O que é?179047874_garota_jogando_tenis

A cistite aguda (acute cystites), causada por bactérias e raramente por outros microrganismos como fungo e vírus, é a infecção mais frequente do trato urinário (ITU, urinary tract infection) observada nas mulheres, principalmente na fase adulta da vida. Geralmente a doença é causada por bactérias que colonizam o intróito vaginal e o meato uretral e conseguem subir `a bexiga. A bactéria Escherichia coli (E. coli), que tem fimbrias para aderir ao urotélio (epitélio da bexiga), é a bactéria que mais causa a infecção do trato urinário (75-95% dos casos).

 

Sinais

As queixas principais da mulher acometida de cistite aguda são a disúria (ardência para urinar), urgência (vontade premente de urinar), polaciúria (urinar muitas vezes, a todo momento e com pouco volume) e hematúria final (sangue na urina ao término da micção). Acordar a noite para urinar em mulheres mais jovens. Dor e desconforto supra-púbico. Urina com aspecto turvo, com sedimento e mal cheirosa. A cistite aguda não causa febre e quando ela ocorre (temperatura maior que 37,70C), é porque está acontecendo ITU superior (pielonefrite, infecção nos túbulos renal), o que é mais preocupante e necessita tratamento com antibióticos com urgência. A ITU nas mulheres adultas ocorrem geralmente 2 a 3 dias após o coito. Nas crianças, com menos de 1 ano de idade, geralmente são decorrentes de anomalias congênitas do trato urinário e devem ser investigadas. Já nas mulheres na menopausa é causada pela queda dos hormônios femininos após a parada da menstruação e alterações anatômicas do trato urinário inferior.

 

Diagnóstico

O diagnóstico da ITU é feito pela coleta de urina do jato médio no laboratório de análises clínicas através do exame urina tipo I e cultura com antibiograma de urina. Cultura de urina com mais de 100.000 colônias/ml de bactérias são consideradas ITU, e para pacientes sintomáticas e com cultura com menos colônias/ml podem ser consideradas positivas para se indicar tratamento. Pacientes com ITU de repetição devem ser investigadas com exames de imagem, inicialmente com ultrassom (USG) do trato urinário e da pelve feminina. Quase 20% das mulheres que têm uma UTI terá outra, e 30% delas ainda terão outra. Neste último grupo, 80% continuarão a ter ITUs recorrentes. Conforme o caso podem ser solicitados outros exames mais sofisticados, como a tomografia com ou sem contraste, para investigação de outros achados pertinentes vistos ou suspeitos pela USG.

Pacientes com sintomas clínicos persistentes após 48 a 72 horas de terapia antibiótica adequada para ITU devem ser submetidos a avaliação radiológica do trato urinário superior. A avaliação radiológica é obrigatória para pacientes com pielonefrite (infecção renal) que estão gravemente doentes, toxemiados ou que tenham sintomas de cólica renal ou antecedentes de cálculos renais, diabetes, história de cirurgia urológica pregressa, imunossupressão, episódios repetidos de pielonefrite ou urosepsis.

 

Fatores de risco

Em mulheres sexualmente ativas, os fatores de risco para ITU incluem a atividade sexual recente, uso de espermicidas e história de ITU pregressa. A predisposição familiar para ITU conduzem ao pensamento de que fatores locais de defesa estejam alterados, como produção de anticorpos locais e deficiência na produção das secreções locais. As mudanças da composição da flora vaginal, com queda dos bacilos de Döderlein favorece a predisposição para cistites e ainda mais se estas mulheres forem sexualmente ativas. Anomalias congênitas, principalmente por causarem estase urinária, podem predispor a ITU e devem ser corrigidas cirurgicamente. Da mesma maneira, pacientes com distúrbios funcionais da bexiga (de origem neurológica) podem também ser causa de ITU. Pacientes com incontinência urinária, por manterem a genitália umedecida, sendo a urina é irritativa para mucosa vaginal e pele, facilitam a alteração microbiana da flora vaginal e a ocorrência de ITU. Sua correção faz parte da solução de ITU. As mulheres grávidas apresentam maior risco de desenvolver UTIs. Durante a gravidez, as mudanças anatômicas impostas pelo crescimento uterino durante a gestação comprime a bexiga e os ureteres dificultando o esvaziamento da urina do trato urinário, favorecendo a ITU. Estima-se que 4% a 10% das mulheres grávidas desenvolvem ITU, que é aproximadamente o dobro do número encontrado em mulheres não grávidas da mesma idade. Em casos graves, as ITUs em mulheres grávidas podem levar a partos prematuros.

Mulheres que tiveram UTIs durante a infância têm o dobro da probabilidade de desenvolver uma infecção durante a gravidez do que as mulheres que não as tiveram.

Má higiene íntima, pode ser causa de contaminação do introito vaginal e ser o motivo da ITU. Deficiências das imunoglobulinas secretadas pela genitália feminina podem predispor a ITU. Doenças sistêmicas associadas, como a diabetes mellitus, devem ser compensadas para corrigir alterações metabólicas que poderão deixar o organismo fragilizado em suas defesas sistêmicas, predispondo a ITU. Tratamentos com antibióticos de outras doenças infecciosas podem alterar a microflora genital corroborando para instalação da ITU.

 

Tratamento

O tratamento da cistite aguda deve ser feito com antibióticos por 3 dias e deve-se dar preferência ao uso dos bacteriostáticos por não afetarem a flora de outras partes do organismo (como a nasal ou intestinal). Estes remédios são absorvidos pelo tubo digestivo e são eliminados prontamente pela via excretora, mantendo altas concentrações da droga na bexiga e causando morte das bactérias que estão agredindo o urotélio.

O tratamento específico de cada caso deve ser baseado na causa que está predispondo a ITU. Se houver alterações vaginais devem ser tratadas, sejam as causadoras de leucorréia (corrimento vaginal), sejam as causadas por alterações da mucosa vaginal e vulvar, observadas pelo ressecamento, por déficit hormonal. Sua correção pode ser o princípio do sucesso terapêutico. A recolonização dos bacilos de Döderlein normalizam a flora vaginal e combate a invasão por batérias intestinais.

As vezes, a causa da ITU é uma anormalidade importante proctológica (doenças do anus e reto) e devem ser tratadas primariamente. A identificação da situação clínica do paciente é fundamental para o planejamento terapêutico.

 

Prevenção

Algumas mulheres, com ITU de repetição, devem receber uma dose desses remédios diariamente ou após as relações sexuais, quando for bem definido como causa direta da ITU. Estas mulheres devem ser orientadas a urinar após coito para expulsar as bactérias que ascenderam a bexiga, com objetivo de diminuir a população de bactérias invasoras. Isto pode dar vantagem as defesas do organismo. Pela mesma razão, a hidratação generosa pode ajudar a eliminar bactérias do trato urinário. O uso de espermicidas podem predispor as ITUs de repetição. Pacientes com reservatório de bactérias, como nas mulheres com estase urinária (cistocele, distúrbios funcionais da bexiga, de causa neurológica) ou divertículos (saculações que podem armazenar urina) na uretra e bexiga, devem sem tratadas para sua resolução completa, seja clinicamente ou por reparo cirúrgico. A estase urinária é a causa das ITUs de repetição. Pacientes com incontinência urinária devem ser tratadas para resolução da sua causa primária.

A normalização da flora vaginal faz parte do tratamento da ITU, seja na fase pré como pós-menopausa. As vezes, a reposição hormonal local pode resolver o problema e geralmente o tratamento é instituído por tempo indeterminado nas mulheres pós-menopausa. Não se deve realizar higiene íntima da genitália após urinar ou evacuar com duchas ou lenços higiênicos, pois podem alterar a microflora e pH vaginal. Procure respeitar o momento de que você está com bexiga cheia e precisa urinar, a retenção crônica de urina pode inclusive causar problemas neurológicos da bexiga. Manter a bexiga vazia pode ajudar a evitar ITU. Troque absorventes íntimos com frequência e cuidado com as roupas e lingeries apertadas feitas com materiais sintéticos, pois dificultam a transpiração e mantém a umidade local que facilitadoras da proliferação bacteriana, principalmente num país tropical. A higiene pessoal sempre deve ser feita da frente para trás.

O uso do suco de cranberry parece ter algum efeito protetor, pois produz substância que na urina impede que as fimbrias bacterianas se fixem no urotélio.

Como se pode observar muitas são as causas e etiopatogenias (como acontecem) das cistites, e estas devem ser tratadas para que o trato urinário seja preservado na sua integridade. Um mal tratamento pode predispor a complicações inexoráveis na evolução de uma das doenças mais frequentes observadas nas mulheres durante a sua vida.