Nefrectomia parcial assistida por robô

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A nefrectomia parcial assistida por robô e laparoscópica convencional são consideradas padrão ouro para tratamento do câncer de rim menor que 4 cm. O objetivo da nefrectomia parcial é remover o câncer para curar, enquanto maximiza a preservação da função renal.

Além disso, a nefrectomia parcial pode ser considerada no tratamento cirúrgico para tumores selecionados com tamanho menor que 7 cm, o estádio T1b. Ainda mais, a indicação é imperativa em pacientes com tumor renal em rim solitário, tumores bilaterais ou com comprometimento da função renal. Os pacientes com insuficiência renal crônica se perderem mais função renal tornam-se dialéiticos.

A vantagem da nefrectomia parcial robótica e laparoscopia para o paciente é a diminuição da dor no pós-operatória e do tempo de internação. Por outro lado, para o cirurgião é a melhor facilidade para sua realização. Alguns casos podem ser extremamente complexos para sua execução por laparoscopia.

A nefrectomia parcial assistida por robô é mais fácil para sua execução que a laparoscópica e a cirurgia aberta. De maneira geral, é muito mais fácil realizar a nefrectomia radical do que a parcial. Portanto, esta cirurgia é mais desafiadora por que se opera para remover o câncer e preservar a função renal. O objetivo é não perder néfrons, ou seja, as unidades fundamentais que produzem a urina.

Fatores relacionados a complexidade do procedimento

A complexidade técnica da nefrectomia laparoscópica é determinada por vários fatores isolados e/ou associados em cada caso individualmente. Vários fatores podem estar relacionados ao paciente e/ou ao próprio tumor em relação ao rim.

Fatores relacionados ao paciente:

  • índice de massa corporal,
  • cirurgia abdominal prévia e

Fatores tumorais anatômicos: 

  • nefrectomia parcialtamanho e localização do tumor, os tumores centras e profundos são os mais complexos  (avaliação medida pela nefrometria). Quanto maior, maior tempo de isquemia e de abertura do sistema coletor),
  • invasão perinéfrica,
  • linfadenopatia hilar e regional,
  • envolvimento venoso e colaterias.

Desta maneira, a cirurgia aberta exige maior destreza técnica pela profundidade do órgão a ser operado, conhecimento anatômico da parede incisada e visualização do campo operatório. Assim sendo, atualmente, apenas casos muito volumosos de câncer renal são operados por via aberta. A cirurgia laparoscópica assumiu com vantagem a sua realização, inclusive pelo menor sangramento intra-operatório. Saiba sobre a indicações da nefrectomia parcial em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/nefrectomia-parcial-quando-indica-la/

Vantagens da nefrectomia laparoscópica para a aberta

  • A laparoscopia oferece melhor visibilidade do campo operatório, pelo uso da lente de aumento. Ela projeta a imagem da cavidade para tela do vídeo. O aumento é de dez vezes.
  • várias fontes de energia usadas para realizar corte nos tecidos e cauterização dos vasos estão em franca expansão. Por isso, o progresso não deve parar e novas tecnologias vão estar sendo empregadas. A técnica laparoscópica é uma via operatória sem volta. Apenas vai avançar e portanto, uma revolução no modo de se operar.
  • menor sangramento intra-operatório causado pela melhor visibilidade do campo operatório.
  • a hemostasia dos vasos sanguíneos é mais eficiente. Uma das razões é que se opera muito próximo do alvo. A distância varia de 3-8 cm em média.
  • menor sangramento causado pelo sistema de pressão intra cavitária pelo expansão da cavidade abdominal por gás carbônico (pneumoperitônio). A sua pressão de injeção na cavidade limita o sangramento de baixa pressão das veias, menor de 40 mmHg.

Mais vantagens

  • As punções abdominais por onde passam os trocateres formam um ângulo de trabalho em forma de cone por onde se vê tudo o que se manipula. Desta maneira, as mãos operam fora do corpo por pinças que estão próximas do alvo.
  • pacientes obesos são mais susceptíveis a complicações pela maior profundidade e menor visibilidade intra-operatória. Além disso, são mais vulneráveis a infecção da incisão cirúrgica, que podem causar deiscência (abertura dos pontos de fechamento da ferida operatória). As infecções bacterianas estão ficando cada vez mais resistentes aos antibióticos. Por esta razão, a permanência hospitalar geralmente é mais prolongada. Por isso, o sofrimento e dor habitualmente são muito mais relevantes do que nos pacientes operados por laparoscopia.
  • O tratamento de tumores renais maior que 4 cm pode ser desafiador em cirurgias minimamente invasivas (estádio T1b). Estes casos podem ser operados conforme condições locais do tumor renal, geralmente os exofídicos (que crescem para fora do rim). No entanto, a excisão de massa com instrumento e a renorragia em um tempo restrito, exige perícia do cirurgião e tem limitado a a disseminação da laparoscopia.
  • Contudo, avanços tecnológicos nos trocateres, bi ou triarticulados, vão reimpulsionar em futuro próximo a laparoscopia.

 

Vantagens da nefrectomia parcial assistida por robô para a laparoscópica

  • os princípios da robótica são os mesmos da laparoscopia para sua realização como: pneumoperitônio (expansão pelo CO2), maior visibilidade do campo operatório,
  • Na plataforma robótica, utilizando visão ampliada tridimensional (3D) e movimentos delicados dos instrumentos com 7 graus de liberdade, a dissecção do pedículo renal e a ressecção do tumor são melhor realizadas com auxílio robótico. As mãos robóticas realizar movimentos de 540 graus, permitindo facilidade de dissecção em campo cirúrgico pequeno, estreito e profundo.
  • Usando essa assistência robótica, a lesão dos vasos do pedículo renal (artéria e veia, com suas variações anatômicas individuais) diminuiu,
  • Assim, tumores inacessíveis podem ser ressecados com maior facilidade operatória.
  • Estudo de meta-análise (de muitos estudos de comparação dos métodos) mostra que a nefrectomia parcial assistida por robô
    está associada a resultados mais favoráveis do que a laparoscópica para a taxa de conversão para cirurgia aberta para resolução de alguma eventualidade durante o procedimento ou para conversão da nefrectomia parcial para radical (remoção completa do rim),
  • a sutura da ferida operatória se tornou muito mais fácil e mais rápida do que a laparoscópica, com melhor eficiência dos planos operados. A facilidade dos movimentos para realizar a sutura é muito mais eficiente.

Mais vantagens

  • Além disso, o tempo de isquemia é significativamente menor, há menor alteração de taxa de filtração glomerular, portanto com melhor preservação da função renal. O tempo menor possível de obstrução do pedículo durante a ressecção do tumor favorece a preservação renal. Assim, tempo de isquemia maior que 20-25 minutos pode causar lesão renal permanente. O robô tornou este objetivo mais factível por ser mais fácil realizar a cirurgia.
  • Mais ainda, o tempo de internação é menor. Portanto, como a recuperação clínica é melhor, o paciente volta a suas funções diárias mais precocemente.
  • A curva de aprendizado de especialistas para nefrectomia robótica é de aproximadamente 25 casos, enquanto a curva para nefrectomia laparoscópica é estimada em mais de 200 casos. Contudo, quanto maior a expertise com a técnica robótica menor é o tempo de isquemia renal e operatório, sendo que depois de 150 casos, o cirurgião chega ao seu platô de excelência.
  • os robôs de última geração, o da Vinci Xi, é mais delicados e leves para troca das pinças durante a cirurgia e ainda mais automatizados.
  • Algumas funções foram automatizadas, como foco da lente quando colocado no campo operatório, console com sensor de movimento da testa que permite que o sistema desligue automaticamente o movimento nos braços do robô se a cabeça do cirurgião não estiver no lugar, e etc.

Concluindo

As técnicas laparoscópicas são mais vantajosas para realização da cirurgia do que a aberta. Isto é incontestável pelos inúmeros artigos científicos produzidos. A cirurgia laparoscópica assistida por robô trouxe maior facilidade para execução dos procedimentos. Contudo, como qualquer procedimento médico cirúrgico exige treinamento sob orientação e horas de treino solitário em simuladores robóticos. Portanto, há necessidade de melhorar a habilidade técnica para o sucesso do procedimento.

No entanto, o desafio técnico e ergonômico da sutura laparoscópica limitou a disseminação da laparoscopia. Além disso, os custos envolvidos por pinças, tesouras, aspiradores, equipamentos de imagem, coagulação e etc envolvidos. A sutura dos tecidos na laparoscopia é mais difícil e exige maior treinamento técnico pra se atingir sua boa realização. Além disso, a posição da equipe de cirurgia é mais difícil e exige melhor preparo físico para sua execução. Por isso, o tempo operatório tende a ser mais prolongado.

Mais ainda

Robôs cirúrgicos foram desenvolvidos para facilitar a cirurgia minimamente invasiva e auxiliar os cirurgiões na realização de procedimentos cirúrgicos. O cirurgião opera a distância do paciente, sentado e com maior facilidade técnica para realizar as suturas e os procedimentos técnicos. Nossa mão realizada movimento de 270 graus, enquanto o robô de 540 graus. Isto confere enorme facilidade.

O robô permitiu que cirurgiões menos técnicos possam realizar a cirurgia com maior facilidade. A nefrectomia parcial robô assistida pode ser executado com sucesso após uma curva de aprendizado de 25 casos. Saiba mais sobre a cirurgia robótica em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/a-cirurgia-robotica-veio-para-ficar/

Todavia, a equipe de cirurgia deve estar plenamente integrada e trabalhando juntos para a eficiência do procedimento. Portanto, o benefício é o melhor resultado no pós-operatório do paciente.

Finalizando

Por fim, o único impedimento para disseminação do robô em nosso meio é seu alto custo, estimado em mais de 2,5 milhões de dólares. Além do que deve ser trocado suas peças cirúrgicas, a cada 20 procedimentos. Tudo isto, em um país sem tecnologia encarece o método e impede seu uso disseminado. Contudo, novas tecnologias estudadas em outros países devem expandir seu uso em nosso meio.

O país deve se desenvolver para não ficar refém do progresso. Sem investimento em ciência, o país corre a passos largos para o inconcebível. O país deve sucumbir com tanta pobreza e atraso mental. Muito trabalho honesto deve ser feito para impulsionar o progresso no nosso país.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site:

https://www.drfranciscofonseca.com.br/ para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

http://uroweb.org/guideline/renal-cell-carcinoma/

https://www.youtube.com/watch?v=VTszmy97arg

Cistos renais – a classificação radiológica de Bosniak

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Cistos renais, como são formados?

Eles são formados pela obstrução de algum segmento do néfron, que é a unidade renal fundamental para produção da urina. Normalmente, acontece em um dos segmentos dos túbulos renais, mas podem ocorrer nos glomérulos. Estima-se que cada rim tenha um milhão de néfrons. Contudo, eles vão se deteriorando com o envelhecimento. O sangue é filtrado por eles para eliminar as substâncias tóxica do organismo.

Os cistos renais podem ser causados por alterações genéticas e podem ser vistos ao nascimento. Entretanto, a maioria é adquirido com a idade e sem fator hereditário. Na infância é possível encontrar várias síndromes que são acompanhadas por cistos renais. Por outro lado, pacientes com insuficiência renal crônica que realizam diálise podem desenvolver cistos com o tempo e inclusive câncer. Na infância pode ocorrer rins multicísticos que podem causar insuficiência renal quando a doença acomete ambos os rins.

Os cistos renais geralmente ocorrem após os 50 anos de idade. É comum o seu achado em número de 1 a 3-5 em cada rim após esta idade. Os cistos considerados simples geralmente não precisam ser tratados nem acompanhados.

Cistos renais – Sintomas

O paciente portador de cisto renal geralmente é assintomático. Raramente pode crescer para causar dor vaga e ser palpado tumor no cistos renaisabdômen.

Diagnóstico

O achado incidental destas lesões no rim é comum pelo aumento do uso dos exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada. Entretanto, podem ser avaliados pela ressonância nuclear magnética. A maioria das lesões são cistos renais benignos simples. Todavia, os cistos e neoplasias renais complexas devem ser explorados para afastar a presença de neoplasia. Por isso, os cistos complexos são suspeitos de câncer e precisam ser tratados cirurgicamente.

Classificação dos cistos simples e complexos

A classificação de Bosniak é feita baseada nos achados da tomografia computadorizada com contraste, introduzida em 1986. O sistema de classificação de cisto renal Bosniak foi criado para diagnosticar e tratar essas lesões. Ele é baseado nas características morfológicas e do realce do contraste visto nas suas paredes e septos internos nos cistos. O seu realce é indicativo que há massa dentro do cisto e portanto, é câncer até prova do contrário. Em princípio, a classificação se baseia no aspecto da parede e dos septos que vão progressivamente se espessando, assim como se tornando cada vez mais impregnados pelo contraste feito na tomografia.

Os cistos infectados podem ter este aspecto, por isso as queixas e a clínica dos pacientes devem ser levados em conta para a conduta final. Quando for configurado esta suspeita, os cistos infectados tem que ser drenados ou removidos cirurgicamente para seu tratamento definitivo.

Desta maneira, os cistos renais são colocadas em uma das cinco categorias diferentes:

Classificação de Bosniak

Categoria I

Um cisto renal benigno simples ou múltiplos cistos renais, cada um com parede delgada sem septos, calcificações ou componentes sólidos ou vegetação. As suas paredes não impregnadas pelo contraste. O cisto tem a densidade da água e não aumenta. Pelo exame é possível avaliar se o cisto é constituído de agua. Nestes cistos, a unidade Hounsfield varia de 0 a 20UH. Isto é obtido colocando o cursor do tomógrafo sobre o cisto para definir sua densidade. Nunca evoluem para câncer.

Categoria II

Lesões císticas onde pode haver alguns septos finos, além da parede ou septos que podem conter calcificações finas ou um segmento com calcificação pouco espessada. Esta categoria também inclui lesões com alta atenuação uniforme, com diâmetro menor que 3cm, bem definidas e não-impregnadas pelo contraste. É semelhante aos cistos da categoria I, sendo que a única diferença é a presença das calcificações não grosseiras. São benignos.

Categoria IIF

Os cistos geralmente são bem definidos. São mais complexos que os cistos da categoria II, mas menos complexos do que os cistos da categoria III. Podem ter múltiplos septos finos ou espessamento fino mínimo dos septos ou das suas paredes, que podem conter calcificações mais espessas e nodulares. Estes cistos podem conter câncer e portanto, deve ser seguidos por tomografia semestral para observar seu comportamento evolutivo. O F da categoria II é do inglês de follow up.

Estes cistos requerem um especialista experimentado em imagem para sua melhor definição. Não há aumento de contraste mensurável nos seus septos. No entanto, essas lesões podem ter um aumento nos septos finos ou paredes. Isto corre devido a aumento subjetivo e não mensurável quando as imagens sem contraste e contrastadas são comparadas. A impregnação pelo contraste pode estar ausente ou ser duvidoso. Esta categoria também inclui lesões totalmente intrarrenais, de alta atenuação, com diâmetro maior que 3cm. Portanto, estes cistos requerem acompanhamento por mais de 5 anos para verificar se eles não são malignos. Pode representar neoplasia em 15%.

Categoria III

As massas císticas indeterminadas que apresentam paredes ou septos irregulares espessados ou lisos. O conteúdo do cisto não é homogêneo. Os septos podem ser irregulares e espessados (nodulares) ou lisos, nos quais o realce do contraste é mensurável. Aproximadamente 40 a 65 por cento são malignos, como o carcinoma de células renais cístico e cístico multiloculado. As lesões restantes são benignas e incluem cistos hemorrágicos, cistos infectados crônicos e nefroma cístico multiloculado. A partir desta categoria o realce mensurável é maior que 15UH. Provavelmente, o cisto é maligno. Podem ser seguidos, mas se ocorrer mudança morfológica, está indicada a remoção cirúrgica.

Categoria IV

Elas têm todas as características dos cistos da categoria III, além de conterem componentes de tecidos moles adjacentes e independentes da parede ou septo. Os septos e as paredes são espessadas e irregulares. A lesão é mista, portanto cística-sólida, com paredes espessadas e com realce após injeção do contraste. O cisto tem alta probabilidade de ser maligno. As lesões são câncer em 85 a 100%.

Caso queira ver imagens dos cistos renais digite: Classificação de cistos renais no google imagem.

Evolução dos cistos Bosniak IIF

Os cistos renais estáveis do complexo Bosniak IIF, sem reclassificação para Bosniak da categoria III e IV, mostram uma taxa de malignidade inferior a 1% durante o seguimento radiológico (vigilância ativa). Contudo, os cistos renais complexos de Bosniak IIF que apresentam progressão para a categoria Bosniak III e IV durante acompanhamento radiológico ocorre em 12%. Nestes casos, 85% apresentam malignidade, comparável às taxas de malignidade dos cistos complexos de Bosniak IV.

Importância do ultrassom Doppler

O ultrassom poder ser importante em alguns casos para definir se a lesão é cística ou sólida após a tomografia ou ressonância magnética. Além disto, o ultrassom Doppler pode mostrar a vascularização dos septos e por esta razão pode demostrar a presença de câncer nas suas paredes ou septos.

Os carcinomas papilíferos e os de células claras podem sofrer degeneração cística, mas de modo geral os papilíferos são neoplasias hipovascularizadas e os de células claras são hipervasculares.

Tratamento

Quando indicado seu tratamento pode ser feito por ablação com radiofrequência ou crioterapia guiada pela tomografia. Também podem ser tratados pela nefrectomia parcial, remoção do cisto por cirurgia laparoscópica. Caso queira saber mais sobre nefrectomia parcial: https://www.drfranciscofonseca.com.br/nefrectomia-parcial-quando-indica-la/

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos.

 

Referência

Bosniak Classification for Complex Renal Cysts Reevaluated: A Systematic Review Ivo G. Schoots, Keren Zaccai, Myriam G. Hunink, Paul C.M.S. Verhagen. J Urol, 2017;198,1:12–21.

https://www.auanet.org/guidelines/renal-mass-and-localized-renal-cancer-new-(2017)

 

Câncer de rim – O que você deve saber

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O câncer de rim é atualmente detectado em exames de imagem e são assintomático em 60-70% dos casos. Os pacientes geralmente apresentam alguma dor abdominal e por isso, na investigação se detecta alguma massa renal.

Vamos entender um pouco mais sobre este importante órgão.

1. Onde se localiza o rim?

O rim (kidney) é um órgão duplo localizado atrás do abdômen, na região lombar e em forma de feijão.

2. Qual é função dos rins?

A sua principal função é eliminar os produtos finais do catabolismo dos alimentos. Todas células geram subprodutos do metabolismo que devem ser eliminados. Todavia, quando não são eliminados levam ao estado de insuficiência renal. Desta maneira, vão intoxicando o organismo.

A insuficiência renal aguda se instala de forma rápida. Contudo, a crônica se estabelece lentamente, a exemplo das doenças sistêmicas como a diabetes ou o lúpus.

câncer de rim 3. Quais são os sintomas provenientes de doenças renais?

O principal sintoma é a dor em cólica causada pela obstrução da drenagem de urina no ureter.

A mais conhecida é cólica pela obstrução do ureter por cálculo oriundo dos rins. A dor inicia na região lombar, mas com a sua descida pelo ureter, se desloca para o flanco. Finalmente, para a fossa ilíaca.

Os cristais urinários são muitos, porém, os mais frequentes são ácido úrico, oxalato de cálcio e de infecção de repetição. Este último, de estruvita, geralmente ocorre em mulheres. O mais freqüente é o de oxalato de cálcio, em 80-85% dos casos.

O câncer de rim (kidney cancer) pode causar dor em cólica, quando tumores volumosos, maiores que 7cm sangra. Desta maneira, o ureter é obstruído por coágulo proveniente do tumor. Por esta razão, sangue na urina (hematúria) é um sinal de doença do aparelho urinário.

O câncer renal geralmente só causa sintomas quando apresenta um volume maior que 4 cm. Os rins são extremamente vascularizados. A ruptura dos vasos do tumor determina sangramento. Muitos dos tumores renais são muito vascularizados. A visualização de sangue na urina sempre é causa de consulta médica. Sua demora poderá custas a sua vida.

dor em peso na região lombar pode ocorrer no câncer renal, contudo, ocorre em tumores volumosos.

A terceiro sintoma pode ser a massa abdominal. Nesta fase, o tumor se encontra em fase avançada e com metástase. Saiba mais sobre sintomas: https://www.drfranciscofonseca.com.br/portfolio/cancer-de-rim-sintomas-fatores-de-risco-prevencao/

4. Qual é a incidência de câncer de rim na população?

A incidência de câncer de rim é maior nos homens do que nas mulheres, na proporção de 2-3 para 1. Geralmente acomete após a sexta para sétima década de vida. Contudo, a incidência decai após os 75 anos.

5. Quais são os fatores de risco para câncer de rim?

Muito pouco ainda se conhece sobre as causas do câncer de rim. Alterações específicas do DNA celular começaram a ser descobertas. Consequentemente, novos tratamentos estão sendo realizados. Entretanto, muita pesquisa científica de ser feita para desvendar sua iniciação.

O tabagismo deve contribuir para a doença, mas seu vínculo maior é com os tumores da pelve renal e ureter.

O câncer de rim está associado com a obesidade (obesity) feminina, com risco relativo de 3,6; risco em relação à população não obesa. Outros fatores que podem desencadear seu início são o cádmio, derivados de hidrocarbonetos (gasolina) e hidrocarbonetos aromáticos (tintas).

O paciente com insuficiência renal que realiza diálise crônica desenvolve lesões císticas em 40%-50%, a doença cística renal adquirida. Assim, pode dar origem ao câncer de rim. Por isso, estes pacientes devem realizar ultrassom renal anualmente após o terceiro ano de diálise.

Paciente com a doença hereditária Von Hippel-Lindau pode desenvolver câncer de rim. Além disso, é a sua maior causa de morte.

Os parentes do primeiro grau com câncer de rim ou com tumores raros têm risco para câncer de rim. Além disso, paciente que teve tumor em vários órgãos, tumor associado com defeitos congênitos, tumor em local raro ou que teve câncer na juventude tem risco para câncer de rim.

6. Você deve se preocupar por ser portador de lesão cística renal detectada pela ultrassonografia?

Em princípio, não. Estas lesões são na grande maioria lesão benigna. São cistos renais simples. Eles ocorrem em mais de 60% das pessoas com mais de 50 anos. Nunca evoluem para câncer renal. Neste cisto não há nenhuma anormalidade na parede do cisto renal. Contudo, cistos com conteúdo interno denso ou massa devem ser vistos como câncer renal até prova do contrário. Sempre devem ser investigados e operados. O exame do patologista determina o seu verdadeiro diagnóstico.

Lesões renais sólidas, com características de conteúdo de gordura, na maioria das vezes são causadas por doença benigna. Estes pacientes devem ser seguidos anualmente com ultrassom. Assim, o tumor é benigno, o angiomiolipoma.

7. Como tratar o câncer de rim?

O tratamento do câncer de rim depende fundamentalmente do estádio da doença, extensão loco-regional e a distância do tumor. A cirurgia é a nefrectomia radical ou parcial. Contudo, a dimensão do tumor no rim é quem determina qual cirurgia dever ser realizada.

8. O que é cirurgia radical do rim ou nefrectomia radical?

nefrectomia radical é a cirurgia que remove o rim em monobloco com a gordura que o envolve. Nesta cirurgia, pode ser por via lombar ou abdominal. Contudo, esta via é a escolhida no tumor que invade a veia renal ou a cava.

O padrão ouro (aceito como ideal) é a nefrectomia radical por via laparoscópica. A nefrectomia parcial é mais complexa e deve ser realizada por cirurgiões com maior experiência. Esta técnica está em ampla disseminação entre os urologistas no nosso meio.

Contudo, os tumores mais volumosos de pólo superior ou multifocais dos rins são removidos com a glândula supra-renal ipsilateral.

9. O que é cirurgia parcial do rim ou nefrectomia parcial

O segundo tipo de cirurgia realizado é a nefrectomia parcial. Hoje em dia, a maioria dos pacientes são diagnosticados com grandes chances de cura. Desta maneira, remove-se o câncer renal e geralmente têm tamanho menor que 4cm.

Toda lesão sólida renal detectada pela ultrassom ou tomografia deve ser tratada. Assim, exames para investigar queixa abdominal pode detectar por acaso a lesão renal. É conhecido como achado incidental de massa renal. Estas lesões são câncer em 80% dos casos. Afinal, a sobrevida após a nefrectomia parcial é de 95-100% em 5 anos. Saiba mais sobre observação de lesões renais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/nefrectomia-pode-retardar-cancer-renal/

O acesso preferencial do tumor menor e polar renal é lombar. Contudo, tumor central do rim é mais facilmente tratado pela via aberta. ´E a mais usada no nosso meio.

A nefrectomia laparoscópica é uma alternativa para cirurgiões mais experientes. Para isso, a remoção do tumor deve ser realizada com rapidez, em menos de 25 minutos para não causar isquemia renal. A artéria e/ou veia renais são clampeadas. A cirurgia robótica tornou a via laparoscópica mais fácil.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

https://uroweb.org/guideline/renal-cell-carcinoma/

Câncer de rim, sintomas, fatores de risco e prevenção