Deficiência de testosterona e suas doenças associadas

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A deficiência de testosterona é prejudicial a fisiologia masculina. Ela exerce um importante papel metabólico em muitos tecidos e órgãos. Desta maneira, atua na manutenção da saúde do homem. A testosterona apresenta múltiplas funções fisiológicas para regulação do metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos.

A testosterona regula:

  1. o crescimento muscular,
  2. o metabolismo ósseo,
  3. o metabolismo cerebral,
  4. a eritropoese (formação dos glóbulos vermelhos),
  5. as funções hepáticas,
  6. o endotélio (epitélio dos vasos),
  7. os pelos e cabelos,
  8. a função e inibição da adipogênese (formação de gordura corporal)

A deficiência de testosterona causa:

  1. Obesidade (aumento de gordura corporal e visceral),
  2. Aumento da circunferência da cintura,
  3. Diminuição da densidade óssea (osteopenia, osteoporose) e fratura óssea aos pequenos impactos
  4. Diminuição da massa muscular e força, inclusive do miocárdio
  5. Ginecomastia (aumento das mamas)
  6. Anemia
  7. Resistência a insulina (síndrome metabólica),
  8. Diabetes melitus tipo 2,
  9. Hipertensão arterial sistêmica
  10. Inflamação,
  11. Aterosclerose e doença cardiovascular,

Além disso:

Alterações no sistema nervoso centraldeficiência de testosterona

  • Diminuição da energia e do vigor físico, vitalidade e bem estar, fadiga, letargia, mudança na qualidade do sono (insônia), humor deprimido, depressão e irritabilidade, redução da motivação, concentração, memorização e esquecimento, ondas de calor (fogachos por queda aguda da testosterona), diminuição da habilidade cognitiva (raciocínio).

Mais ainda:

Disfunção eréctil e infertilidade

  • Diminuição ou perda da libido (desejo sexual), diminuição das ereções espontâneas matinais e noturnas, disfunção eréctil e da atividade sexual, dificuldade de atingir o orgasmo ou diminuição, diminuição das características secundárias (testículos e pênis menores), queda de pelos corporais, oligospermia e azoospermia.

Todas estas doenças associadas levam a diminuição da qualidade de vida. Porém, pode ocorrer uma variabilidade individual. Assim, não aparecem todos os sinais e sintomas da deficiência de testosterona. Geralmente são vistos alguns deles, mas que são exclusivos do hipogonadismo. Estes sintomas podem ser observadas em várias doenças comuns do envelhecimento masculino.

A síndrome metabólica (obesidade, hipertensão arterial, hiperdislipedemia e diabetes) é uma doença que vem aumentando de importância no mundo atual. Ela é decorrente da mudança do estilo de vida, sedentarismo, alimentação inadequada e diminuição da atividade física.

A disfunção eréctil é mais prevalente em homens com diabetes mellitus, resistência a insulina, índice de massa corpórea elevado ou obesidade excessiva (IMC >40 Kg/m2). Por outro lado, pessoas com níveis ótimos de testosterona tem maior proteção para o diabetes tipo 2. A deficiência de testosterona nos obesos aumenta os níveis de insulina em jejum comparados aos não-obesos.

O tratamento de portadores de câncer de próstata metastático causa redução da testosterona e reduz a sensibilidade à insulina. Neste estádio da doença os pacientes apresentam metástase para ossos e/ou linfonodos. Por isso, quanto mais lesões mais grave é o caso. Portanto, pode ocorrer aparecimento ou piora do diabetes. Aliás, várias doenças clínicas podem aparecer pelo hipogonadismo nestes pacientes. Os níveis de testosterona podem cair ao nível de castração, ou seja menor que 20ng/mL. Desta maneira, o necessário tratamento causar piora na sua qualidade de vida.

Hipogonadismo hipogonadotrófico

Os pessoas mais jovens podem apresentar hipogonadismo hipogonadotrófico. Algumas doenças afetam diretamente a hipófise. Portanto, há queda da produção da testosterona é causada pela baixa produção do hormonio luteinizante. A hipófise é a principal glândula endócrina que comanda as outras do organismo. Assim, a testosterona é produzida pela ação do hormônio luteinizante de origem hipofisária no testículo. A célula produtora de testosterona no testículo é a células de Leydig.

A deficiência de testosterona está associada a efeitos adversos dos níveis de triglicérides, insulina e LDL colesterol (colesterol ruim). Assim, aumenta o risco cardiometabólico. Por isso, tem mais doença coronariana como infarto agudo e angina pectoris. Além disso, o acidente vascular cerebral por obstrução da carótidas.

As artérias são mais espessadas e facilita a obstrução por trombos. Estes pacientes geralmente são hipertensos e tem artérias enrijecidos. Portanto, a deficiência de testosterona causa dano ao endotélio dos vasos sanguíneos. Por isso, a terapia de reposição de testosterona melhora estas lesões. Da mesma maneira, aumenta a síntese de óxido nítrico endotelial na musculatura dos vasos, deixando-os mais dilatados. Portanto, a reposição da testosterona diminui a pressão arterial.

Testosterona baixa aumenta a mortalidade

O homem com testosterona baixa tem maior mortalidade do que aquele com nível normal. Isto, independentemente da idade, gordura corporal e estilo de vida. Além disso, quanto mais baixo seu nível de testosterona, maior é a mortalidade.

A testosterona é necessária para ao desenvolvimento da genitália, manutenção e qualidade da ereção ao longo da vida. Pessoas com deficit de ereção, disfunção eréctil, podem apresentar diminuição da testosterona. Sua reposição isolada ou associada a outras medidas terapêuticas podem normalizar a ereção. Em até 20% das pessoas mais com mais de 60 anos podem ter hipogonadismo. A sua reposição normalmente melhora a qualidade da ereção desses pacientes.

reposição hormonal masculina também diminui as citoquinas. Por isso, melhora a inflamação crônica existentes nos órgãos. A síndrome metabólica apresenta baixos níveis de testosterona.

Concluindo, sabendo a causa do hipogonadismo, a sua reposição melhora a qualidade e aumenta a esperança de vida.

 

Referência

http://www.auanet.org/guidelines/testosterone-deficiency-(2018)

https://uroweb.org/guideline/male-hypogonadism/

https://www.drfranciscofonseca.com.br/baixa-testosterona/

Pedra no rim – Entenda mais sobre o assunto

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Pedra no rim (cálculo renal) é a doença provocada pela produção de cristais que são eliminados na urina, em decorrência da dieta e do metabolismo interno. Quando ocorre um excesso de cristais na urina, acontece a supersaturação e os cristais vão se agregando para a sua formação. A doença pode ter um caráter recidivante. Saiba mais sobre cálculo renal recidivante em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/colica-renal-recidivante/

Existem muitos tipos de cálculos, com diferentes cores e formatos. Geralmente a pedra no rim é causada por alteração metabólica sistêmica, portanto, não é uma doença renal, embora existam cálculos renais relacionados à doença dos túbulos renais e doenças genéticas raras, como cistinúria e oxalatúria primária.

Ocorre de 2-3 vezes mais em homens que mulheres, com pico de incidência entre a 4a e 6a décadas de vida. É mais frequente nas regiões de clima quente e seco, ou seja, no verão. Da mesma maneira, ocorre mais nos trabalhadores expostos `a ambientes quentes, sendo por isso, importante doença ocupacional. Está associada com o aumento do IMC, diabetes mellitus e síndrome metabólica.

Sintomas de pedra no rimpedra no rim

A pedra no rim dentro do sistema coletor urinário raramente causa dor. A cólica renal é uma das piores dores relatadas e indica a passagem do cálculo pelo ureter. Pode ocorrer hematúria, ou seja, sangramento urinário micro ou macroscópico, náusea e vômito.

Geralmente a pedra no rim pequena, menor que 5mm causa dor mais forte do que os maiores. A cólica nefrética acontece pela pressão causada durante a passagem da urina pelo ureter obstruído. Por isso, durante sua descida até a bexiga, causa distensão ureteral, e consequente hidronefrose, ou seja, dilatação do rim e dor.

O momento mais doloroso ocorre quando o pedra no rim tenta vencer a musculatura da bexiga dentro do ureter. Nesta fase ocorre dificuldade para urinar e urgência miccional. Pode ocorrer febre e calafrios se houver infecção do trato urinário. Nesta situação, há pielonefrite calculosa, ou seja, a infecção bacteriana atingiu os rins obstruídos. Uma vez na bexiga, geralmente a eliminação do cálculo pela uretra é indolor.

Fatores de risco

Há associação com antecedentes familiares, com desidratação, com altas temperaturas, etnia por maior incidência em pacientes da raça branca, obesidade por, quanto maior o IMC ou  seja, o índice de massa corpórea, maior o risco, por obstruções anatômicas do trato urinário, acidose tubular renal, hiperparatireoidismo, hábitos alimentares inapropriados, sedentarismo, infecção do trato urinário causa cálculo de estruvita, principalmente em mulheres com infecção urinária de repetiçãodistúrbios metabólicos, diabetes mellitus, uso de medicamentos como probenecide, losartana, salicilatos, inibidores de protease, vitamina C, inibidores da anidrase carbônica, suplementação de cálcio, quimioterapia, alteração do pH urinário, redução do volume urinário por desidratação, hiperoxalúria, hipocitratúria, hipomagnesúria, hiperuricosúria, cistunúria. Além disso, a imobilização prolongada, ressecção intestinal, doença intestinal inflamatória crônica causado de diarreia e pós-operatório de cirurgia bariátrica por emagrecimento rápido. Saiba mais em: http://www.auanet.org/guidelines/medical-management-of-kidney-stones-(2014)

Diagnóstico

Na fase aguda, o ultrassom pode informar sobre os rins, presença de cálculos no sistema coletor urinário, grau da dilatação ureteropielocalicial, ou seja hidronefrose e a localização dos cálculos no ureter proximal e distal e na bexiga.

Paciente com dor aguda testicular, pode por sua vez ser portador de cálculo que obstrui o ureter proximal. A ultrassonografia pode revelar este diagnóstico. Entretanto, o padrão ouro do diagnóstico é a tomografia computadorizada sem contraste. Informa sobre tamanho, número, localização, além da sua densidade. Portanto, a conduta terapêutica, se clínica ou cirúrgica, é definida por esta informação.

Tratamento

Alguns tipos de cálculos podem ser tratados, ou seja, dissolvidos, com adequação da dieta e medicamentos. Portanto, podem ser eliminados espontaneamente ou caso contrário, removidos cirurgicamente. Sabendo-se qual é o tipo do cálculo pode-se planejar o tratamento clínico, principalmente para cálculos menores que 5mm, de ácido úrico ou cistina. Saiba mais sobre dieta e cálculo renal em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/dieta-para-calculo-renal/

Cálculos maiores podem ficar impactados e causam hidronefrose, com ou sem dor, com destruição do parênquima renal. Estes cálculos devem ser removidos por ureteroscopia ou cirurgia percutânea renal. Contudo, casos com infecção do trato urinário concomitante deve-se drenar o sistema urinário para depois retirá-lo. Por isso é urgência médica, pois o paciente está sob risco de disseminação da infecção pelo organismo, chamada de septicemia. Portanto, quadro clínico muito grave e pode causar a morte.

Prevenção do cálculo renal

  1. Aumentar líquidos até deixar urina clara em todas micções do dia, pelo menos 2 litros por dia, A recorrência é de 12% nos hiperhidratados vs. 27% nos que bebiam água normalmente.
  2. Diminuir proteínas animais para reduzir a excreção de cálcio, oxalato e ácido úrico.
  3. Tomar suco de frutas cítricas que neutralizam a carga ácida proveniente das proteínas animais, principalmente limonada. O limão é a fruta mais rica em citrato, 5 vezes mais que laranja, e reduz a excreção do oxalato; além do magnésio),
  4. fazer atividade física, sendo que o ideal é 3 vezes por semana por 1:15h,
  5. evitar a síndrome metabólica: obesidade central, ou seja circunferência da cintura superior a 100 cm; hipertensão arterial (pressão arterial igual ou superior a 130/85 mmHg); glicemia alterada (glicemia maior ou igual a 100 mg/dl); triglicerídeos maior ou igual a 150 mg/dl; colesterol bom baixo ou HDL colesterol menor que 40 mg/dl) e
  6. ingerir dietas hipossódicas ou seja, baixo teor de sódio, cálcio, pH e aumento de citrato urinário e, com alto teor de fibras.
  7. Restringir oxalatos ou seja, do chocolate, batata doce, espinafre, refrigerantes, cereais multigrãos, manteiga de amendoim, feijão verde, chá, aipo.

Dependendo do tipo de cálculo renal, seu médico pode orientar dieta e medicamentos para acidificar ou alcalinizar a urina.

Saiba mais sobre dieta para cálculo renal em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/?s=dieta+para+calculo+renal  e sobre cálculo renal recidivante em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/calculo-renal-e-paciente-com-colica-renal-recidivante/

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site:

https://www.drfranciscofonseca.com.br/ para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/

http://www.auanet.org/guidelines/surgical-management-of-stones-(aua/endourological-society-guideline-2016)

http://www.auanet.org/guidelines/medical-management-of-kidney-stones-(2014)

Hiperplasia benigna da próstata – O que é?

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hiperplasia benigna da próstata (benign prostatic hyperplasia) é o crescimento de uma parte da próstata chamada de zona transicional, localizada ao redor da uretra prostática. Este crescimento se inicia entre os 20-30 anos, principalmente nas glândulas periuretrais, podendo causar a obstrução do fluxo urinário com o envelhecimento.

Isso ocorre de maneira lenta e quase imperceptível ao longo da vida, por isso, a manifestação clínica da doença ocorre geralmente a partir dos 50 anos. Alguns pacientes tem sintomas intensos sem que tenham próstata volumosa, e o inverso também é verdadeiro.

 

1. Sintomashiperplasia benigna da próstata

O principal sintoma é a diminuição do jato urinário (jato fraco), com micções de pequenos volumes em curto intervalo de tempo, e urgência, jato interrompido, esvaziamento incompleto, dificuldade para iniciar o jato urinário e visto mais frequentemente na primeira micção matinal. Além disto, estes sintomas podem ocorrer durante o dia ou a noite. Entretanto, existem períodos de melhora e piora na evolução clínica.

Os sintomas do trato urinário inferior são as queixas que mais afetam a qualidade de vida dos homens, principalmente os sintomas irritativos como urgência urinária e desconforto para urinar). Podem ocorrer sintomas obstrutivos do trato urinário inferior na hipertrofia benigna da próstata, sem que a próstata esteve realmente aumentada.

 

2. Diagnóstico da hiperplasia benigna da próstata

A ultrassonografia do trato urinário e da próstata avalia os rins, a bexiga, o volume da próstata. Certamente é o exame de imagem solicitado pelos médicos para investigação inicial. A urografia excretora, tomografia e ressonância são exames solicitados, se o urologista quiser avaliar uma particularidade específica. Menos frequentemente solicitado, mas as vezes fundamental, a cistouretrografia miccional pode avaliar como se abre a uretra prostática durante a micção e, inclusive, se há estreitamento uretral.

Exames funcionais podem ser solicitados para confirmação da obstrução. O estudo urodinâmico investiga a força da bexiga em relação à obstrução da urina quando passa pela próstata e uretra.

 

3. Tratamento clínico

hiperplasia benigna da próstata inicialmente é tratada com remédios que abrem a prostática e favorecer o esvaziamento ao urinar. São chamados de alfa-bloqueadores. Outros remédios podem diminuir seu volume, e isto ocorre em até 4% dos casos. Saiba mais em: http://www.auanet.org/guidelines/surgical-management-of-lower-urinary-tract-symptoms-attributed-to-benign-prostatic-hyperplasia-(2018)

 

4. Tratamento cirúrgico da hiperplasia benigna da próstata

O mais importante tratamento da hiperplasia benigna da próstata é a ressecção endoscópica da próstata, chamado de padrão ouro. Ela remove da porção da próstata (zona transicional) que obstrui a uretra, no segmento intra-prostático. Entretanto, outras cirurgias para próstata são realizadas com diferentes fontes de energia, tais como vaporização a laser, ressecção com bisturi monopolar e com HoLEP. Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/holmium-laser-para-enucleacao-da-prostata/

 

5. Fatores de risco e prevenção

Existem alguns fatores de risco clínicos e metabólicos que podem ser controlados com um estilo de vida mais saudável, como: sedentarismo, obesidade, diabetes, hipercolesterolemia (colesterol alto), síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, uso de álcool e tabaco, inflamações prévias prostáticas e sondagem vesical (risco para estenose da uretra e infecção do trato urinário). Não menos importante, mas significativo, também existem fatores de risco relacionados à idade e à hereditariedade.Estes fatores podem ser minimizados pelo acompanhamento médico e controle das doenças específicas. Além disso, a adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física e uma alimentação adequada.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

https://uroweb.org/guideline/treatment-of-non-neurogenic-male-luts/

HoLEP – Enucleação da próstata com holmium laser

Reposição hormonal masculina – Entenda

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Reposição hormonal masculina quando bem diagnosticada por sinais e sintomas e exames laboratoriais, deve ser tratada. Qualquer homem com queixa de baixa de energia, indisposição, cansaço, dificuldade para ter ereção, sonolência pode apresentar deficiência de testosterona até prova do contrário.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas da deficiência de testosterona podem ser confundidos com outras doenças dos homens que estão envelhecendo. Assim, diabetes mellitus tipo 2, doença cardiovascular e a síndrome metabólicadefinida pela resistência à insulina, obesidade, anormalidades lipídicas e hipertensão. Todas elas apresentam sintomas não específicos de cada uma destas doenças. Entretanto, doenças que afetam o sistema nervoso central podem causar diminuição acentuada da produção de testosterona. Saiba mais sobre a doenças associadas ao hipogonadismo: https://www.drfranciscofonseca.com.br/deficiencia-de-testosterona-e-doencas-associadas/

reposição hormonal

Definição laboratorial do hipogonadismo

A Sociedade internacional de Andrologia, a Sociedade Internacional para o Estudo do Envelhecimento Masculino (ISSAM) e a Sociedade Europeia de Urologia (EUA) determinaram os seguintes níveis de dosagem sanguínea da testosterona total e livre para considerar a reposição hormonal:

1. Níveis de testosterona total menor que 8nmol/L (2,31ng/mL) ou testosterona livre menor que 180pmol/L (52pg/mL) requerem reposição hormonal de testosterona

2. Níveis de testosterona total maior 12nmol/L (3,46ng/mL) ou testosterona livre maior que 250pmol/mL (72pg/mL) não requerem reposição hormonal de testosterona

3. A reposição de testosterona pode ser considerada em homens sintomáticos, com níveis de testosterona entre 8 e 12nmol/mL. Assim sendo, um teste clínico para avaliar se ocorre melhora clínica dos sintomas relatados pelo paciente.

Relação da testosterona com outras doenças

A testosterona baixa é fator de risco para diabetes e síndrome metabólica. Por isso, sua deficiência prediz risco de três vezes maior para desenvolver estas doenças em 8 anos.

A prevalência de baixa testosterona em homens com disfunção erétil foi estimada em 10-20%. Uma revisão de nove estudos com dosagem de testosterona em pacientes com disfunção erétil encontrou seus níveis menor que 10,4nmol/L (3ng/ml) em 14,7% dos 4.342 homens com mais de 50 anos. Saiba mais em:  https://www.drfranciscofonseca.com.br/testosterona-e-diabetes/

Por que fazer reposição hormonal

A reposição de testosterona tem impacto direto em várias doenças. Atua no metabolismo interno das células alvo do organismo, visto que age no metabolismo da glicose, proteína e gordura.

Portanto, a reposição baseada na clínica dos pacientes com baixos níveis de testosterona apresenta claro benefício nos seguintes aspectos:

1. Raciocínio, humor, inclusive melhora da depressão, energia e bem estar

2. Composição corporal por aumento dos músculos e diminuição da gordura

3. Diminuição na circunferência da cintura, glicemia de jejum, diminuição da hemoglobina glicada e melhora dos níveis do colesterol [(diminuição do colesterol, aumento do colesterol bom (HDL) e diminuição do colesterol ruim (LDL)].

4. Melhora das coronárias pela dilatação coronariana.

Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/importancia-da-testosterona-para-o-coracao/

5. Melhora da densidade óssea, especialmente comprovada na densidade mineral óssea na coluna lombar

6. Melhora na função sexual, incluindo a motivação, pensamentos sexuais, função erétil e frequência de intercursos bem sucedidos.

7. Síndrome de deficiência de testosterona e doenças sistêmicas. Assim sendo, a reposição tem efeito benéfico em:

  • Homens infectados pelo HIV por aumento da massa muscular, bem estar, melhora da qualidade de vida e do humor,
  • doença pulmonar obstrutiva crônica por aumento da massa magra, especialmente em homens com terapia crônica com corticosteroide e osteoporose.

Além disso, parece ter efeitos positivos em pacientes com exposição a opióides, com câncer e portadores de artrite reumatóide.

Como é feita a reposição hormonal masculina?

A reposição hormonal pode ser feita por injeção intra-muscular de testosterona, com ação em torno de 3 meses. Assim como, por gel de testosterona de uso diário, aplicado nos braços. Entretanto, é contra-indicada a reposição de testosterona de curta duração por injeção. Ela promove pico de testosterona muito acima do normal.

A reposição hormonal que prefiro é a mais fisiológica. É realizada com remédio oral e que praticamente não apresenta efeitos colaterais. Sua ação promove aumento do hormônio luteinizante na hipófise, que por sua vez age nos testículos, nas células de Leydig. Desta maneira, estas células produzem testosterona. Assim sendo, pode inclusive aumentar o volume testicular. Deve ser tomado a noite para aumenta a testosterona de madrugada. Desta maneira, ajuda nas ereções noturnas espontâneas, na fase REM do sono. Nesta fase, sonhamos e dura por volta de 2 horas.

O sucesso do tratamento ocorre em torno de 85-90% dos pacientes tratados. Entretanto, no seu insucesso, deve-se aplicar a reposição de testosterona injetável ou gel. A testosterona é fundamental para a boa função do nosso organismo. Por isso, o tratamento é contínuo, pelo resto da vida. Todavia, estes tratamento por injeção de testosterona causa diminuição dos testículos.

Cuidados e contra-indicações

Nunca deve ser oferecido testosterona oral. Por esta via, afetam o metabolismo hepático e por consequência, está relacionada com a gênese do câncer hepático.

Nunca oferecer a pacientes com nível de testosterona normal. O seu aumento supra-fisiológico é deletério aos órgãos sensíveis `a testosterona. Com consequente, dano ao organismo. Estes pacientes geralmente se tornam agressivos e explosivos, podendo ser causadores de atitudes indesejadas em sociedade. Além disso, são rotineiramente envolvidos em brigas de rua. Saiba mais em: http://www.issm.info/news/review-reports/who-would-benefit-from-testosterone-therapy/

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

http://www.issm.info/news/review-reports/who-would-benefit-from-testosterone-therapy/

Importância da testosterona para o coração

Testosterona e Diabetes – Entenda a relação

Testosterona na obesidade – Entenda sua importância

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Os casos de baixa testosterona na obesidade vem aumentando nas sociedades em desenvolvimento e desenvolvidas no mundo. É considerado um problema grave de saúde pública, assim como o seu extremo, a desnutrição como flagelo da fome.

O desperdício alimentar dos ricos poderia nutrir os famintos do mundo dos pobres.

A razão básica é o erro alimentar e pouca atividade física, além da susceptibilidade genética. Entretanto, a obesidade pode ser causada por distúrbios endócrinos, medicamentos e transtornos mentais.

Sociedades desorganizadas progridem com dificuldades e com grandes desigualdades sociais. Sociedades bem organizadas promovem saúde desde a infância. Crianças aprendem a comer em casa e na escola. Estas razões podem contribuir para a obesidade. Entenda mais sobre a função da testosterona no homem em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/importancia-da-testosterona-para-saude/

A célula adiposa é uma célula endócrina?

A obesidade é definida como excesso de tecido adiposo. A célula adiposa é uma célula endócrina. Portanto, o tecido adiposo é um órgão endócrino. Como tal, o tecido adiposo secreta metabólitos, citoquinas, lipídios e fatores de coagulação, entre outros. O excesso de adiposidade causa níveis aumentados de testosterona na obesidadeácidos graxos circulantes e inflamação. Isso pode levar à resistência à insulina e a diabetes tipo 2.

A obesidade aumenta com o envelhecimento, ocorrendo neste período uma queda progressiva dos níveis séricos de testosterona.

A obesidade aumenta o risco de mais de trinta tipos de doenças crônicas. Inclusive, a depressão e vários tipos de câncer.

Sobrepeso e obesidade

O IMC é o índice de massa corpórea.

  • sobrepeso é definido pelo IMC de 25-29,9;
  • obeso classe I pelo IMC de 30-34,9;
  • obeso classe II de 35-39,9;
  • obeso classe III maior que 40

Os riscos `a saúde aumentam com a obesidade. Estes pacientes devem ser tratados e desta maneira, melhorar sua qualidade de vida. Além disso, há diminuição da mortalidade prematura.

Tratamento da baixa testosterona na obesidade

O principal tratamento para a obesidade é a dieta e o exercício físico.

Programas de dieta produzem perda de peso no curto prazo. A manutenção do peso é difícil e além disso, exige mudança do estilo de vida. Assim, nos obesos, o exercício deve ser cuidadoso para evitar lesões traumáticas.

A testosterona desempenha um papel crítico na regulação da energia, incluindo retenção de nitrogênio, carboidratos e no metabolismo de gordura.

O nível de baixa testosterona na obesidade foi registrado em 52% nos obesos. Entretanto, pode a chegar a 75% em homens com IMC maior que 40. Além disso, estes pacientes apresentarem diabetes tipo 2 e estes índices podem ser maiores.

A testosterona é modulador fisiológico da composição corporal. Assim, tem papel na aumento da miogênese e na inibição da adipogênese. Estudos relatam que o tratamento com testosterona diminuiu a massa gorda e aumenta a massa magra. No entanto, em estudos de curto prazo o efeito é mínimo ou moderado sobre a perda de peso.

Doenças comuns que são beneficiadas pela reposição da testosterona

A testosterona baixa é fator de risco para a síndrome metabólica, diabetes tipo 2, acidente vascular cerebral.

A Federação Internacional de Diabetes elaborou a definição da síndrome metabólica. 

obesidade central é definida pela circunferência da cintura maior que 94cm e dois ou mais dos seguintes quatro fatores:

  • triglicerídeos elevados maior que 150 mg/dL,
  • reduzidos do HDL-colesterol menor que 40 mg/dL,
  • pressão arterial elevada sistólica maior que 130 mm Hg e diastólica maior que 85 mm Hg e
  • aumento da glicemia plasmática em jejum maior que 100 mg/dL (diabetes tipo 2).

Se quiser saber sobre diabetes e testosterona clique em mais: 

Os níveis de testosterona são reduzidos em homens com diabetes. Há associação inversa entre níveis de testosterona e hemoglobina glicosilada. Assim como há uma relação inversa entre indicadores de obesidade e níveis baixo de testosterona em todas as faixas etárias. A sua reposição causa redução de peso e redução da resistência à insulina. A adiposidade e o hiperinsulinismo suprimem a síntese de globulina carreadora do hormônio sexual (SHBG) e os níveis de testosterona. A insulina e a leptina suprimem a esteroidogênese testicular.

A testosterona agem em células pluripotentes

A testosterona regula a linhagem das células pluripotentes mesenquimais, promove a linhagem miogênica e inibe a adipogênica. A reposição da testosterona inibe a captação de triglicerídeos e a atividade da lipase lipoprotéica. Por isso há gasto rápido de triglicerídeos no tecido adiposo abdominal e eleva os lipídios do depósito de gordura visceral. Assim, há aumento da massa corporal magra e redução na massa de gordura. Além disso, a reposição da testosterona aumenta a motivação, melhora o humor e promove estilo de vida mais ativo. A atividade física aumenta o gasto energético, contribuindo diretamente para maior perda de peso.

As mitocôndrias desempenham papel crítico na regulação do metabolismo de lípidos, proteínas e carboidratos. A testosterona  aumenta a fosforilação oxidativa na mitocondria, e por isso é aumentado o gasto energético.

Tratamento com testosterona

O tratamento com testosterona na obesidade reduz a gordura e aumento da massa magra. Assim como diminui a glicemia de jejum e a resistência à insulina, portanto aumenta sua sensibilidade. Além disso, há melhora do perfil lipídico, assim como diminui a pressão arterial.

Concluindo, a perda de peso corporal é continua se os níveis de testosterona se mantiverem normalizados a longo dos anos. Por isso, melhora a sobrevida dos pacientes. Certamente por reduzir diretamente os fatores de risco destas inúmeras anormalidades metabólicas causada pela obesidade. Saiba mais sobre a testosterona associada a doença em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/deficiencia-de-testosterona-e-doencas-associadas/

Saiba mais em: https://uroweb.org/guideline/male-hypogonadism/

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referências

https://uroweb.org/guideline/male-hypogonadism/

https://www.drfranciscofonseca.com.br/wp-admin/post.php?post=4254&action=edit

https://uroweb.org/wp-content/uploads/Male-Hypogonadism-2012-pocket-portuguese.pdf

Hipogonadismo masculino – Principais causas

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Hipogonadismo masculino é causado pela queda dos níveis de testosterona no sangue. Por isso, causa significativa perda na qualidade de vida. Saiba mais sobre hipogonadismo em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/importancia-da-testosterona-na-obesidade/ e  https://www.drfranciscofonseca.com.br/sinais-e-sintomas-do-hipogonadismo-masculino/

Função do escroto

Na maioria dos mamíferos, o testículo está fora do corpo para que a temperatura fique mais baixa que a corporal. Pois isso, no homem, é de 1 a 2 graus Celsius menor que a do corpo para manter a espermatogênese. Isto por que há melhor desempenho das enzimas envolvidas na formação dos espermatozóides e produção de testosterona. Mais de 90% da testosterona circulante é testicular.

O escroto é um órgão especializado para manter a temperatura baixa local. Para isso, o plexo venoso do cordão espermático dissipa calor. O cremaster é um músculo sob controle involuntário que suspende ou baixa o testículo. Com isso, a temperatura local é mantida pelo reflexo cremastérico em relação ao meio ambiente. O escroto possui pouca gordura em sua parede. Além disso, é rico em glândulas sudoríparas para dissipar o calor. Todas estas especializações visam o controle térmico.

Função dos testículos

Além da formação dos espermatozoides, o testículo produz a testosterona. Este hormônio é fundamental para o desenvolvimento da genitália e dos caracteres secundários masculinos. Como todo hormônio age onde houver receptores celulares, agindo em diferentes órgãos do nosso organismo e com enorme impacto parhipogonadismoa funcionalidade orgânica.

Entretanto, ela age por ação direta nos músculos estriados, inclusive no músculo cardíaco, o miocárdio.

Ciclo da produção da testosterona

A produção de testosterona oscila nas 24 horas do dia, mais alta entre 8 e 12 horas e mais baixa entre 20 e 24 horas. É conhecido como ciclo circadiano.

Os idosos oscilam com níveis bem inferior aos adultos jovens. Há oscilações na sua produção da testosterona durante a vida, com aumento no período fetal e neonatal até os 6 meses de vida.

Porém, há queda quase completa durante a infância e aumenta na adolescência. Nesta fase, é responsável pelo desenvolvimento dos caracteres secundários  e pelo estirão do crescimento.

Há aumento da testosterona no final da gestação. Por isso, os testículos descem para o escroto no bebe a termo e na maioria até o terceiro mês.

O envelhecimento causa naturalmente queda da testosterona. O hipogonadismo é definido pela testosterona total menor que 300 ng/dL e/ou testosterona livre menor que 6,5 ng/dL. Desta maneira, o hipogonadismo é visto em 8%, 13%, 19% e 27%, nas faixas etárias de 40-49, 50-59, 60-69, 70-79 anos, respectivamente. Além disso, estima-se que após os 40 anos ocorra queda de 1% ao ano.

O que causa a queda da testosterona no corpo – hipogonadismo

A queda da testosterona causa diminuição da libido, disfunção erétil, dificuldade no orgasmo, das ereções espontâneas noturnas e matinais. Além disso, das características secundárias, diminuição ou ausência da produção de espermatozoides. Saiba mais em: https://uroweb.org/guideline/male-infertility/#5

No estado mental, a sua queda causa diminuição da energia, da vitalidade, do bem estar, fadiga, depressão, letargia. Além disso, redução da motivação, fogachos, diminuição do raciocínio, esquecimento e insônia.

Mais ainda, a sua queda pode acarretar piora do raciocínio nos portadores do mal de Alzheimer ou doença de Parkinson.

A queda da testosterona diminui a densidade óssea, osteopenia ou seja, diminuição de cálcio ósseo, tornando-o mais propensos a fratura. Mais ainda, diminuição da massa e força muscular, incluindo o cardíaco. Além disso, aumenta a gordura corporal, causa ginecomastia, anemia e resistência a insulina.

A testosterona produz leptina, um hormônio controlador do apetite que promove o emagrecimento.

Doenças que podem causar hipogonadismo

Há aumento do hipogonadismo em portadores de diabetes, obesidade, AIDS, insuficiência renal, bronquite, artrite reumatoide, anorexia nervosa e hipotireoidismo. Mais ainda, alcoolismo, doença hepática crônica, doenças agudas, quimioterapia e outras drogas comuns usadas na rotina clínica diária. Saiba mais em:

://drfranciscofonseca.com.br/baixa-testosterona/ https://www.drfranciscofonseca.com.br/baixa-testosterona/

A testosterona baixa ocorre em obesos, doenças sistêmicas graves, ausência dos testículos, criptorquidia ou seja,testículos localizados fora da bolsa, varicocele. Mais ainda, doenças genéticas, desnutrição, doenças neurodegeneraticas, trauma e caxumba.

Saiba mais em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/varicocele/diagnosis-treatment/drc-20378772

Todavia, medicamentos podem causar queda da testosterona: neurolépticos, tiazídicos, inderal, reserpina, corticoides, cetoconazol, amiodarona. Além desses, fenotiazida, haldol, tricíclicos, iMAO, estatinas em altas doses, maconha, entre outros.

Nunca esqueçam que todo medicamento pode ter efeitos colaterais individuais e pode ser a causa da queixa clínica.

Testosterona e obesidade e síndrome metabólica

O hipogonadismo masculino tem relação direta com a obesidade e a síndrome metabólica, com repercussões negativas para múltiplos órgãos. Assim, a presença de três dos cinco fatores a definem:

  • anormalidade da glicemia/resistência insulínica,
  • aumento da circunferência abdominal/IMC (gordura visceral),
  • elevação da pressão sanguínea,
  • elevação dos triglicérides e
  • diminuição do HDL colesterol.

O hipogonadismo prediz a diabetes e maior risco para doenças cardiocirculatórias

A baixa da testosterona aumenta a mortalidade. Porém, a reposição da testosterona melhora a sobrevida de forma significativa. Assim, o tratamento com medicamentos aumentar e melhorar a qualidade de vida, incluindo a condição física e mental. Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/baixa-testosterona/

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Referência

https://uroweb.org/guideline/male-infertility/#5

https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/varicocele/diagnosis-treatment/drc-20378772

Cálculo Renal – Conheça os principais tipos

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O diagnóstico do tipo de cálculo renal é importante para o planejamento do tratamento do paciente portador de litíase renal (kidney lithiasis). Por isso, devem ser tomadas medidas preventivas para que não ocorra a recorrência da doença. Ao diagnóstico inicial, muitos pacientes já possuem outros cálculos dentro dos rins, no chamado sistema coletor urinário. Portanto, estes pacientes poderão apresentar futuras crises de cólica nefrética – nephretic colic (cólica renal).

Nunca esquecer que a maioria dos portadores de cálculos renais não apresentam doença renal e sim, uma doença metabólica que causa a formação de cálculos renais.

A dor ocorre durante a expulsão do cálculo pelo uréter, ou seja, órgão que conduz a urina dos rins a bexiga. Portanto, raramente é causada quando o cálculo renal esta dentro do rim. Somente quem teve uma cólica nefrética pode saber o quanto doe para expulsar um cálculo renal. Portanto, reconhecer os fatores de risco para evitar sua recidiva é absolutamente importante ao paciente. Você precisa saber.

Cabe ao médico especialista procurar esclarecer sua composição. Desta maneira, as medidas clínicas poderão ajudá-lo na sua profilaxia, ou seja, para impedir a formação de outros cálculos renais.

A doença na maioria das vezes não é uma doença renal e sim, metabólica. Com isso, quero dizer que são produtos finais do metabolismo que são excretados pela urina que favorecem sua formação. Entenda mais sobre cálculo renal em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/pedra-no-rim-entenda-mais/ e https://www.drfranciscofonseca.com.br/e-possivel-prevenir-pedra-nos-rins/

Tipos de cálculos renais
cálculo renal

Há vários tipos de cálculos e por isso, são dependentes da sua constituição química.

Cálculos que contém cálcio:

  • oxalato de cálcio monohidratado, dihidratado hexahidatado (menos duros que os monohidratados) e carbonato de cálcio.

Cálculos que contenham fosfato:

  • magnésio amônio fosfato, fosfato de cálcio básico, cálcio hidroxil fosfato, carbonato apatita fosfato e cálcio hidrogênio fosfato

Cálculos de ácido úrico e urato:

  • ácido úrico, ácido úrico dihidratado e amônio urato

Cálculos de origem genética:

  • cistina, xantina e 2,8-dihidroxiadenina

Cálculo por uso de drogas:

  • indinavir (droga que era usada no tratamento do HIV), sulfonamida e claritomicina

Cálculos renais mistos

A sua composição do cálculo renal se relaciona com a sua identificação pelos meios de imagem. assim, os cálculos que contém cálcio são radiopacos, os de fosfato são pobremente radiopacos (e cistina) e os genéticos/por drogas são radiotransparentes na radiografia simples.

Todavia, a tomografia computadorizada apenas não identifica os cálculos de indinavir, ou seja, droga antiga que era usada no tratamento do aids, no sistema excretor urinário. A tomografia é o exame reconhecido como padrão ouro e deve ser feito sem contraste na emergência.

Fatores de risco do cálculo renal

Os fatores de risco relacionados ao paciente são classificados em:

  • hereditário,
  • adquirido,
  • anatômico
  • e metabólico.

A sua pesquisa é baseada na análise do cálculo após sua eliminação, exames do sangue e da urina colhida durante 24 horas. Por isso, são imprescindível para planejamento das estratégias de prevenção.

Os produtos metabólicos gerados no organismo produzem o ambiente relacionado a formação do cálculo, predispondo portanto a cristalização inicial do cálculo renal. Assim, estes elementos eliminados na urina em maior concentração na urina predispõem a sua gênese.

Fatores de risco urinários:

  1. baixo volume urinário (pacientes que vivem desidratados),
  2. persistência do pH urinário ácido ou alcalino,
  3. hipercalciúria,
  4. hiperoxalatúria,
  5. hiperuricosúria,
  6. hipocitratúria
  7. hipomagnesúria.

O estilo de vida e alimentação estão diretamente relacionadas a formação dos cálculos:

  1. obesidade-diabetes e síndrome metabólicametabolic syndrome (hipertensão arterial, glicemia, triglicérides elevados, HDL baixo (homens menos que 40mg/dl e nas mulheres menos do que 50mg/dl) e obesidade central (circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher e 102 cm no homem)
  2. diminuição do volume de água ingerida/desidratação,
  3. dieta pobre em fibras,
  4. dieta rica em proteína,
  5. dieta rica em sal,
  6. dieta rica em carbohidrato,
  7. dieta rica em oxalato, alto/baixo consumo de cálcio, estresse e vida sedentária.

Beber água para profilaxia

Nosso país tropical deve-se beber normalmente mais água do que refere os Guidelines das sociedade urológicas. Dizem que se deve beber 2,5 litros. Assim, deve-se beber água para que toda micção a urina apresente uma coloração amarelo clara, indicando que o organismo está bem hidratado. Portanto, o parâmetro para boa hidratação é estar urinando claro. Saiba mais em: https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/#3

Quem tem cálculo renal deve urinar uma urina clara, se não estiver clara o paciente deve beber mais água para se hidratar. Isto reduz 20% das recidivas.

Finalizando, a identificação dos fatores de risco dos pacientes são fundamentais para que possamos planejar o tratamento para impedir a recidiva dos cálculos renais, ou seja sua prevenção do cálculo renal (prevention). Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/prevencao-do-calculo-renal/ https://www.drfranciscofonseca.com.br/tag/dieta-para-calculo-renal/

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Referência

https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/#3

https://www.drfranciscofonseca.com.br/tag/dieta-para-calculo-renal/

 

Cálculo de ácido úrico – diagnóstico e tratamento

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O cálculo de ácido úrico se forma em pacientes com urina mais ácida que o normal. O pH urinário é flutuante ao longo do dia. O pH cai após cada refeição. O pH urinário de pessoas normais está em média ao redor de 6. Por outro lado, nos portadores de cálculo de ácido úrico está em torno de 5,4.

A noite há diminuição natural do pH, pela maior concentração urinária e carga ácida excretada. Neste pH mais ácido, a urina fica supersaturada por cristais de ácido úrico insolúveis. Netas condições, favorece a precipitação do ácido úrico, assim como a formação de cálculo de cálcio.

Doenças induzidas pelo ácido úrico

Há três tipos diferentes de doença renal induzida por ácido úrico:

  • nefropatia úrica aguda,
  • nefropatia crônica por urato e
  • nefrolitíase por ácido úrico.

A última está relacionada com doença causadora de cólica nefrética (cólica renal) por cálculo de cálcio.

As duas primeiras doenças são raras. São causadas pela deposição do ácido úrico não dissociado nos túbulos renais e/ou de cristais de urato monossódico no cálculo de ácido úricointerstício dos túbulos renais.

São causadas quando há grande produção de ácido úrico, de maneira aguda ou crônica. Geralmente são causadas por produção exagerada, como na quimioterapia para tumores hematológicos. Ela causa enorme destruição tumoral, produzindo enormes quantidades de ácido úrico que são excretadas pelos rins.

Os cálculos de ácido úrico eliminados espontaneamente na urina ou quando vistos nos procedimentos endoscópicos apresentam uma coloração alaranjada. Estes pacientes produzem grandes quantidades de pequenos cálculos no sistema excretor urinário, que causam crises repetitivas de obstrução ureteral.

De onde vem o ácido úrico?

A produção endógena do ácido úrico depende da síntese e catabolismo celular. Assim, há uma constante produção de 300 a 400 mg/dia. A produção exógena é de 500 mg/dia, porém mais alta no consumo das proteína.

O ácido úrico é a molécula final do metabolismo das purinas. Ou seja, elas são oriundas as bases nitrogenadas do ácido nucléico do DNA, a adenina e guanina. Dois terços do ácido úrico produzido no organismo é excretado pela urina e o restante pelas fezes.

Os dois fatores mais importantes para precipitação do ácido úrico são:

  • a concentração de ácido úrico elevada na urina e
  • o pH urinário ácido.

O ácido úrico é completamente filtrado pelos glomérulos, reabsorvido e secretado pelos túbulos proximais. Aproximadamente 10% do que é filtrado é excretado pela urina.

Nestas circunstâncias, a reação química se dirige para a direita. Por isso, converte o sal de urato, relativamente solúvel, para ácido úrico insolúvel. Desta maneira, há formação do cálculo no sistema excretor urinário. O urato de sódio é 20 vezes mais solúvel na urina que o ácido úrico.

Tratamento medicamentoso, por que funciona?

A queda do pH urinário abaixo de 5,5 causa aumento do ácido úrico insolúvel. Por isso, favorece a formação do cálculo de ácido úrico. Por outro lado, a alcalinização da urina causa maior concentração urato, que é solúvel na urina. Desta forma, diminuindo o cálculo de ácido úrico até sua completa dissolução.

O pH urinário diminui com a obesidade e por isso, favorece a formação do cálculo de ácido úrico.

As três principais alterações metabólicas relacionadas a formação do cálculo de ácido úrico são:

  • o pH urinário baixo,
  • o baixo volume urinário nas 24 horas e
  • as doenças que produzem hiperuricosúria.

O baixo volume e o pH ácido da urina conduz a conversão do sal de urato, relativamente solúvel, em ácido úrico, insolúvel.

Há diminuição da amônia excretada na urina nos obesos e nos formadores de cálculo de ácido úrico. Esta substância tampona a quantidade de ácido na urina. Isto favorece a formação do cálculo de ácido úrico. A amônia é o principal tampão da acidez urinária, apesar de existir outros, representa até 80% em pessoas normais. Entretanto, a quantidade de amônia diminui com o aumento do IMC.

Pacientes com risco de litíase de ácido úrico

A incidência do cálculo urinário é maior nos homens e aumenta com a idade. Ocorre em torno de 5 a 10% nos portadores de cálculo renal. Em contraste, pode atingir até 40% dos casos em países com clima quente e árido. Por que as pessoas produzirem pouca urina nas 24 horas e o pH urinário se mantém ácido. Por isso, favorece a precipitação do ácido úrico.

A frequência de cálculo de ácido úrico entre os pacientes portadores de gota é de 25 a 40%. O risco de ambos, cálculo de ácido úrico e cálculo de cálcio está aumentado em pacientes com gota. Nos diabéticos ocorre em até 35%.

Os homens e os dálmatas, entre os mamíferos, não possuem a enzima uricase que transforma ácido úrico em alontoína. Por isso, são formados os cálculos de ácido úrico.

Obesidade, um grande risco para cálculo de ácido úrico

A obesidade favorece o cálculo de ácido úrico, podendo chegar a 40%. Portanto, quanto mais obeso menor é o pH urinário.

São pacientes de risco: portadores da doença gotosa, pessoas que consomem álcool e frutose, pacientes com síndrome metabólica. Ela é definida pela obesidade, resistência à insulina, diabetes mellitus, hipertensão arterial, baixa do HDL-colesterol e aumento do triglicérides.

Além disso, pacientes com diarréicas crônicas, consumidores de medicamentos que causam hiperuricosúria (probenecide, salicilatos), diuréticos tiazídicos, quimioterápicos, como ciclosporina, consumidores de proteína, portadores de neoplasias linfomieloproliferativas e mieloma múltiplo.

Assim como, doenças familiares por deficiência da enzima xantino-oxidase e da hipoxantina-guanina fosforibosiltransferase ou hiperatividade da fosforibosilpirofosfato sintetase, que mantém o pH urinário constantemente menor que 5,5.

Outras causas são as situações que diminuem a urina por desidratação, como os estados diarréicos crônicos, com a sudorese excessiva, como as pessoas que realizam exercícios físicos prolongados e com baixa ingestão de líquido. Hiperuricosúria nem sempre está presente em pacientes com cálculo de ácido úrico.

O diabetes e síndrome metabólica estão associados com aumento da incidência de cálculo de ácido úrico. Possivelmente relacionado à redução da amoniogênese e diminuição do pH urinário.

A obesidade causa alteração nos túbulos proximais, chamada lipotoxicidade renal, predispondo a formação de cálculo de ácido úrico.

Exame de imagem no cálculo de ácido úrico

Os cálculos de ácido úrico não são visíveis na radiografia simples do abdômen. São radiotransparentes, assim como, os cálculos de xantina e de 2,8 dihidroadenina.

A tomografia computadorizada sem contraste mostra o cálculo no sistema excretor urinário, sua localização e número de cálculos.

A densidade dos cálculos de ácido úrico apresentam atenuação de 415 UH, unidade Hounsfield, considerada baixa. A confirmação do diagnóstico é feita pela análise química do cálculo. Desta maneira, cristais de ácido úrico na urina revelam a origem do cálculo na investigação inicial da crise de cólica renal.

Tratamento clínico do cálculo de ácido úrico

A ingestão aumentada de líquido é previne todos os portadores de cálculos urinários. Estes pacientes devem monitorar sua diurese,  urinando muitas vezes por dia e com urina clara. Assim, a pessoa está bem hidratada. Todavia, no verão é preciso beber ainda mais água. Esta conduta reduz 20% a recorrência de novos cálculos.

Deve-se monitorar o pH da urina de 24 horas no diagnóstico e durante o tratamento. Por isso, o pH nunca deve ser maior que 6,8. O tratamento com citrato de potássio mantém o pH entre 6 e 6,5. Ele forma complexos solúveis com cristais urinários. Além disso, o citrato de potássio forma complexos com cálcio, diminui a saturação e a cristalização dos sais de cálcio, corrige a hipocitratúria em cálculo de cálcio, reduz crescimento de cristais ou de cálculos já formados. Mais ainda, restaura o citrato urinário a valores normais, reduz a excreção de cálcio urinário, reduz a saturação de oxalato de cálcio, aumenta a atividade inibitória contra oxalato cálcio e restaura o balanço positivo de cálcio.

O pH urinário de 6,75 transforma mais de 90 por cento do ácido úrico para urato, um sal mais solúvel. Por isso, minimizando o risco de precipitação do ácido úrico. Este regime pode dissolver cálculos preexistentes e prevenir a formação de novos cálculos. Este tratamento é tratado com medicamento, eliminação química e com medidas dietéticas. O pH urinário deve estar entre 6,3 e 6,8 para produzir o máximo de solubilidade do cristais de ácido úrico. Porém, acima disto forma-se o cálculo de fosfato de cálcio.

A melhor das frutas: o limão

As frutas cítricas aumentam o pH urinário. A melhor das frutas é o limão, pois produz 5 vezes mais citrato na urina do que a laranja. Por isso, os formadores de cálculo de ácido úrico devem tomar 2 a 3 limonadas por dia.

O halopurinol não deve ser prescrito no início, exceto quando há um excesso de ácido úrico na urina, maior que 850mg/d.

O citrato de potássio causa queda do cálcio urinário e aumenta a quantidade de citrato na urina. Ele é um dos mais importante inibidores para formação de cálculos urinários, antiagregante de cristais e alcalinizante da urina. Porém, deve ser usado com cautela em pacientes com insuficiência renal.

Restrição dietética

Aproximadamente 30% do ácido úrico urinário é derivado ingestão dietética de purina. Portanto, deve-se restringir o consumo de grãos, álcool e em especial de proteína para 150 a 200 mg/dia, independente de ser carne bovina, ave ou peixe.

A proteína do peixe produz maior quantidade de ácido úrico na urina de 24 h, 10% acima da bovina e do frango. Uma dieta restritiva de purinas por alguns dias reduz os níveis de ácido úrico no sangue de 4,95 para 2,95 mg/dL. Os crustáceos são ricos em purinas e sempre devem ser evitados.

Deve-se restringir o consumo de sal (cloreto de sódio) para 2 a 3 gramas por dia.

A ingestão de álcool aumenta a uricemia por incrementar a degradação da adenosina trifosfato em adenosina monofosfato, que é convertida para ácido úrico. A cerveja apresenta maior risco que as bebidas destiladas, enquanto a ingesta moderada de vinho não aumenta o risco. A cerveja é rica em purinas, em especial guanosina, favorecendo a hiperuricemia e a gota.

Tratamento cirúrgico

Cálculos na pelve renal podem ser submetidos a tratamento com ondas de choque para fragmentá-los. Os obstrutivos no ureter podem ser tratados pela ureterolitotripsia endoscópica. Ou seja, pela fragmentação com visão direta dentro do ureter, usando fontes de energia para fragmentá-los. Leia mais em: http://www.auanet.org/guidelines/stone-disease-medical-(2014) e https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/

A orientação médica ajuda a planejar o tratamento dos pacientes com cálculo de ácido úrico. Além disso, evita os episódios subsequentes de cálculos para os pacientes de alto risco para sua formação.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

 

http://www.auanet.org/guidelines/stone-disease-medical-(2014)

https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/

Cálculo de ácido úrico – Entenda

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Cálculo de ácido úrico é formado em pacientes com urina mais ácida do que o normal. O pH urinário é flutuante ao longo do dia. Contudo, há uma queda do pH após cada refeição do dia.

O pH urinário normal está ao redor de 6. Todavia, nos pacientes com cálculo de ácido úrico está em torno de 5,4. A urina fica mais concentrada a noite. Por isso, há diminuição do pH urinário pela maior concentração de carga ácida excretada. Por isso, neste pH mais ácido, a urina fica supersaturada por cristais de ácido úrico insolúveis. Desta maneira, há formação do ácido úrico, assim como do cálculo de cálcio.

Há três tipos diferentes de doença renal induzida por ácido úrico ou deposição de cristais de urato:

  • nefropatia úrica aguda,
  • nefropatia crônica por urato e
  • nefrolitíase por ácido úrico (uric acid nephrolithiasis),

A última está relacionada com doença causadora de cólica renal por cálculo de ácido úrico. As duas primeiras doenças são raras. São causadas pela deposição do ácido úrico não dissociado nos túbulos renais ou cristais de urato monossódico no interstício dos túbulos renais. São causadas quando ocorre uma grande produção de ácido úrico, de maneira aguda ou crônica. Geralmente c163434383_rosto_garota_frutas_legumesausada por razões anormais que geram sua produção, como na quimioterapia para tumores hematológicos que produz enormes quantidades de ácido úrico e são excretadas pelos rins (overproduction and overexcretion of uric acid).

Cálculo renal e exames de imagem

Os cálculos de ácido úrico não são visíveis na radiografia simples do abdômen. Da mesma maneira, que os cálculos de xantina e de 2,8 dihidroadenina.

A tomografia computadorizada sem contraste revela o cálculo no sistema excretor urinário, mostrando sua localização e número de cálculo. Assim, a tomografia helicoidal estima o tamanho do cálculo e sua densidade, em torno de 415 UH (Unidade Hounsfield), que é baixa.

Os cálculos de ácido úrico quando eliminados espontaneamente ou vistos na endoscopia são alaranjados. Estes pacientes produzem grandes quantidades de pequenos cálculos no sistema excretor urinário. Por isso, podem causar crises repetitivas de obstrução ureteral.

A produção endógena do ácido úrico depende da síntese e do catabolismo celular. A sua produção é de 300 a 400 mg/dia. Por outro lado, a produção exógena é dependente da dieta. Em torno de 500 mg/dia e mais alta quando se consume proteína de origem animal.

O ácido úrico é a molécula final do metabolismo das purinas. Estas são as bases nitrogenadas do ácido nucléico, que formam o DNA: a adenina e guanina. Assim, dois terços do ácido úrico produzido no organismo é excretado pela urina e o restante pelas fezes.

Os dois fatores mais importantes para precipitação do ácido úrico são:

  • a concentração de ácido úrico elevada na urina e
  • o pH urinário ácido

Nestas circunstâncias, o sal de urato relativamente solúvel é convertido para ácido úrico insolúvel. Portanto, favorece a formação do cálculo no sistema excretor urinário. Desta maneira, o urato de sódio é 20 vezes mais solúvel na urina que o ácido úrico.

Princípio do tratamento clínico

A queda do pH urinário abaixo de 5,5 causa um aumento vertiginoso do ácido úrico insolúvel. Desta maneira, favorece a formação do cálculo de ácido úrico. Por outro lado, a alcalinização da urina causa maior concentração urato, que é solúvel na urina. Por isso, há diminuição do cálculo de ácido úrico até sua completa dissolução.

A cólica renal ocorre quando o cálculo obstrui o ureter que leva a urina até a bexiga. O ureter tem tem luz virtual.

O ácido úrico é completamente filtrado pelos glomérulos, reabsorvido e secretado pelos túbulos proximais. Aproximadamente 10% do que é filtrado é excretado pela urina.

As três principais alterações metabólicas relacionadas a formação do cálculo de ácido úrico são:

  • o pH urinário baixo,
  • o baixo volume urinário nas 24 horas e
  • as doenças que produzem hiperuricosúria.

O ácido de ácido úrico aumenta com a obesidade

Nos obesos e nos formadores de cálculo de ácido úrico há diminuição da amônia, que é excretada na urina. Esta substância tampona ácido na urina. Por isso, sua queda favorece a formação do cálculo de ácido úricoA amônia é o principal tampão da acidez urináriaEla representa até 80% dos tampões em pessoas normais. A quantidade de amônia diminui com o aumento do IMC ou seja, índice de massa corpórea.

A incidência do cálculo urinário é maior nos homens e aumenta com a idade. Assim, ocorre em torno de 5 a 10% nos portadores de cálculo renal. Em contraste, atinge até 40% dos casos de litíase em países com climas quentes e áridos. As pessoas produzirem baixo volume de urina nas 24 horas. Por isso, o pH urinário se mantém mais ácido e favorece a precipitação do ácido úrico.

A frequência de cálculo de ácido úrico entre os pacientes portadores de gota é de 25 a 40%. O risco de ambos, cálculo de ácido úrico e cálculo de cálcio estão aumentados em pacientes com gota. Nos diabéticos ocorre em até 35%.

Entre os mamíferos, os homens e os Dálmatas não possuem a enzima uricase. Ela transforma ácido úrico em alontoína que são formam em ácido úrico.

Causas para cálculo de ácido úrico

São causas conhecidas da formação de cálculo de ácido úrico: a obesidade, podendo chegar a 40%. Quanto mais obeso menor é o pH urinário. Os portadores de goto, as pessoas com consumo aumentado de álcool e frutose, proveniente das frutas, os portadores da síndrome metabólica – obesidade, resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, baixa do colesterol bom-HDL, aumento do triglicérides; e com doenças diarréicas crônicas.

Além disso, medicamentos que causam hiperuricosúria: probenecide, salicilatos (mais de 2 aspirinas/dia), diuréticos: os tiazídicos, drogas quimioterápicas, drogas que suprimem o sistema imune: ciclosporina, consumidores em excesso de proteínas, os portadores de neoplasias linfomieloproliferativas e mieloma múltiplo.

Além de doenças familiares por deficiência da enzima xantino-oxidase e da hipoxantina-guanina fosforibosiltransferase ou hiperatividade da fosforibosilpirofosfato sintetase. Elas mantém o pH urinário constantemente menor que 5,5.

Outras causas são desidratação, sudorese excessiva em pessoas que realizam exercícios físicos prolongados e com baixa ingestão. Contudo, a hiperuricosúria nem sempre está presente em pacientes com cálculo de ácido úrico.

O diabetes mellitus e a síndrome metabólica aumentam o cálculo de ácido úrico. Possivelmente, relacionados à redução da amoniogênese e diminuição do pH urinário.

A obesidade causa alteração crônica nos túbulos contornados proximais dos rins. A lipotoxicidade renal predispõe a formação de cálculos de ácido úrico.

Tratamento do cálculo de ácido úrico

A sua prevenção começa com a ingestão aumentada de líquidos. Por isso, deve-se estimular que se urine muitas vezes por dia. Desta maneira, sempre com urina clara, o que indica que a pessoa está bem hidratada. No verão é preciso beber mais água para que a urina esteja clara. Esta conduta por si só reduz de 20% a recorrência de novos cálculos.

Deve-se restringir o consumo de sal para 2 a 3 gramas por dia.

Deve-se monitorar durante o tratamento o pH se mantenha alcalino e nunca maior que 6,8. O tratamento com citrato de potássio mantém o pH urinário entre 6 e 6,5. Alcaliniza a urina e formar complexos solúveis os cristais. Além disso, o citrato de potássio forma complexos com cálcio, diminui a saturação e a cristalização dos sais de cálcio. Por corrigir a hipocitratúria, reduz o crescimento de cristais cálculo de cálcio, restaura o citrato urinário ao valores normais, reduz a excreção de cálcio urinário, reduz a saturação de oxalato de cálcio, aumenta a atividade inibitória contra oxalato cálcio e também restaura o balanço positivo de cálcio.

Com pH urinário de 6,75, mais de 90% do ácido úrico é transformado em urato. Este sal é mais solúvel, minimizando assim o risco de precipitação do ácido úrico. Este regime pode dissolver cálculos preexistentes e prevenir a formação de novos cálculos. Portanto, estes cálculos são tratados com sucesso com dieta e medicamentos. O pH urinário deve estar entre 6,3 e 6,8. Assim, há o máximo de solubilidade dos cristais de ácido úrico. Acima disto, corre-se o risco de formar cálculo de fosfato de cálcio.

Restrição das bebidas alcóolicas

A ingestão de álcool aumenta a uricemia por incrementar a degradação da adenosina trifosfato em adenosina monofosfato. Esta é convertida para ácido úrico. A cerveja apresenta maior risco das bebidas destiladas. Enquanto, a ingesta moderada de vinho não aumenta o risco. A cerveja é rica em purinas, em especial guanosina, favorecendo a hiperuricemia e a gota.

Vantagens do limão

As frutas cítricas aumentam o pH urinário. A melhor das frutas é o limão, de qualquer das suas espécies. Por produzir 5 vezes mais citrato na urina do que a laranja.

Tratamento medicamentoso

O halopurinal, reduz a formação de ácido úrico por bloquear a atividade da oxidase de xantina. Não deve ser prescrito no inicio do tratamento, exceto se houver excesso de ácido úrico na urina, maior que 850mg/dia.

O citrato de potássio causa queda do cálcio urinário e aumenta a quantidade de citrato na urina. É um inibidores para formação de cálculos urinários. Age como anti-agregante de cristais urinários e alcaliniza a urina. Entretanto, deve ser usado com cautela em pacientes com insuficiência renal.

Aproximadamente 30% do ácido úrico urinário é derivado ingestão de purinas. Portanto, deve-se restringir o consumo de grãos, álcool e de proteína para 150 a 200 mg/dia. O catabolismo protéico produz ácido úrico, seja carne bovina, ave ou peixe. A proteína do peixe produz maior quantidade de ácido úrico na urina de 24 h. Em torno de 10% acima da bovina e do frango. Dieta restritiva de purinas em indivíduo sadio reduz os níveis de ácido úrico sanguíneo de 4,95 para 2,95 mg/dl. Os crustáceos são ricos em purinas e sempre devem ser evitados.   

Tratamento cirúrgico

Cálculos volumosos na pelve renal podem ser submetidos a tratamento com ondas de choque para fragmentá-los. Os obstrutivos de uréter podem ser tratados pela ureterolitotripsia endoscópica. Por esta cirurgia se realiza a fragmentação dos cálculos com visão direta. São usadas várias fontes de energia e o mais usado é o laser. Saiba mais em: https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/#3

A orientação médica pode ajudar a planejar o tratamento dos pacientes com cálculo de ácido úrico. Portanto, pode-se evitar os episódios subsequentes de cálculos de ácido úrico em pacientes de alto risco para sua formação.

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

https://uroweb.org/guideline/urolithiasis/

Crescimento da próstata – Entenda porque ocorre

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O crescimento da próstata ocorre a partir dos 25 anos pela hiperplasia prostática benigna – HPB. Por isso, ocorre a obstrução do fluxo urinário progressivo com a idade. Saiba se você urina bem em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/jato-fraco-estou-urinando-bem/

O HPB é o crescimento da zona transicional da próstata. Entenda.

A hiperplasia prostática benigna (benign prostatic hyperplasia) é um diagnóstico histológico, portanto somente comprovada por uma biopsia prostática. Ela refere a proliferação do estroma, constituído por músculo liso e tecido conjuntivo, o colágeno. Ela constitui a substância intercelular do tecido conjuntivo. Além disso, as células epiteliais que constituem o tecido glandular da próstata. Esta é composta por ácinos e dutos secretores na zona de transição da próstata.

É uma doença mais estromal que epitelial

A zona transicional se localiza ao redor da uretra prostática e corresponde a 5% do volume prostático no adulto jovem. A relação volumétrica entre o estroma para glândula normal é de 2:1. Contudo, numa próstata com hiperplasia benigna da próstata varia de 3 a 4:1. Portanto, quando se fala que a próstata é uma glândula, imaginamos  o tecido glandular crescendo. Todavia, na verdade ocorre crescimento muito mais estromal do que glandular, com variações pessoais neste volume. Isto explica as diferenças de consistência ao toque entre os portadores de hiperplasia benigna da próstata, de fibroelástica a fibrosa.

A hiperplasia benigna da próstata é doença mais estromal do que epitelial. Assim, no começo aumenta o volume da próstata, o componente estático. Depois, aumenta o tônus do músculo liso, o componente dinâmico.

O crescimento da próstata ocorre ao longo da vida adulta. As taxas de crescimento são diferentes entre os homens. Pode ocorrer crescimento mais acelerado em determinado momento da vida. No acompanhamento anual, as vezes a próstata cresce muito num intervalo e sem que haja sintomas obstrutivos. Outras vezes há piora clínica. Contudo, o crescimento pode obstruir a uretra prostática e piorar dos sintomas urinários do trato inferior (LUTS). Entretanto, não é por que a próstata está grande que se deve indicar tratamento ou cirurgia!

Todo endurecimento da próstata pode ser câncer

A porcentagem de componente do estroma para glândula explica as diferentes respostas dos medicamentos na clínica. O paciente com hiperplasia benigna da próstata volumosa corresponde a 90% do seu peso. A zona periférica corresponde a 75% do seu peso no jovem. Ela é a região sentida ao toque retal. Aí ocorre 80% dos casos de câncer de próstata. Todo endurecimento é suspeito de câncer até prova do contrário. Portanto, se houver a suspeita está indicada biopsia.

O homem vai piorando o jato ao longo da vida. Por isso, na velhice se urina mal. Contudo, nem todo velho vai urinar mal. Inclusive, há homens com mais de 80 anos que urinam bem. Além disso, sem nenhuma queixa e inclusive sem acordar a noite para urinar. Todavia, não há como predizer esta evolução.

O peso normal da próstata em homem de 21-30 anos é de 20 gramas, do tamanho de uma noz. Alguns homens vão ter próstatas grandes, podendo ter próstatas maiores que 100 gramas na velhice. Todavia, podem existir pacientes que antes dos 50 anos tem este volume de próstata. Outros urinam mal com próstatas menores que 30 gramas. Como se explicam estas diferenças de crescimento da próstata e o aparecimento dos sintomas?

A HPB é a doença urológica mais comum nos homens. o HPB afeta um quarto dos homens aos 50 anos, um terço aos 60 e metade dos octogenários. O seu crescimento é de 2-2,5% ao ano após os 65 anos.

Patogênese do HPB – crescimento da próstata

A patogênese, como ocorre seu crescimento ainda permanece mal entendida. Muitas alterações celulares podem explicar como proliferação, vantagem de crescimento celular, diferenciação, transformação de um tipo celular em outro, apoptose, morte natural das células em sua constante renovação. Assim, pode ser induzida por drogas e quiescência, estado de dormência celular que pode vir do período embriogênico. Além disso, algum estímulo químico que faz crescer tem sido implicado na patogênese da HPB.

O crescimento da próstata é influenciada pela testosterona, estrogênio, fatores parácrinos do estroma e do epitélio, moléculas sinalizadoras entre as células do estroma e do epitélio prostático, fatores de crescimento (FGF-1,2,7,17; VEGF, IGF, TGF-β), citocinas (IL-2 , 4, 7, 17; IFN-γ), a sinalização do nervo simpático e herança genética. Muitas famílias de fatores de crescimento atuam através de sinalização parácrina para estimular a proliferação, incluindo fator de crescimento de fibroblastos, fator de crescimento epitelial, fator de crescimento semelhante a insulina, fator de crescimento de queratinócito, fator de crescimento de hepatócitos e fator de crescimento endotelial vascular.

A enzima 5a-redutase tipo 2 e a testosterona

Dois fatores são considerados os pilares funcionais do crescimento da próstata: a enzima 5a-redutase tipo 2 e a testosterona. As interações estromais e epiteliais, sob a influência do receptor de testosterona e da di-hidrotestosterona promovem o crescimento. Eles formam os nódulos hiperplásicos característicos da doença. Estes nódulos causam a obstrução uretral. Os três lobos, direito, esquerdo e o subcervical podem aumentar, as vezes um maior que o outro. Desta maneira é observada a assimetria da uretra de cada paciente. Mas, na maioria, os três lobos crescem simetricamente, o que causa seu aumento esférico. Isto é visto pelos métodos de imagem, ultrassom, tomografia e ressonância, com elevação do assoalho da bexiga.

Fatores de riscos clínicos e metabólicos

Os fatores de riscos clínicos e metabólicos relacionados a HPB são: idade, geográficos, fatores genéticos, sedentarismo, tipo de alimentação, atividade física ao longo da vida, obesidade, diabetes melitus, hipercolesterolemia, síndrome metabólica. Além disso, doenças cardiovasculares, uso de álcool e tabaco, inflamações prévias prostáticas, sondagem vesical, com risco para estenose da uretra, prostatites e infecção do trato urinário.

Hereditariedade

Comecemos a explicar pelo fator hereditariedade. A herança genética pode ser forte em alguns casos de crescimento da próstata. Algumas famílias têm vários casos com próstatas volumosas. Os pacientes de família com próstata volumosa, HPB com menos de 55 anos devem ser seguidos com cautela. Inclusive, podem receber medicamentos precocemente para bloquear o seu crescimento. Mais ainda, estes pacientes trazem traços epidemiológicos claros de que a hiperplasia benigna da próstata esteja ligada por anormalidades herdadas.

Estudo clínico da Johns Hopkins avaliou famílias com hiperplasia benigna da próstata e casos controles, sem HPB. O risco foi de  de 4,2 para as famílias com HPB. As próstatas eram mais volumosas e causada por herança autossômica dominante. Da mesma forma, os gêmeos monozigóticos têm mais hiperplasia benigna da próstata do que os dizigóticos, gêmeos não parecidos. Estes casos têm herança familial diferente dos casos esporádicos de HPB. Estudos moleculares mostram que estes pacientes têm em comum uma série particular de expressões em genes específicos.

Raça e idade

Os negros têm maior volume de próstata e são mais sintomáticos que os brancos. A idade é fator para piora dos sintomas. Os asiáticos são menos predispostos ao BPH do que os brancos e negros. Todavia, mesmo com próstatas pequenas, eles apresentam sintomas com o envelhecimento.

Obesidade

Quanto maior for a adiposidade corporal, maior o volume da próstata. O aumento da próstata prediz fortemente a evolução adversa, incluindo retenção urinária aguda e insuficiência renal. O peso corporal, IMC e circunferência da cintura foram positivamente associados com o volume da próstata em estudos populacionais.

A obesidade central associa-se maiores próstatas por que está associada com excesso de citoquinas inflamatórias. Além disso, aumenta a proporção de estrogênio para testosterona. Assim, a obesidade está associada com fator de necrose tumoral, receptores do factor de necrose tumoral, interleucina-6 e proteína C-reativa.

Os homens obesos têm mais células adiposas onde ocorre a aromatização da testosterona para estrógeno, causando queda da testosterona. Este desequilíbrio explica pelo menos parcialmente, o porquê as próstatas são volumosas, com risco de 2,38. Desta maneira, esta alteração é usada para explicar a piora da função erétil nos obesos.

Andrógenos

A testosterona em mais de 90% é convertida andrógeno mais potente na próstata, a dihidrotestosterona. Ela é convertida pela enzima 5-a redutase.

A di-hidrotestosterona é necessária para o desenvolvimento da próstata. Na adolescência ocorre o amadurecimento dos testículos e o aumento da testosterona causa o início da puberdade. Homens com deficiência congênita da 5a-reductase têm próstata rudimentar, apesar da testosterona e os receptores de andrógenos serem normais. Os receptores de androgênio estão localizados nas células epiteliais da glândula prostática normal. Contudo, há uma distribuição mais heterogênea nas células epiteliais e no estroma em pacientes com tecido hiperplásico da próstata. Pacientes com ou sem HPB produzem igualmente testosterona. Entretanto, o desequilíbrio dos estrogênios pode parcialmente explicar seu aumento.

Fatores de crescimento do estroma

A HPB é uma doença do estroma. O estroma é derivado do seio urogenital e a testosterona induz a diferenciação do epitélio da próstata. A falta dos receptores de androgênio no estroma não induz a diferenciação do epitélio normal e portanto, impede seu crescimento.

Inflamação

O exame histológico de pacientes com HPB mostra rotineiramente infiltrado inflamatório de diferentes intensidades. Neste cenário, sem bactérias, é observado 70% de linfócitos T, 15% de linfócitos B e 15% de macrófagos e mastócitos. Os leucócitos são quase ausentes.

Com o envelhecimento, o infiltrado de linfócitos T aumenta, com aumento de 28 vezes na próstata com HPB. Na próstata normal observa-se uma média de 7 linfócitos T/mm2, subindo para 195 linfócitos/mm2 em HPB. A inflamação crônica é 6,8 maior em pacientes com HPB do que aqueles sem HPB. O infiltrado de linfócitos T produz citoquinas estimulam o crescimento estromal, formação de colágeno e angiogênese. Mesmo em próstatas normais de homens 18-25 anos de idade, alterações imunológicas frequentemente precedem alterações histológicas da HBP.

A exposição crônica a agentes inflamatórios ou infecção, viral ou bacteriana podem iniciar as reações inflamatórias teciduais. Elas causam danos genômicos mediada pela própria infecção ou por agentes cancerígenos oxidantes oriundos das células inflamatórias. As fontes que iniciam o processo inflamatório incluem infecção, refluxo de urina para ductos prostáticos, fatores dietéticos, hormônios esteróides ou combinações destes. O dano repetido e o stress oxidativo provocam proliferação celular com crescimento hiperplásico e podem induzir neoplasia.

Radicais livres induzem HPB e lesões pré-malignas

As regiões inflamadas da prostática geram radicais livres, tais como o óxido nítrico e várias espécies de oxigénio como peróxido. Os infiltrados de macrófagos e neutrófilos são fonte de radicais livres que podem induzir hiperplasia e transformações pré-cancerosas. O óxido nítrico e a atividade da COX poder ter papel importante para o estímulo inflamatório e crescimento da próstata. A óxido nítrico sintetase induzível é o principal fator de ativação de NO reativos que danificam células e o DNA. A inibição de COX-2 produz aumento na atividade apoptótica das células, causando atrofia e regressão do volume da próstata.

O HPB é mais comum em obesos e está associada com aumento de citocinas inflamatórias. Há a hipótese de que os macrófagos secretam citocinas que estimulam o estroma e a hiperplasia epitelial. As concentrações aumentadas do fator indutor de hipóxia, HIF-1a, secretada pelas células epiteliais, é induzida por citocinas pró-inflamatórias. Ela está envolvida na hiperplasia induzida pela testosterona. Os agentes que bloqueiam os efeitos de HIF-1a podem proporcionar uma nova abordagem para o tratamento da HPB. Se a inflamação é um mecanismo causal para HPB, ela fornecer explicação para sua melhora com uso dos antiinflamatórios. Assim, há evidência de que os inibidores da fosfodiesterase-5 diminuem a transformação de fibroblastos em miofibroblastos. Este pode ser o mecanismo para eles diminuirem os sintomas.

Síndrome metabólica e crescimento da próstata

A síndrome metabólica (SM) é uma variedade de distúrbio associada com maior risco de doença vascular. A SM está presente com 3 dos 5 critérios:

  • obesidade central, circunferência da cintura superior a 90 cm na mulher e 100 cm no homem;
  • hipertensão arterial, pressão arterial igual ou superior a 130/85 mmHg;
  • glicemia alterada, glicemia maior ou igual a 100 mg/dL;
  • triglicerídeos maior ou igual a 150 mg/dL;
  • HDL-colesterol menor que 40 mg/dL em homens e menor que 50 mg/dL em mulheres.

A síndrome metabólica está associada a poluição ambiental, comum em metrópoles no mundo. A SM se desenvolve por maus hábitos alimentares e/ou estilo de vida sedentário. A resistência à insulina ocorre por diminuição na capacidade de resposta dos tecidos a insulina. A hiperinsulinemia aumenta o fator de crescimento semelhante à insulina 1, o IGF-1 no fígado.

Estudos mostram que a resistência à insulina com hiperinsulinemia secundária está associada com HPB. A hiperinsulinemia aumenta a atividade do sistema nervoso simpático e o tônus do músculo liso da próstata. Desta forma, aumenta os sintomas independente do aumento prostático. Além disso, ela aumenta o cálcio nas células de músculo liso e nervoso, que ativa o sistema nervoso simpático.

A insulina apresenta semelhança estrutural com o IGF-1 e se liga ao seu receptor. Assim, ativa um caminho complexo causando crescimento e proliferação das células prostáticas. Alternativamente, o aumento de insulina, o IGF-1 de ligação de proteína-1 diminui, aumentando a biodisponibilidade de IGF. A inflamação da próstata em pacientes com síndrome metabólica desempenha papel importante na progressão da HPB. Assim, a atividade das células T em infiltrados na próstata aumenta a proliferação do estroma e epitélio por mecanismo auto-imune. O dano tecidual e o processo crônico repetitivo leva ao desenvolvimento de nódulos de HPB.

Síndrome metabólica aumenta a próstata

Os homens com síndrome metabólica têm próstatas maiores e crescimento anual mais elevado. O crescimento anual ocorre em 47%, 17%, 36%, 31% e 28% em pacientes com diabetes, hipertensão arterial, obesidade, HDL-colesterol baixo e insulina alta em jejum, respectivamente.

Obesos tem 3,5 vezes maior risco de aumento da próstata em comparação com não-obesos. Os homens com pelo menos três componentes da síndrome metabólica têm 80% mais sintomas do que aqueles sem. Outros estudos mostram que homens com cardiopatia têm risco aumentado de ambos, HPB e LUTS.

A aterosclerose causa isquemia crônica da bexiga e próstata. Isto causa deficiências funcionais manifestadas nos LUTS. Os fatores de risco para aterosclerose são hipertensão, hiperlipidemia, tabagismo e diabetes. Há uma associação dos quatro fatores de risco para aterosclerose com sintomas do trato urinário inferior. Cada um destes fatores aumenta o risco de aterosclerose pelo fator de 1,8-4,5. Os escore de sintomas, I-PSS foi idêntico naqueles sem e com 1 fator de risco vascular – 6,2%. Contudo, aumentou para 24% nos com dois ou mais fatores de risco.

Cenário de tratamento

A HPB não é uma doença onde um remédio possa ser usado para resolver todos os casos. Muito pelo contrário, existem alguns cenários para tratar pacientes com perfis semelhantes. Novas moléculas vão melhorar o tratamento. Desta maneira, novas drogas vão agir em alvos específicos para melhorar os sintomas de maneira expressiva.

Outras vezes, drogas usadas conforme o perfil gênico vão impedir o crescimento precoce da próstata. Assim, pacientes com próstatas volumosas poderão usar remédios para atrofiar apenas o estroma. Desta maneira, impedindo que o sêmen diminua. Estas novas táticas de tratamento devem mudar a maneira que hoje tratamos nossos pacientes.

Por outro lado, novas técnicas já estão sendo introduzidas para aliviar a obstrução e preservar a ejaculação. Saiba mais em: https://www.drfranciscofonseca.com.br/ejaculacao-pos-cirurgia-prostat/

Caso você queira saber mais sobre esta e outras doenças do trato genitourinário navegue no site: https://www.drfranciscofonseca.com.br/  para entender e ganhar conhecimentos. A cultura sempre faz a diferença. Você vai se surpreender!

 

Referência

http://www.auanet.org/guidelines/benign-prostatic-hyperplasia/lower-urinary-tract-symptoms-(2018)

https://uroweb.org/guideline/treatment-of-non-neurogenic-male-luts/

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