Cistectomia com neobexiga. O que é?

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Neobexiga é o reservatório urinário feito após a retirada da bexiga, chamada cistectomia radical. A sua realização exige grande conhecimento cirúrgico do cirurgião. Assim, esta cirurgia tem que ser feita com precisão, sem erros técnicos para evitar complicações, que pode ser graves, no pós-operatório. Além disso, quando menor for o tempo operatório, menos trauma cirúrgico-anestésico e portanto, menores serão as complicações.

A neobexiga é feita após a cistectomia, que por si só é considerada cirurgia de grande porte. Além disso, é absolutamente importante realizar a linfadenectomia iliaco-obturadora estendida (pélvica). Isto porque pode ocorrer metástase nos linfonodos (gânglios) na região pélvica.

O célula neoplásica (com câncer) procura sair do órgão sede para crescer em outros sítios do organismo. O que é chamado de metástase. Assim, as células neoplásicas param nos gânglios por via linfática ou se disseminam por via hematogênica (sanguínea) para outros órgãos a distância. Por isso, faz parte da cistectomia radical realizar a remoção estendida dos gânglios pélvicos. Quando mais linfonodos removidos, mais bem executada é a cirurgia e consequentemente, mais curativa. No mínimo devem ser removidos 15 linfonodos, mas quanto mais, melhor.

Estudos mostram que se ocorrer doença microscópica em até 3-4 linfonodos é possível curar a doença apenas pela cirurgia. Normalmente, estes linfonodos não são vistos como alterados em exames de ressonância ou tomografia no pré-operatório. Nestes exames de imagem, apenas linfonodos maiores que 8mm são considerados suspeitos da presença do câncer. Portanto, a cistectomia tem que ser realizada com linfadenectomia pélvica estendida obrigatoriamente. Leia mais sobre cistectomia e derivação urinária: https://www.drfranciscofonseca.com.br/tag/neobexiga/

Cistectomia radical no homem e na mulherneobexiga

A cistectomia radical pode ser uma cirurgia desafiadora. Alguns tumores são volumosos e infltrativos e a ressecção pode ser marginal ao tumor. Além disso, tumores volumosos podem ocupar toda pequena pelve e tornar as manobras cirúrgicas difíceis pela falta de espaço e visual do campo operatório. Isto é mais frequente nos homens pois eles costumam ter pelves mais estreitas. A pelve feminina é larga e foi feita para passar o recém-nascido. Casos mais complexos e volumosos são candidatos a realizar quimioterapia neo-adjuvante (antes da cistectomia). Assim, esta medida visa reduzir a lesão e tornar a cirurgia mais completa para a remoção da neoplasia.

Estes esquemas de quimioterapia duram em média 100 dias. A resposta pode causar uma redução de 40% do volume tumoral nos pacientes respondedores. Entretanto, na metades destes casos, a destruição tumoral pode ser completa. Quanto maior a resposta, melhor é a sobrevida. Assim sendo, muita pesquisa ainda deve vir a tona para que estes esquemas de quimo e/ou imunoterapia sejam melhorados, com índices mais eficientes. Por isso, todo esforço deve ser empreendido na pesquisa para melhor entendimento da neoplasia. Somente assim, os resultados do tratamento devem se tornar mais eficientes, consistentes e duradouros.

No homem deve-se remover a próstata e as vesículas seminais na cistectomia radical. Na mulher, pode-se preservar útero e ovários, todavia, se estiverem suspeitos de invasão, devem ser removidos. A vantagem em se deixar estes órgãos é que há maior suporte pélvico para acomodação da neobexiga. Como a bexiga, a neobexiga fica posicionada abaixo da parede abdominal. Além disso, pode melhorar o esvaziamento da bexiga. Desta maneira, se evita o resíduo pós-miccional que pode favorecer as infecções do trato urinário recorrentes. A urina parada no reservatório favorece a infecção.

Um pouco da história da neobexiga

As primeiras neobexigas usavam uma alça intestinal sobre a uretra em forma de U. Foi descrita pelo Prof. Dr. Camey, na França em meados de 1970. Estes pacientes não conseguiam reter a urina por muito tempo e viviam incontinentes. A qualidade de vida era um desastre. Nesta fase, ainda não se entendia os princípios técnicos para confecção do reservatório.

Ao se compreender um princípio da hidráulica, proposto pelo físico Laplace no século XIX, tudo mudou. Foi o maior ovo de Colombo. Por ela se sabia: quando se aumenta o raio de uma esfera, se reduz a pressão interna dentro do reservatório.

Este conceito foi propagado pelo Prof. Dr. Urs Studder que se tornou um dos maiores conhecedores desta técnica operatória no mundo. Muito do que se sabe sobre esta cirurgia foi ensinado por este alemão, chefe da urologia na universidade em Berne, na Suíça. A ele agradeço muito do que pude aprender com esta cirurgia ao longo dos anos. Como ele mesmo mostrava em suas aulas nos congressos nos EUA e na europa, era como encher uma bexiga de ar. Ele sempre tinha uma bexiga em seu paletó para encher durante suas apresentações. No começo se faz muita força para distender a bexiga e depois tudo fica mais fácil. Assim sendo, é exatamente o que se faz na neobexiga. Incrível e fácil assim!!! A aplicação de coisas simples que se reconhece no nosso dia-a-dia quando aplicadas podem tornar as coisas muito mais fáceis.

Princípio basico da neobexiga ileal

Mais ainda, o intestino tem contrações para uma única direção para propulsionar o conteúdo intestinal. Quando você detubuliza o intestino e o torna esférico, estas contrações se anulam. Neste sentido, passa a funcionar como um verdadeiro reservatório de urina. Entretanto, suas paredes não se contraem para promover o esvaziamento vesical. Nestes pacientes, deve-se orientar para que urinem sentados para melhorar o relaxamento do esfincter externo. A saída da urina deve ser completa para se evitar infecção. A neobexiga não tem as mesmas propriedades de uma bexiga normal.

Para sua confecção são usados 50-60cm do íleo que deve ser detubilidado para construção da neobexiga em formato esférico. Desta maneira, se imita uma bexiga normal, com suas propriedades para funcionar como órgão que armazena e esvazia a urina conforme seu enchimento. Com o tempo o paciente entende quando ela está cheia, por vezes sentindo um incomodo no epigástrio. Ou seja, no andar superior do abdômen.

Este foi o maior avanço na técnica para sua realização. Realmente, o professor Studer é incrível, generoso e simples nos seus conceitos. Um exemplo de homem bom que prestou a sociedade urológica um enorme papel educador. Muito respeito e boas lembranças. Com ele entendi que temos que dividir os nossos conhecimentos. Por isso, esta conduta torna a vida mais prazeirosa e melhor pela disseminação dos conhecimentos científicos.

A cistectomia e a neobexiga robô assistida

A cirurgia pode ser realizada como o uso do robô com vantagens inequívocas sobre a cirurgia convencional. Não apenas por ocorrer menos dor no pós-operatório, mas sobretudo por inúmeras complicações potenciais decorrentes de uma cirurgia de grande porte. Além disso, se evita as complicações da abertura da parede abdominal e a manipulação das alças intestinais em ambiente aberto. Por isso, ocorre mais distensão abdominal e íleo paralítico no pós-operatório.

Os dois entraves principais para sua utilização são o preço caro para compra e manutenção do robô e a formação de cirurgiões habilitados para sua realização. Uma questão é resolvida pela compra do robô pelo hospital e a outra pelo investimento na educação do cirurgião e da equipe multidisciplinar. Todavia, quando isso for equacionado, o benefício será do paciente. Menor sofrimento pós-operatório e menos gastos para o sistema de saúde pelo menor tempo de internação. Assim, todo investimento ao final traz maior qualidade de vida ao paciente, com seu retorno abreviado a sua vida normal.

Como a cirurgia robô assistida é realizada

O acesso a cavidade abdominal é feito por 4 a 6 incisões por onde são colocados trocateres. Portanto, eles são os caminhos por onde passam os instrumentos usados para a realização da cirurgia. Estes trocateres são dirigidos para o local a ser operado dentro do corpo. Pinças especiais são movidas por mecanismos integrados pelo robô. São acionadas pelos movimentos das mãos no console onde o cirurgião opera sentado. O abdômen é insuflado com gás carbônico criando uma cavidade que distancia os órgãos da parede.

A região é vista em 3D e com amplificação de 10 vezes. Pode-se operar a 3 cm do alvo. São usados pinças de apreensão, tesoura, porta-agulha e etc. O auxiliar e instrumentador trocam os instrumentos conforme a necessidade exigida em cada momento da cirurgia. A equipe deve estar integrada em seus conhecimentos para eficiência do procedimento. Esta cirurgia pode ser realizada com eficiência com ajuda do robô, mas exige enorme obstinação para seu emprego disseminado. Centros de excelência devem ser construídos em diferentes partes do nosso país.

O cirurgião realiza a cirurgia com os mesmos princípios da cirurgia aberta, mas com maior facilidade para sua execução. A cirurgia robô assistida ainda é muito pouco usada em nosso meio. Desta maneira, ela deve ser vista como progresso da cirurgia, que já está consagrado por diversos centros médicos do mundo.

Cuidados no pós-operatório

  • Deve-se usar sonda de silicone 20Fr pois ela ter 40% maior sua luz que a sonda de Foley de látex. Além disto, é mais resistente a infecção pela sua menor adesividade às bactérias.
  • Deve-se realizar lavagem vesical com soro fisiológico em seringa de 60 ml para remover os grumos do intestino. Esta medida deve ser realizada por 3 a 4 vezes por dia conforme o que se observa pela saída do muco da neobexiga. Como se trata de uma alça intestinal, há produção dos grumos de muco que podem obstruir a sonda. Desta maneira, se evita dor pela distensão do reservatório urinário e também a fístula urinária.
  • Além disso, a hiperpressão dentro da neobexiga pode numa fase inicial, quando ainda não ocorreu completa cicatrização, causar saída de urina para a cavidade abdominal (fístula urinária).
  • Além disto, a urina na cavidade abdominal causa íleo paralítico, o que causa distensão das alças intestinais e parada da propulsão natural do conteúdo dos intestinos. Pode evoluir com abscesso abdominal.
  • Isto leva a distensão abdominal e parada da eliminação de gases. Por consequência, há ausência de eliminação das fezes.
  • Por este motivo, devem ser evitados os medicamentos opiáceos para combater a dor, que pioram o íleo paralítico. Eles causam paralisia da mobilidade intestinal. Receptores da parede intestinal entendem sua distensão e se contraem involuntariamente para propulsão do conteúdo intestinal para frente. Ou seja, em direção ao reto.
  • Deve-se usar anticoagulante subcutâneo para evitar o risco de trombose venosa profunda. Quando um trombo se desprende dos vasos causa embolia pulmonar e possível morte súbita no pós-operatório. Isto está indicado por se tratar de cirurgia de grande porte, geralmente em pacientes mais idosos, cirurgia pélvica e pelo próprio câncer, etc.

Cuidados no pós-operatório para o retorno no trânsito intestinal

  • Deve-se evitar sonda nasogástrica, ou quando usado, usá-lo o mais breve possível no pós-operatório imediato. Habitualmente, pode-se usá-la no intra-operatório.
  • Uma vez o paciente bem acordado, deve-se oferecer água e chá após 4 horas do final da cirurgia. Esta medida estimula a propulsão natural dos intestinos, além de ser importante para a hidratação do paciente.
  • Deve-se oferecer dieta líquida e uso de goma de mascar porque estimulam a hidratação e trânsito intestinal após 4 horas do final da cirurgia.
  • Alimentos de absorção alta devem ser oferecidos inicialmente para depois passar para dietas laxativas. Isto melhora o íleo e o desconforto abdominal. Leia mais no artigo Protocolo ERAS sobre rotinas pós-operatória em cirurgias de grande porte: https://www.drfranciscofonseca.com.br/protocolo-eras-por-que-conhecer/
  • Mais ainda, estimular a deambulação precoce para ajudar o retorno do trânsito intestinal. Deve-se iniciar a deambulação no dia seguinte da cirurgia. Ficar deitado na cama piora o trânsito intestinal e o que é pior causa dor pela distensão das alças intestinais.
  • Drogas pró-cinéticas devem ser usadas para favorecer o trânsito intestinal natural.
  • Deve-se realizar gasometria para se corrigir o bicarbonato, que inclusive deve ser usado em pós-operatório tardio até a acomodação da neobexiga. Nesta fase, deve ser usado por via oral por até 2-3 meses.

Cuidados no pós-operatório após a retirada da sonda vesical

  • Após a retirada da sonda, o paciente começa a ser adaptar a nova condição da micção espontânea. Assim, o paciente passa a sentir a bexiga cheia ao perceber desconforto no epigástrio. Uma vez esvaziada a bexiga, a sensação desaparece.
  • O paciente inicialmente deve urinar a cada 2 horas para evitar a perda urinária involuntária. O paciente leva algum tempo para entender como vai funcionar sua nova bexiga. Obviamente, ela não tem a mesma funcionalidade da sua bexiga de outrora.
  • Estes pacientes são mais vulneráveis a perda de urina, e ainda pode ser mais intensa a noite. Quando dormimos quem assume o controle miccional é o sistema neurológico involuntário presente na bexiga e uretra. Ou seja, controle não consciente. A cistectomia causa lesão parcial, mas definitiva do sistema neuro-muscular da bexiga. Por essa razão, estes pacientes podem ser mais incontinentes durante o sono.
  • Após a retirada da sonda no décimo dia, deve-se em um mês retirar os cateteres duplo jota dos ureteres. Caso não se consiga com um cistoscópio ou ureteroscópio, deve-se usar um endoscópio usado para o aparelho intestinal. Esta medida pode tornar o procedimento muito mais fácil. A visibilidade é muito maior e mais fácil para se atingir a chaminé da neobexiga (conduta para os médicos).

Cuidados no pós-operatório para melhorar a continência urinária (esfincter externo)

  • Não existe remédios que possam ajudar esta situação. Geralmente, estes pacientes devem ser estimulados a acordarem com uso do despertador. Apenas 50-70% dos pacientes ficam continentes no pós-operatório, mas sempre podem ocorrer perda de urina involuntariamente ou aos esforços.
  • Os pacientes mais velhos, por terem menos número, volume e força nas fibras musculares estriadas do esfincter são mais vulneráveis a incontinência urinária. Quanto mais velho for o paciente, maior é a incontinência urinária. Portanto, esta cirurgia deve ser recomendada para pessoas dispostas a vencer as barreiras impostas naturalmente no pós-operatório.
  • A força de vontade pode ser a diferença para o melhor resultado funcional da neobexiga. Por isso, digo a meus pacientes: ” nenhum cirurgião até o momento é capaz de fazer a bexiga que Deus nos deu”. Por isso, pedir para que o paciente contraia o esfincter voluntário várias vezes durante o dia pode melhorar a força contrátil do esfincter. Esta medida pode ser útil após a retirada da sonda. Ela faz com que se reconheça melhor o esfincter e pode inclusive fortalecê-lo por ser um músculo estriado.
  • A neobexiga melhora sua capacidade ao longo do primeiro ano e por esta razão, a neobexiga se torna maior e mais continente. Assim, é preciso que o paciente entenda este fenômeno e saiba que a continência melhora progressivamente.
  • Deve-se urinar sentado para liberar o esfincter urinário e esvaziar toda urina. Esta bexiga não funciona como uma normal e a urina sai pela ação da gravidade, sem contração sob comando da alça intestinal do reservatório urinário. O jato urinário é mais fraco e sem comando central para aumentá-lo

O futuro

Muita pesquisa tem sido feita para se construir uma bexiga em laboratório para ser implantada no paciente. Nos EUA há um grupo de 300 cientistas empenhados para atingir esta meta. Um centro de pesquisa para construção de órgãos a partir de células do próprio paciente. Imaginem vocês criar uma bexiga com vasos, nervos e estrutura muscular contrátil que responda ao nosso comando. Parece coisa impossível, não imaginável e inatingível. A ciência é baseada em pesquisa e em grandes idéias, por vezes geniais. Não há espaço para falsos cientistas. A cooperação dos conhecimentos é a base para o sucesso da equipe.

Realmente, deve-se investir em ciência para que possamos progredir. Há enorme necessidade de empenho e seriedade para tornarmos este país respeitado. A única saída possível para progresso e igualdade entre os cidadãos: educação de qualidade ao nosso povo. Portanto, só desta maneira o futuro poderá ser promissor.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato gênito-urinário, navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos.

 

Referência

http://uroweb.org/guideline/bladder-cancer-muscle-invasive-and-metastatic/#7

https://www.drfranciscofonseca.com.br/tecnica-da-ureteroileostomia-bilateral-cirurgia-de-bricker/

Cistectomia – O que você precisa saber

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A cistectomia é um desafio para qualquer cirurgião oncológico. Portanto, para o seu êxito, deve-se seguir etapas técnicas muito bem planejadas.

Nada adianta o paciente ser operado pelo melhor cirurgião, se a sua volta não existir uma equipe multidisciplinar. A cistectomia radical no homem consiste na remoção da bexiga, próstata, vesículas seminais. Além disso, a linfadenectomia estendida pélvica bilateral deve-se remover os gânglios aos redor dos grandes vasos da pelve.

A reconstrução do transito urinário após a cistectomia pode ser feita de duas maneiras:

1. reservatório urinário continente – confecção de nova bexiga feita com uso do próprio intestino ou
2. derivação urinária incontinente – usando um segmento do intestino para a pele
Neobexiga

Na neobexiga há a possibilidade da pessoa urinar de forma semelhante ao normal. Entretanto, até 30% destes pacientes não ficam 100% continentes, principalmente a noite.  A cistectomia causa lesão neurológica por secção de nervos e também por que não é realmente uma bexiga. Como digo: “nenhuma neobexiga é igual a bexiga que Deus nos concedeu”. Assim, os incontinentes devem usar fraldas absorventes.

Há um período de 1 ano para que o organismo se adapte a neobexiga. O epitélio intestinal se transforma em urinário, mas nunca será como sua bexiga. O que proporciona a retenção urinária do reservatório é a preservação da inervação do esfíncter urinário voluntário. É constituído por músculos que retém a perda de urina, localizado ao redor da uretra. Apenas casos bem selecionados são candidatos a neobexiga.

Cirurgia de Bricker ou derivação incontinente

Na cirugia de Bricker, o paciente fica com uma derivação urinária incontinente. Uma bolsa coletora é colocada na região baixa do abdômen. A urina é coletada numa bolsa plástica transparente que é esvaziada quando atingir volume de 200 a 300mL. O paciente esvazia a urina por uma pequena válvula que sai pela sua parte inferior da bolsa coletora. Não provoca cheiro e ninguém percebe que o paciente está usando esta bolsa, abaixo da sua roupa. Não é desconfortável e o paciente pode viver sua vida normalmente. A cada 3 dias, a placa que se fixa a pele e a bolsa devem ser trocadas. Saiba mais sobre a cirurgia de Bricker em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/tecnica-da-ureteroileostomia-bilateral-cirurgia-de-bricker/

No início, todo paciente se assusta, mas depois percebe que se vive bem com a bolsa coletora de urina. Saiba mais sobre câncer de bexiga em:  https://www.drfranciscofonseca.com.br/o-que-voce-precisa-saber-sobre-cancer-de-bexiga/

Estudos de qualidade de vida mostram satisfação de 70% dos casos em ambas formas de derivação urinária.cistectomia

A cistectomia radical é considerada a mais complexa das cirurgias urológicas, pelos muitos detalhes técnicos para sua realização. Para seu êxito, há uma competente equipe multidisciplinar para que o sucesso seja alcançado. Não é apenas o cirurgião e sim, os componentes de toda equipe que são envolvidos. Portanto, vale a máxima: “uma andorinha não faz verão”. Para isto, “todos juntos certamente seremos o melhor”.

Nenhum paciente, tumor e anatomia humana é igual a do outro paciente, e por consequência, o cirurgião deve estar preparado para conhecer e julgar qual é a melhor tática para ser feito em cada situação.

Cada paciente é único, desde suas condições psicológicas até físicas. Aliás, o preparo psicológico pré-operatório tem enorme importância para o sucesso operatório.

Importância psicológica

O paciente deve participar ativamente durante todo o processo para sua eficiência. Pensamento positivo sempre deve estar presente, mesmo nos momentos difíceis durante a operação. Deve-se estar 100% motivado para se atingir o sucesso. A palavra de ordem é: sei que vou vencer! Em primeiro lugar é fundamental que saibamos quem é o paciente que vamos operar. O conhecimento da sua condição clínica, é crucial no planejamento pré-operatório. Uma avaliação realizada por um ou mais médicos especialistas deve ser realizada, do sistema cardiovascular e das doenças associadas. A compensação clínica pode garantir um pós-operatório mais tranquilo.

Cuidados pré-operatórios

Todos remédios devem ser usados até a cirurgia, sendo que apenas os anticoagulantes devem ser suspensos antes da operação e os demais, de maneira geral são usados até a noite ou manhã da cirurgia. Deve-se respeitar jejum de 8h.

Antigamente realizava-se um preparo intestinal com antibióticos e lavagens intestinais, que por muitas vezes traziam mais problemas e desgaste ao paciente que propriamente ajuda verdadeira. Hoje é usado um enteroclima (lavagem intestinal) e antibioticoterapia antes da cirurgia. A tricotomia, raspagem dos pelos, é realizada na sala da cirurgia, seguida de degermação da pele, antissepsia e colocação dos campos.

O tratamento do paciente começa na recepção hospitalar. Ambiente gentil e acolhedor são fundamentais. Desde o começo até a alta hospitalar deve ser regido por cordialidade e aconchego. Afinal de contas, você é o mais precioso bem a ser tratado. Simplesmente, estamos fragilizados na doença e temos que ter ajuda para superar o desconhecido. Cada passo de ser explicado ao paciente que deve entender e colaborar com os procedimentos. Na realidade há a necessidade de que a equipe multidisciplinar esteja bem treinada para que possamos vencer seus obstáculos. Cada um tem papel primordial! Portanto, uma equipe experimentada em cirurgia de alta complexidade é absolutamente importante para o sucesso. Entenda como reduzir as complicações em cirurgia de grande porte: https://www.drfranciscofonseca.com.br/protocolo-eras-por-que-conhecer/

Tecnologia hospitalar é indispensável para o sucesso

A tecnologia faz com certeza, diferença. Improvisações não são bem vindas. Uma equipe de anestesia com equipamentos de alta tecnologia devem ser utilizados para monitoramento durante a cirurgia, desde a indução anestésica até o seu término. A hidratação durante a cirurgia é fundamental. Geralmente, os pacientes submetidos a esta cistectomia são mais idosos e portanto exigem maior conhecimento médico por parte dos anestesistas. Mesmo um paciente com mais de 80 anos pode ser submetido a cistectomia com sucesso.

Uma anestesia para cada idade e performance clínico do paciente norteiam o tipo de anestesia, desde os cuidados do acesso venoso e/ou arterial até a monitorização dos vários órgãos. Drogas modernas devem ser utilizadas para minimizar efeitos colaterais. Assim é feita a Medicina de alto nível. O anestesista que mantiver as condições fisiológicas do paciente durante a cirurgia, como aquecimento corporal, controle respiratório e neurológico, uso ideal de drogas anestésicas, com certeza garantirá uma melhor recuperação pós-operatória. As inovações na anestesia tornaram-na mais segura.

Serviços médicos bem estruturados, nos melhores hospitais do mundo, têm protocolos da rotina para realizar cirurgias de grande porte, como a cistectomia radical.

Equipe multidisciplinar é fundamental

A equipe multidisciplinar faz a diferença para que a evolução pós-operatória seja a mais tranquila e previsível possível. Sempre ocorrerão ajustes clínicos, seja no pré, intra e pós-operatório. Entretanto, cada dia de pós-operatório é um dia.

Três profissionais tem relevante papel neste cenário de tratamento:

1. o enfermeiro,

  •  o paciente é totalmente dependente dele durante toda internação (existem muitos mistérios e dedicação destes profissionais abnegados),

2. o fisioterapeuta,

  • melhora as condições respiratórias e musculares do paciente. Ainda são os responsáveis para que os pacientes deambulem precocemente. Somente acompanhando o carinho e zelo deste profissional é que entenderemos o significado de uma equipe,

3. a nutricionista,

  • envolvida na alimentação precoce do paciente, além do que adequa o cardápio para sua necessidade e ajudam no restabelecimento da função intestinal.

Como vocês percebem não é só o médico e sim toda equipe que trabalhando juntos vão proporcionar o êxito. Desde o mais simples até o mais graduado dos profissionais devem estar engajados pelo sucesso. Percebam como a estrutura precisa estar coesa e deve funcionar como relógio suíço. Outros médicos especialistas podem ser convocados para ajudar na resolução de algum desvio no pós-operatório.

Cistectomia pode ser curativa

A cistectomia pode promover a cura do nosso paciente. A sua curabilidade é dependente da extensão local da doença e do grau de agressividade da neoplasia, ou seja estadiamento da doença e grau de diferenciação da neoplasia. Quanto menor estes dois fatores, maiores serão as chances de curabilidade. Saiba mais em: http://www.auanet.org/guidelines/muscle-invasive-bladder-cancer-new-(2017)

Muitos avanços ocorreram nos últimos anos e sempre são introduzidas melhorias para que o sucesso seja atingido com mais facilidade. Ainda há muito progresso por vir. Novas tecnologias serão introduzidas e talvez num futuro não muito distante, outras inovações serão empregadas, facilitando o tratamento dos pacientes submetidos a cistectomia radical. Por fim, vejam vocês que o sucesso é absolutamente dependente de toda equipe.

O êxito, até se atingir a alta hospitalar do paciente, deve sempre ser dividido entre todos. Realmente é muito orgulho participar desta equipe e dizer ao final: “missão comprida”. Segue a vida.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

http://www.auanet.org/guidelines/muscle-invasive-bladder-cancer-new-(2017)

https://uroweb.org/guideline/bladder-cancer-muscle-invasive-and-metastatic/

Câncer de bexiga, sinais e sintomas e prevenção