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O que é?

Incontinência urinária (urinary incontinence) em homens é definida como a perda involuntária de urina secundária à insuficiência da resistência do esfíncter uretral, desencadeada por qualquer esforço físico, desde o pequeno até o intenso. O aumento da pressão abdominal pelo esforço físico causa aumento da pressão sobre a bexiga que ultrapassa a pressão de resistência de fechamento da uretra. A perda pode ser de gotas até de grande volume de urina por dia.

 

Sintomas

Os pacientes com incontinência urinária de esforço (IUE) apresentam perda urinária e podem ter que utilizar forros ou fraldas para protegerem suas vestes. Geralmente não apresentam dor à passagem da urina, mas comumente têm a pele peniana e escrotal inflamadas pelo contato contínuo com a urina, assim como odor urêmico constante, o que causa constrangimento e frequentemente leva estes pacientes à depressão e ao isolamento social. São mais vulneráveis à infecção do trato urinário.

Também podem apresentar perda de urina pacientes com estenose uretral após a prostatectomia radical, já que essa cirurgia pode ter como complicação a obstrução na uretra.

 

Diagnóstico

A avaliação inicial do homem com incontinência urinária deve ser feita pela história clínica detalhada, com especial atenção para a micção do paciente anterior à cirurgia. Muitos pacientes podem apresentar alterações crônicas na bexiga, com paredes espessadas, bexiga de pequena capacidade e outras complicações relacionadas à obstrução anterior ao diagnóstico da incontinência urinária. Deve-se inicialmente afastar a presença de infecção do trato urinário antes da solicitação de exames invasivos. Se realizados na presença de infecção do trato urinário (ITU), os seus resultados não devem ser considerados reais. Pode-se investigar a uretra e bexiga com exames de imagem radiográficos, ultrassom, tomografia, cistoscopia e estudo urodinâmico, tudo na dependência do caso clínico investigado.

 

Tratamento clínico

Se ocorrer perda urinária leve, o tratamento pode ser realizado com exercícios físicos orientados por fisioterapeuta especializado no tratamento de problemas miccionais. Geralmente são programados exercícios que devem melhorar a qualidade motora do esfíncter externo e a força da musculatura pélvica. Hoje existem aparelhos e instrumentos que podem acelerar a recuperação do músculo esfincteriano, por estímulos diretos nos músculos interessados para serem melhorados, tanto na sua potência como na duração de sua contração.

 

Tratamento cirúrgico pós-prostatectomia radical

O tratamento cirúrgico dependerá da intensidade da perda urinária. Se a perda de urina for leve aos esforços (pacientes que utilizam até 3 forros por dia), é indicada a correção com uso do sling bulbouretral, que causa compressão da uretra bulbar, aumentando a resistência uretral. Ele é colocado através de uma incisão no períneo (área entre o escroto e o reto). Os resultados mostram taxas de sucesso de 80% em dois anos de seguimento, em pacientes com incontinência urinária de baixo volume aos esforços.

Para a incontinência urinária intensa (quando o paciente perde urina durante todo o dia aos pequenos esforços e precisa usar fralda), o tratamento mais eficaz é a implantação do esfíncter urinário artificial. Este dispositivo é feito de silicone e possui três componentes que são implantados no corpo: o manquito (cuff), o balão regulador e a bomba escrotal (pump). O manquito (cuff) causa uma compressão circular na uretra bulbar e, portanto, impede a perda de urina pela uretra. Um balão regulador é colocado na região inguinal e uma pequena bomba é colocada no escroto para ser controlada pelo paciente. O líquido no balão abdominal é transferido para o manguito uretral, fecha a uretra e impede a saída de urina. Quando o paciente sente vontade de urinar, ele pressiona a bomba escrotal (pump) que liberta o cuff, fazendo com que o fluido volte para o balão inguinal e a uretra se abra, permitindo que o paciente urine por um período de 1 minuto, até que se feche naturalmente impedindo que a urina saia pela uretra.

 

Prevenção

A prevenção da incontinência urinária pós-prostatectomia radical dependerá essencialmente do êxito na cirurgia de reconstrução vésico-uretral. A experiência do cirurgião com a técnica é a chave para o sucesso. Infelizmente, podem ocorrer anomalias específicas relacionadas ao biotipo do paciente, à anatomia pélvica e à própria doença que podem exigir mudanças táticas para se atingir a perfeição da anastomose entre a bexiga e a uretra.”