O que é?154024490_bebe_olhos_azui_deitado_peito_papai

A hidrocele (hydrocele) é um acúmulo de líquido na bolsa testicular, entre a túnica albugínea parietal e visceral. Normalmente, os testículos tem uma pequena quantidade de líquido entre estas túnicas que confere mobilidade por deslizamento quando os testículos são palpados. Este líquido é produzido e absorvido pelas células das túnica albugíneas. Quando por algum motivo ocorre aumento da sua produção, o líquido vai aumentando progressivamente dentro da bolsa testicular, aumento paulatinamente.

 

Sinais

Estes pacientes geralmente não apresentam dor local. Entretanto, quando a hidrocele vai se tornando volumosa pode ocorrer desconforto ao cruzar a perna ou durante a relação sexual. O diagnóstico pode ser feito durante exame físico, observando-se a distensão escrotal causada pelo acúmulo de líquido que deixa a bolsa testicular tensa, conforme o volume de líquido em retenção for aumentando. A quantidade de líquido pode ser tão exagerada que causa deformidade estética da bolsa.

Nas crianças, a mãe pode relatar que a bolsa testicular vai aumentando durante o dia, sendo maior no período vespertino para noite e que ao dormir desaparece (o líquido volta para a cavidade abdominal). Pela manhã a bolsa testicular está absolutamente normal (hidrocele comunicante). Estes casos ocorrem por que está acontecendo uma comunicação com a cavidade abdominal e o líquido intracavitário do abdômen desce para a cavidade testicular por um pequeno conduto, chamado de peritônio-vaginal, através da região inguinal, quando o menino fica de pé. Esta anomalia está sempre associada a hérnia inguinal indireta (invaginação de alças do intestino delgado no saco herniário) e deve ser corrigida na cirurgia.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo exame físico da genitália, com visualização da bolsa aumentada, que pode ser uni ou bilateral.

Na hidrocele pequena pode-se palpar o testículo e epidídimo perfeitamente. Em hidrocele mais pronunciada não é possível palpar o testículo para se observar suas características físicas. Ao se realizar transiluminação com uma lanterna o feixe de luz passa para dentro da hidrocele, coisa que na lesão sólida testicular que aumenta a bolsa escrotal não acontece. O diagnóstico definitivo é feito com ultra-sonografia (ultrasound), que vai mostrar o conteúdo líquido e o aspecto do testículo e epidídimo. Algumas doenças que acometem o testículo e epidídimo podem cursar com hidrocele, principalmente nas causadas por infecções. Geralmente são precedidas de dor local. Doenças inflamatórias dos órgãos do escroto (epididimite, torção testicular, torção dos apêndices testiculares) podem produzir hidrocele reativa. Estes casos merecem investigação diagnóstica da lesão primária, antes de se instituir a correção cirúrgica.

Doenças raras dos testículos, como a neoplasia do testículo pode estar associada com hidrocele. Por esta razão, a hidrocele sempre deve ser investigada previamente a cirurgia com ultrassom para se avaliar a integridade do testículo. A visualização de uma massa intratesticular deve ser considerada câncer de testículo até prova do contrário. Raros casos mal definidos pela ultrassonografia podem ser avaliados pela ressonância nuclear magnética, para diferenciar inflamação de neoplasia. Assim sendo, deve ser complementada a investigação com marcadores específicos para neoplasia testicular, como: alfa-fetoproteína, fração beta do hormônio gonadotrofina coriônica e a desidrogenase lática. Este diagnóstico é fundamental para planejamento da cirurgia que no câncer, a abordagem deve ser obrigatoriamente feita por via inguinal.

 

Tratamento

O tratamento da hidrocele na maioria dos casos é cirúrgico. Casos originados por infecção do trato genital ascendente, como as epididimites, devem ser tratados com antibióticos, pois pode ocorrer regressão da hidrocele com o tratamento da doença de base. Hidrocele de causa benigna pode ser abordado por via escrotal, com incisão na rafe mediana. A causada por câncer de testículo deve ser abordada por via inguinal, sem violação da bolsa escrotal, pelo risco de disseminar a neoplasia a distância por outros caminhos que não o habitual, por vasos linfáticos ou venosos, ou seja, pelo conduto espermático.

 

Prevenção

Não existe nenhuma forma de prevenção, já que é uma anomalia congênita na maioria dos casos. Casos que ocorrem no adulto jovem, dos 15 aos 39 anos, em testículo suspeito de massa deve-se afastar a presença de neoplasia primária testicular. Cuidado em considerar o crescimento da bolsa como epididimite crônica agudizada quando associada a hidrocele, ao invés de neoplasia testicular (testis neoplasia). Isto pode atrasar o tratamento de uma das neoplasias com maior crescimento e com grande potencial para causar metástase (câncer que sai do seu lugar primário para outros órgãos a distância) que conhecemos.