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O que é?

A fimose na infância (phimosis) é a dificuldade de expor a glande (cabeça do pênis), porque o prepúcio (pele que recobre a glande) adere à glande, dificultando sua exposição. Isso é normal nos primeiros meses de vida do bebê, apenas 4% dos recém nascidos retraem o prepúcio ao nascimento, porém, o prepúcio vai se soltando até os 3 anos.

Estudos mostram que no final do primeiro ano, a exposição da glande não é possível em 50% dos meninos. Esse percentual cai para 11% aos 3 anos, para 8% aos 7 anos e para apenas 1% aos 16-18 anos.

 

Sintomas

Os sintomas, quando ocorrem, são causados pelo processo inflamatório, com hiperemia (vermelhidão), edema, prurido até erosão (ulceração superficial) e são mais intensos quando há infecção local, quando se pode observar saída de secreção purulenta. As balanites (ou inflamações na pele do prepúcio) podem evoluir com aderência entre a glande e o prepúcio, podendo causar dor e dificuldade para expor a glande, prejudicando e favorecendo novos episódios de balanites. Pode ocorrer ereção dolorosa, sangramento prepucial e ardência miccional. Em casos extremos de obstrução prepucial em recém nascidos, pode-se observar dilatação prepucial causada pela obstrução do anel prepucial ao jato urinário.

 

Diagnóstico

É realizado pelo exame físico ao se expor a glande e observar que é impossível sua exposição. A presença da fimose predispõe a criança ao surgimento de inflamação local causada pelo contato irritativo constante da urina com a glande e prepúcio (balanopostite). Quando ocorre proliferação bacteriana, a balanopostite pode causar aderências entre o prepúcio e a glande, podendo se tornar mais intensas e causar deformidades cicatriciais entre a glande e o prepúcio. A fimose pode acontecer em qualquer momento da vida, até mesmo na terceira idade, quando pode ser causada por processos inflamatórios repetitivos que pioram o anel prepucial.

 

Tratamento

O tratamento inicial pode ser realizado com hidratantes para melhorar a elasticidade da pele e facilitar sua retração para a higiene diária. Em alguns casos, principalmente nas crianças, pode-se usar cremes de corticóides locais de baixa potência. A presença de esmegma, secreções das glândulas sebáceas e sudoríparas e de células que se descamam da mucosa pode causar maceração e irritação asséptica das mucosas, que podem predispor a infecção local.

Só se deve operar o paciente com fimose verdadeira.

Caso haja estenose prepucial intensa deve-se indicar a remoção da pele estenótica que obstrui a glande (postectomia) em qualquer idade. Não se deve remover o prepúcio na sua totalidade, devendo recobrir a glande parcialmente, até pelo menos o seu terço médio. Isto é importante para não prejudicar a função das glândulas sebáceas e sudoríparas localizadas no prepúcio e na glande, assim como na coroa prepucial (glândulas de Batson, produtoras de muco).

 

Prevenção

A cirurgia deve ser indicada em qualquer idade, desde que o paciente seja portador de fimose verdadeira. Todos homens nascem com prepúcio e portando não devem ser operados só por terem prepúcio. Raros casos com prepúcio exuberante podem ser indicado a cirurgia, principalmente se houver incomodo e/ou causar desconforto durante o coito, ou apresentarem balanopostite de repetição. A ereção pode evidenciar o anel prepucial estenótico e ao término da relação é comum observar edema prepucial. A postectomia previne a parafimose (constrição do anel prepucial que cursa com edema e dor, e pode ser intenso causando isquemia e até necrose da glande, se não tratada rapidamente), infecções recorrentes do trato urinário, balanopostite severa ou recorrente e balanopostite xerótica obliterante. A cirurgia também diminui a incidência das doenças sexualmente transmissíveis, como HIV e o câncer de pênis e na mulher o câncer de colo uterino.