pet-ct-com-psma-no-cancer-de-prostata/

Na doença avançada, geralmente o paciente apresenta o PSA elevado e, ao toque, a próstata endurecida, com nódulo ou fixação da glândula. Nestes casos pode-se detectar doença em gânglios ou nos ossos do esqueleto axial (metástase). Saiba mais sobre PSA em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/exame-do-psa-deteccao-precoce-do-cancer/

 

Tratamento do câncer de próstata

O tratamento a ser definido pelo médico depende da análise de uma série de variáveis: idade do paciente, classificação de risco anestésico, classificação do risco da doença. Além disso, as comorbidades (coexistência de outras doenças), situação miccional, qualidade da ereção pré-operatória, escore de Gleason, nível do PSA e a preferência do paciente.

Para pacientes jovens e casos de tumores confinados à glândula, a prostatectomia radical é indicada. A cirurgia que pode ser realizada por via retropúbica ou perineal, videolaparoscopia ou robótica. Todas as técnicas cirúrgicas, se realizadas de forma apurada, produzem os mesmos resultados funcionais. Quando se fala em funcionais, quer se dizer sobre o controle da continência urinária e preservação da ereção.

A técnica operatória e a experiência do cirurgião são determinantes nos resultados funcionais. A radioterapia também pode ser utilizada para estes pacientes. A braquiterapia é uma modalidade de radioterapia que pode ser indicada em pacientes de baixo risco. Nesta técnica são usadas sementes radioativas distribuídas dentro da próstata (implantes). Além disso, os pacientes considerados de baixo risco também podem ser submetidos à observação vigilante. Saiba mais sobre prostatectomia radical em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/complicacoes-da-prostatectomia-radical/ e https://www.drfranciscofonseca.com.br/prostatectomia-radical-aberta/

Radioterapia e prostatectomia radical, os principais tratamentos

A radioterapia e a prostatectomia radical podem ser utilizadas em tumores mais avançados localmente (com invasão de cápsula, vesículas seminais e estruturas vizinhas). Assim, nestes casos, os melhores resultados são obtidos quando se realiza terapia multimodal (hormonioterapia, cirurgia e radioterapia).

A hormonioterapia tem papel importante neste câncer, pois ele é altamente responsivo à supressão da testosterona. Esta terapia é usada em doença localmente avançada e considerada de alto risco. Muitos pacientes, principalmente em casos avançados, utilizam a hormonioterapia como único tratamento. Por vezes, podem apresentar sobrevida elevada, desde que seu câncer não seja indiferenciado. Por fim, a quimioterapia só é indicada quando os pacientes não mais respondem à hormonioterapia.

Pacientes com doença avançada devem ser tratados por múltiplos profissionais que vão resolver dificuldades peculiares da doença. As complicações podem requerer tratamentos altamente especializados. Atualmente já existem drogas que, além de melhorar a qualidade de vida, prolongam a sobrevida do paciente.

 

Prevenção

O exame da próstata deve ser realizado anualmente pelo urologista.
Estudos mostram redução do diagnóstico da doença avançada e aumento da doença localizada, com maior expectativa de vida (migração de estadios). Pacientes com casos de câncer de próstata em familiares apresentam maior risco.

A prevenção do câncer de próstata está relacionada aos bons hábitos e estilo de vida, como evitar o tabaco, ser fisicamente ativo, manter um peso saudável. Além disso, manter uma dieta rica em frutas, verduras e grãos integrais e pobre em gordura, limitar álcool, evitar excesso de sol e realizar a prevenção de DSTs.

Portanto, a vida sem tabagismo, IMC (índice de massa corpóra) menor que 30, atividade física maior que 3,5 h/semana e dieta balanceada, reduz em um terço o risco de todos os tipos de câncer.